Lá vem, outra vez, outra vez! a declaração de interesses… A editora e eu, eu e a editora, blá, blá, blá… Mas o que é que querem, não resisto a mostrar capas e livros novos.
Já tinha dito que a Guerra e Paz publicou até hoje 3 livros de Agustina? Já e repito: As Meninas com Paula Rego, Fama e Segredo da História de Portugal, o autobiográfico Livro de Agustina.
Já tinha dito que, muito em breve, a Guerra e Paz terá também 3 livros publicados de Jorge de Sena? Não? Digo agora: nos próximos dois meses, à Correspondência de Sena com Sophia, agora reimpresso com 9 cartas inéditas, a Guerra e Paz vai juntar dois novos livros, Dedicácias, contendo os mais violentos poemas de escárnio e maldizer do poeta, e a Correspondência que trocou com Raul Leal.
Mas hoje, as capas e os novos livros que mostro são os de nova aposta: a publicação sistemática de novos romancistas portugueses.
“Todos os dias, a toda hora penso que esta vida não pode ser a minha vida” lê-se no romance de estreia de Cristina Boavida, a que ela chamou “Só No Escuro Podes Ver as Estrelas”. A editora deu-lhe esta linda capa:

“- Ora até que enfim – silvou baixinho Damião S. Sampaio, ajeitando melhor os fundilhos à cadeira de trabalho.” foi a forma que António Eça de Queiroz encontrou para começar o seu primeiríssimo romance, titulado com toda a propriedade “O Romance Ilegal do Sr. Rodolfo” que a editora revestiu com capa celestial:

Primeiros romances. Estou firmemente convencido que a Cristina e o António vão escrever muitos mais.
















Caro Manuel Fonseca,
Como leitor assíduo deste blog agradeço-lhe as valiosas dicas e conselhos que dá. Irei certamente comprar o romance do Eça nesta nova edição. Não o li ainda e antecipo horas bem passadas com o Sr. Rodolfo (salvo seja).
Obrigado,
Um abraço Fausto
Caro Fausto, apareça sempre e esteja à vontade para comentar, criticar e fazer susgestões. Isto nem é bem um blog, é um café onde se juntam amigos. Um abraço
Isto hoje só com identidade secreta, qu’atmosfera está irrespirável… Deve ser da poólvora.
Manuel! Então puseste o Rodolfo a voar e a navegar, a ver se chega ao seu destino?…
Que bom.
Os meus desejos sinceros de boa viagem.
Fairwell!
Não será antes o incenso da Titi?
Joana, tenha piedade que hoje o Abelardo apareceu-nos com as 5 (são mesmo CINCO) chagas de Cristo!
Les jeux sont faits, cher monsieur.
Tinha que ser. Só podia ser. Bola. What else? Fui ver … e era! Ó Desditoso Abelardo mas que grande arsenal de pancada levou o seu FêCêPê … E o pior é o que dizem, não há duas sem três … Quando voltam a jogar, os pobres?
Parabéns ao António! E quanto à Cristina Boavida, a avaliar pelo seu cartão de visita (o Amo-te Teresa, do melhor que a ficção portuguesa produziu para televisão), a coisa promete…
Muito obrigado, Diogo.
Joana Maria, a menina ás vezes é uma autêntica víbora — mas eu até gosto de cobras. Comi canja de jibóia em Angola e digo-lhe: é que nem de perdiz!
E de qualquer maneira já foram as três…
António Benedito, o menino tem mesmo muito mau perder! Shame on you!
Eu também comi sopa de cobra, na China. Contrariada, sempre. Não é que aquilo seja mau: é, como diz, tipo canja! Mas eu odeio répteis. Recuso-me a entrar naquela parte hedionda do jardim zoológico que dá pelo pomposo nome de reptilário onde estão aqueles animais horrorosos todos a mais de 50.ºC e todos enormes…
Também comi dessa na Malásia, mas é meio desenxabida. Esta que eu digo era mesmo boa.
Tive um camaleão em Angola e às vezes dava-lhe canabis. Baralhava as cores, coitado.
Mas gosto imenso. E de morcegos, aranhas… os escorpiões brancos são lindos! Quase transparentes…
E as osgas? São visita de casa, no verão.
E diga-me, Joana Maria, você tem bom ganhar?
Acredito que sim, mesmo não gostando de répteis…
Ora vamos lá por partes
1 — Detesto répteis, insectos e toda essa bicharada rastejante e com patas fininhas a mexer muito depressa. Odeio baratas e escaravelhos. Em casa dos meus avós na Beira Alta havia um tanque de rega, que era a nossa piscina, e em cuja água, ao fim de três ou quatro dias parada, se enchia de uns pavorosos escaravelhos nadadores … que invariavelmente apareciam (mortos felizmente) dentro das minhas gavetas de roupa … O meu irmão e os meus primos, ao que parece, achavam divertido, os tratantes …
2 — Estou estarrecida com essas sua simpatia por esses animais todos! Que gótico, António! Até fiquei arrepiada …
3 — Tenho muito bom ganhar, e péssimo perder, mas acontece que disfarço magistralmente …
Bendito e MSF…deixando as cobras e lagartos de lado, gostei muito da capa. Ficou discreta, elegante e instigante, assim como o título.
Turmalina Minas-Novas! Seja a bem aparecida!
Ainda bem que gostou, e espero que também goste do que a capa tapa.
Tentarei colocar-lhe as mãos antes de um ano :o)
Manuel, narcisinho que eu andava prá qui e nem disse da capa belíssima que deste à Crsitina Boavida.
A G&P está de parabéns, o Ilidio, a Teresa e a Tânia e todos!
Isto está muito esquisito. Começa como Fausto, passa para Abelardo, reaparece Loupin e ressuscita Benedito. Como é que o romance do Rodolfo não haveria de ser ilegal? Mesmo sem incenso!
Gonçalo, eu continuo a achar que isto é pedrada de incenso! Deu para ver o conhecimento de causa com que o António falava do assunto …
Estes heterónimos do António são estranhos, todos eles: o Abelardo é rebuscado, e bem merece levar bengaladas do Tio da Heloísa (alguém o chame por favor), o Lobão faz lembrar o lobo mau dos Três Porquinhos (que acabou no caldeirão), o António Benedito está directamente associado aos maus intentos com que o mesmo por aqui aparece (o Fausto acho que não faz parte desta série queirosiana). Góticos.
Joana, fez-se-me agora alguma luz. Li há pouco que Abelardo, nas suas cartas, confessou descaradamente a intenção de aproximar-se do bispo Fulberto, tio de Heloísa, pura e simplesmente como meio de poder vir a seduzir a sua sobrinha, o que, de facto, depois fez (tiveram mesmo um filho ao qual chamaram, imagine-se: Astrolábio).
Diz o filósofo: «Fulberto favoreceu a minha paixão confiando-me completamente a sua sobrinha, como aluna, pedindo-me para lhe dar lições todas as vezes que, voltando da escola, estivesse livre, tanto de dia como à noite.» E, espantado com a ingenuidade de Fulberto, acrescenta: «Era como confiar um cordeirinho a um lobo faminto.»
Ora aqui está. Entre Abelardo e o lobo já temos uma ligação. Falta ver a relação com o Benedito, mas lá chegaremos…
E o Fausto não ressuscita, que se saiba…
Gonçalo, só faltou meter um filme no Youtube com essa do pateta do Fulberto.
E pior! Ele ainda pagou por cima…, é pra se ver o calibre do Abelardo.
O Benedito é um caso diferente: transmigração pura e simples, mas só a certas horas do dia. É o meu Mr. Hide.
Gonçalo, atrever-me-ia apenas a acrescentar, louvando-me na sua profunda e irrefutável análise, que o denominador comum a estes inqualificáveis heterónimos e um e só um — PREMEDITAÇÃO … do lúbrico Abelardo, do voraz Lobo Mau, do implicativo e reptilófilo António Benedito …
E pelo menos quanto a este último, ei-la, aqui supra, a evidência que faltava, a regina probarum: a confissão, espontânea, integral e sem reservas do próprio impenitente António Benedito …
Joana, eu sou um pecador orgulhoso, sem remissão, portanto…
António, agora já não concordo. Só se assume pecador quem gostaria de o não ser. Orgulhoso, por outro lado, é mais pecado de santo que intende já para o herético, enquanto acredita que a remissão depende só e apenas dele.
Tentemos, assim, a seguinte tradução: «Joana, eu sou um ateu satisfeito, sem remissão, portanto.» Olhe que ficou bem. Parece-me digno de um Abelardo (ainda que este, depois do que lhe fez o tio Fulberto, tenha tido alguma dificuldade em voltar a andar satisfeito).
Gonçalo, percebo a ideia geral mas não é verdade: prefiro ser pecador e crente, tem mais adrenalina, tipo bungee-jumping…
O furibundo Fulberto é um infundado ingrato.
António Benedito, o diagnóstico está feito, pelo douto Gonçalo: o seu caso é grave. Mas, peço-lhe, não esmoreça, não desanime (bem basta a bola…) — nós estamos aqui para o ajudar, este blog é a via segura para a sua redenção… Claro que isto vai exigir de si empenho e boa fé: acabar com os nefastos Abelardo, Lobão e António Benedito (Raposão também não serve, se estava a pensar ir por aí) … Nada de encher o blog de répteis, insectos ou outras bichezas góticas, seja sob a forma de elogio dos mesmos, seja sob a forma de cumprimento a nós dirigido… Vai ver que se sente logo melhorzinho …