As we come marching, marching in the beauty of the day,
A million darkened kitchens, a thousand mill lofts gray,
Are touched with all the radiance that a sudden sun discloses,
For the people hear us singing: “Bread and roses! Bread and roses!”
As we come marching, marching, we battle too for men,
For they are women’s children, and we mother them again.
Our lives shall not be sweated from birth until life closes;
Hearts starve as well as bodies; give us bread, but give us roses!
As we come marching, marching, unnumbered women dead
Go crying through our singing their ancient cry for bread.
Small art and love and beauty their drudging spirits knew.
Yes, it is bread we fight for — but we fight for roses, too!
As we come marching, marching, we bring the greater days.
The rising of the women means the rising of the race.
No more the drudge and idler — ten that toil where one reposes,
But a sharing of life’s glories: Bread and roses! Bread and roses!
James Oppenheim, 1911
Bread and Roses. Melhores salários e condições mais dignas de trabalho e de vida (redução da jornada diária e protecção na maternidade). Era o que exigiam estas mulheres, operárias têxteis. Na manifestação de 8 de Março de 1857, em Nova Iorque, que juntou 15.000. Na Lawrence Strike, que durou entre Janeiro e Março de 1912, no Massachussetts, e que envolveu cerca de 20.000 trabalhadores, na sua maioria mulheres imigrantes.
O Dia Internacional da Mulher foi instituído em 1910, na II Conferência Internacional de Mulheres Trabalhadoras, em Copenhaga. Há 100 anos. Surgiu como jornada de sensibilização e reflexão, de pressão e luta. Rapidamente evoluiu do plano estritamente laboral para o da igualdade e dignidade da mulher em todos os aspectos da vida. E é assim que deve ser e se deve manter. Não na versão delicodoce e quase sãovalentinizada do “feliz dia da mulher!”, bem-intencionada, eu sei, mas que me leva ao desespero…
Porque, nesta nossa parte do mundo, por todo esse mundo fora, o pão dos salários, do poder, das responsabilidades familiares, das tarefas da vida corrente não é ainda partilhado de forma justa e solidária. Porque a vida das mulheres e meninas, vítimas de discriminação, violência, exploração, sujeição e depreciação sob as mais diversas, brutais e inaceitáveis formas está longe, muito longe de ser um mar de rosas.

















Quando Mr. Orcama voltar lá da viagem a Jupiter ou anéis de Saturno onde foi, juro que trago aqui outra vez a Joan Baez. Ó se trago. Sorry, dear Ms. Vasconcelos pela críptica nota sobre post seu, e cívico ainda por cima.
Joana, não sei, é que não faço mesmo ideia da razão, mas dei por mim a pensar: será o nosso multitasking uma consequência do carácter policresto da nossa natureza?
(Quando era pequena, a minha mãe passou uma fase Joan Baez, Carole King, Billy Joel –42nd Street — ainda as sei de cor.)
Pertinente questão a sua, Eugénia.
Eu diria que somos antes de mais formatadas para o dito multitasking. É o que se espera de nós. Sucesso esplendoroso em todas as frentes. E que umas, mais que as outras, aguentam e gerem. Há as que, no limite, se habituam a funcionar em modo super-mega-hiper multitasker. O problema parece-me residir, antes de mais, no próprio multitasking que nos está reservado. No seu desmesurado âmbito e sobretudo no seu conteúdo, com tarefas e atribuições cometidas de forma em larga medida non negotiable, outras admitidas uma vez demonstrada mestria e zelo numas quantas mais alegadamente consentâneas com a nossa natureza, outras ainda permitidas ou toleradas em circunstâncias sempre muito contadas e naturalmente excepcionais. E, depois, no muito que muitas de nós se deixam condicionar por esse opressor e enganador multitasking.
O que basicamente quero dizer — e falando agora de moi - é que, pertencendo ao feliz número das naturalmente policrestas, não abdico de me dispersar e multitaskar a meu contento, em muitas, muitas coisas — todas as que quero, gosto, devo, tenho que fazer. Mas, tal como a sua Anita-século-XXI, sou eu quem decide quais.
O que vale é que este dia 8/3 está a acabar. Fico sempre insuportável.
Hoje na hora do almoço fiquei surpresa ao ser presenteada com um pãozinho e uma rosa. Tem quem ainda se lembre…
:)