Adams

As a very important source of strength and security, cherish public credit. One method of preserving it is, to use it as sparingly as possible; avoiding occasions of expense by cultivating peace, but remembering also that timely disbursements to prepare for danger frequently prevent much greater disbursements to repel it; avoiding likewise the accumulation of debt, not only by shunning occasions of expense, but by vigorous exertions in time of peace to discharge the debts, which unavoidable wars may have occasioned, not ungenerously throwing upon posterity the burthen, which we ourselves ought to bear. The execution of these maxims belongs to your representatives, but it is necessary that public opinion should cooperate.
     Washington, The Farewell Address

John Adams | Opening Titles

Quando alguém conhecido vem cá a Boston, o trabalho de casa que lhes dou é a mini-série John Adams. Pelo menos o primeiro episódio. Não é Tocqueville, mas é HBO.

John Adams foi um dos founding fathers, do reviralho. Advogado bostoniano, membro da primeira delegação do Massachusetts ao Congresso Continental, primo de Samuel Adams, foi quem defendeu os soldados britânicos envolvidos no Massacre de Boston, o que lhe granjeou fama de justo e imparcial. Depressa se aliou aos seus conterrâneos revolucionários quando entendeu que os britânicos não lhes concediam as mesmas leis e o mesmo respeito a que tinham direito os cidadãos da metrópole. Não vou contar muitos detalhes, façam o trabalho de casa; a mini-série é soberba. Adams viria a ser o primeiro vice-Presidente dos E.U.A., segundo Presidente, sucedendo a Washington, pai de John Quincy Adams, Ministro Plenipotenciário ao reino de Portugal com vinte e oito anos e mais tarde sexto Presidente dos Estados Unidos.

Boston fica mais vimaranense, o seu ar inspirador e também eu quero ser um revolucionário. Ainda assim, o mais formidável daquela luta é a colecção de homens que se juntou para fundar esta(aquela) nação. A coincidência temporal de pessoas como Washington, Adams, Franklin, Jefferson, Lafayette é de uma inveja histórica aterradora. Tomara poder viver algo semelhante. Tomara poder assistir a tamanha dedicação à causa pública, tanto espírito inovador, tanto brio e sentido de Estado.

Porreiro, pá.

Comentários a “Adams” (6)

  1. Madalena Almeida diz:

    De facto, o exemplo de Adams, o exemplo dos EUA deveria ser amplamente divulgado e quase obrigatório para as mentes brilhantes que ainda defendem a “Liberté, Egalité et Fraternité”. Vangloriam-se com estes principios e a seguir o que vemos é uma Nação que floresceu e é hoje o que é no mundo em apenas pouco mais de 200 anos e o estado lastimável a que chegou a europa constituida por Países com mais de 1000 anos de história. Como refere e bem Henrique Raposo, na sua coluna do expresso “O modelo socialista/social-democrata/democrata-cristão, centrado na caridade do Estado e na subalternização do indivíduo, está falido, e brinda-nos com recessões de quatro em quatro anos. Basta ler “O Dever da Verdade” (Dom Quixote), de Medina Carreira e Ricardo Costa, para percebermos que o nosso Estado é, na verdade, a nossa forca.” É esta a diferença entre os EUA e a Europa, a velha Europa. Não poderemos aprender nada? Talvez! Caso, o Plano de Saúde de Obama (a 1ª tentativa de impor o socialismo a sério na América), não passe, mais uma vez o povo americano dá uma lição aos europeus que se julgam superiores. O povo americano não quer um estado a gerir a sua vida. O americano preza a livre iniciativa e não se deixa subalternizar. Eu conheço bem os EUA, de visita é certo, mas nos vários estados em que já estive dá para ver a diferença de mentalidade. É por essa razão que o primeiro País que eu iria se pudesse era para os EUA.

  2. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Lá terei de ir desgraçar-me para a Amazon..

  3. José Navarro de Andrade diz:

    O passado parece sempre mais glorioso que o presente e tendemos a achar que o mérito dos homens é anterior às circunstâncias em que se revelou. Claro que esta geração foi uma plêiade capaz de construir um dos dois momentos mais fulgurantes da modernidade (o outro foi o heliocentrismo, digo eu). Mas eu diria que a geração do 25 de Abril não foi meno decisiva, à nossa escala: Sá Carneiro, Mário Soares, Cunhal, Zenha, Balsemão, Amaro da Costa, Sampaio, Constâncio, Cavaco, et all. Foram eles que impediram a Democracia dedescambar nos desmandos da república, no revanchismo ultramontano nortenho ou nos delírios terceiro mundistas. Visto já a esta distância é obra. E no entanto, pareciam homens banais — tal como os funding fathers.
    By the way: a série é de facto magnífica, mas “impassável” numa TV europeia. I know what I’m saying.

    • Concordo plenamente e a primeira frase acerta na mouche. Não queria, de modo algum, que transparecesse como provincianismo. Ainda assim e mesmo que não houvesse mais nada, o simples facto de Washington ter saído no fim do mandato revela algo de majestoso.

      Já agora, para leigos nestas coisas e se não incorrer na divulgação de trande secrets, porquê impassável?

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