Ruy de Vasconcelos, o nosso Jardel, aquele que voava entre os centrais, fez-me lembrar uma história verídica, passada nos anos oitenta do futebol de salão nortenho, actividade oficial e federada (antes das modernices do futsal), num pavilhão desportivo dos arredores de Guimarães:
O jogo está perto do fim, o cérebro do meio-campo de uma das equipas ganha a bola e o mais expedito dos atletas do seu time, um tal Rogério de barriga já uns centímetros à frente do resto do corpo torneado, lança-se em louca correria pelo flanco direito, pronto a receber o passe perfeito para salvadora finalização. “Cruza!”, grita, “Cruza!”, para que o Platini de Pevidém lhe entregue o esférico rumo à glória, “Cruza!”, sempre com o pescoço torcido para trás, a fitar o Platini enquanto corre desalmado, “Cruza, caralho!”, e bate com a testa na parede do fundo do pavilhão.
Rogério teve que ser assistido por um adversário, enfermeiro no hospital de Braga.
Esperemos que tal desgraça nunca aconteça ao nosso ponta de lança, predador africano da grande área, Manuel Saviola Fonseca.



















Confessa, confessa PMS que o Rogério é o teu alter ego futebolístico! Se queres que te diga, ri-me perdidamente, ri-me comó vernáculo cruzamento que nunca chegou.
Lembro-me do Luis de Pina que muito estimei como director da Cinemateca, boavisteiro como tu, me contar a história de um possante avançado de 2ª divisão, que num jogo da Taça, e o jogo da vida dele, enfiou 3 golos ao Boavista. Os dirigentes axadrezados contrataram-no. No Bessa, nem nos treinos o homem revelava um atómo do que no glorioso match fizera, para funda decepção dos adeptos. E havia um que, ao longo da bancada, corria para cima e para baixo, sempre em cima do jogador, sempre a gritar, “Anda, Monte”, “Corre. Monte”, “Chuta, Monte”. Já cansado, outro adepto intervem: “Ó Senhor deixe o homem, carago. E o homem nem se chama Monte, Monte o quê?”. O outro, em fúria: “Monte de merda, senhor, que é o que ele é”.
Grande, grande história, Fonseca. Eu e a Alex estivemos agora aqui a rir-nos.
Ó Manuel, essa é fantástica e aconteceu de certeza. Aqui quem mais diz —-lhadas são por norma as senhoras, seja no Leixões, no FCP ou no BFC. Aos homens restam as figuretas, como esse teu protagonista.
E então o PMS é boavisteiro! Tenho muita pena, Pedro, de ver aquele clube com tanta tradição aqui no burgo andar agora de rastos, na esteira rasca dos Loureiros das batatas. Era preciso arranjar um gajo maluco que o comprasse — mas a sério, com dinheiro.
Com o Salgueiros são baixas importantes no ânimo da cidade.
oportuno relato, pedro. também prefiro “futebol de salão” a “futsal” — q cheira a invenção de marketing. o futebol de salão é bastante difundido aqui em fortaleza, onde, de resto, situa-se a sede nacional da confederação desse esporte. quanto ao incidente, se ocorresse com o manuel, provavelmente a testada dar-se-ia numa prateleira de livros metafísicos e de seres e lugares imaginários misteriosamente postada atrás da meta. da meta mesmo, que apesar de física. nada tem de metafísica.
como vocês dizem: ri-me. [essa expressão em ênclise, “ri-me”, não se dá no brasil, nesse contexto. é comum que se diga: “achei graça” ou numa situação em q se busca mais ênfase em um círculo mais informal: ‘mijei-me de rir’].
registro ainda q como minha família por parte de pai é de origem nortenha, nutro vagas simpatias pelo sporting braga… rs
É isso mesmo Ruy! O Braga é que é! Eu próprio mudei momentaneamente para o Braga (já que o meu Porto este ano está a fazer figuras de cagão).
Quanto ao riso temos aqui uma expressão semelhante com uma subtil diferença: nós não mijamos DE rir — mas A rir…
É a mesma coisa, a bodeguice ridente é a mesma, afinal.
Quanto ao Manuel não se espante: quando bateu na prateleira caiu um imenso “in folio” na cabeça e ele ficou assim — quiçá para sempre…
Já me ri com o texto, os comentários e a analítica do risível.
Ó António, não imagina o que eu já sofri com a morte lenta do meu Boavista… quando encerrarmos e renascermos como “Boavista 2011″, serei o primeiro a fazer umas visitinhas ao norte para o ver, glorioso, nas regionais.
O meu irmão mais velho queria castrar os Loureios, para que não se reproduzissem…