
Lucio Fontana, “Concetto Spaziale”, 1959
Nos dias em que me encontro mais toldado ou assim me acha quem de mim se atreva a aproximar, nesses dias sou em todo e tudo, tela de Lucio Fontana. Indícios de cólera só para espantar os menos afoitos ou para mobilizar a tropa em ordem de marcha quando lhes dá para arrastar os pé. Ou, como iam avisando os campinos quando corriam o gado de corno bravo do bairro para o campo: “fuge diante por mór dos bois!”
Assustam umas facadas no amarelo? Estou só a avisar.

Ugo Rondinone, “Hell, Yes!”, 2001
Quando é bom pode ser ao som do “This Tornado Loves You” da Neko Case; quem diria que na pop haveria bálsamo para os meus sulfurosos humores.
E o céu está limpo; de preferência calor – olha! pendurou-se-me um daiquiri na mão esquerda!
Não é necessário que as cores sejam muitas, só é preciso que estejam bem iluminadas. São dias em que há grande prazer em dizer que sim, senão a tudo, pelo menos ao maior pedaço do que se me oferece. Não ter nada para fazer ajuda muito, dá mais sim ao sim.
Querem mais do melhor e do pior? Então perguntem ali à Belatrix da Professora Joana.

















Se bem que Argentino, foi também um grande Milanês, o Fontana dos teus dias de pega.
A Neko, não conheço. Vou agora aqui ao lado saber quem é.
FUGIU, FUGIU, FUGIU À RESPOSTA! QUERO, NÃO A PINTURA, MAS O LIVRO AMARELO!
Venho por este meio convocar todos os ocupantes de campas deste cemitério e seus visitantes mais mortos que vivos — Orcama, António Eça, Turmalina -, e todos os que considerem ter já um pé para a cova, para que assinem este protesto, de forma a obrigar — sim, obrigar, aqui usa-se de verbos banidos pela higiénica do social!- JNA a apontar o herói e o vilão que esconde, sabem ele e Deus porquê.
Eugénia de Vasconcellos
Eu gostei do texto e do quadro esfaqueado (sobretudo por ser amarelo, cor que muito me desagrada …)
Mas acho que fugiu ao tema
Para além de que sempre ganho algum tempo enquanto passo e não passo …
Com que então os julgamentos agora são por petição. Apalpo-me e constato que ainda tenho a cabeça presa ao pescoço; vá lá, ainda não estou no cadafalso, embora já tenha sido lavrada a sentença sem ter sido escutado nem inquirido.
Em minha defesa, se tal for por vós aceitável, tenho dois documentos:
No dia 18/2 a Sra. D. Vasconcellos desafiou:
“Quem é que responde por si quando se assanha? Pode escolher de um filme, de um livro, da banda desenhada, lailailai, de onde que quiser, logo que seja público. E não há nada que impeça que a sua menina má seja um rapaz mau.“
Ea a Sra. Professora Vasconcelos reiterou:
“Fantástica, mais esta ideia da Eugénia. Que cada um, à vez, revele o seu dark side. E também o seu bright side.“
Confesso, ai de mim, que achei graça à ideia e pus-me logo a executá-la. Na suposição, agora vejo que estulta, considerei que poderia escolher (“de onde quiser, desde que seja público”) duas obras de arte para “responder por mim quando me assanho” e quando me ilumino, para assim “revelar o meu dark side” e o meu bright também.
Estiquei-me? Estiquei-me. Fugi? Não fugi. Posso sempre pôr umas baias…
Uma vez confessado o esticanço, perdoe-se a fuga.
E prontos. Acabou-se. So much for a little extra time.
Lá vou eu à procura do meu bright side …
Até mais logo.
a vossos pés me prosto, atordoado com tão lauta magnanimidade
Eugénia,
eu assino já, a tinta grossa!
Apesar de recear o vilão das facadas de JNA,
que já me parece baste temível, mesmo sem nome ou se calhar por isso mesmo.
Mas aposto que o herói dele vai dizer Hello, Yes!, e virá aqui apresentar-se menos disfarçado, prontamente à nossa frente…Yes?
As facadas me preocupam um pouco, mesmo assim de forma bem discreta coloco meu nome lá no final da lista. Afinal acho que já coloquei o pé na cova também.
Eu?… bem, a esta hora já vogo brandamente nas asas de Morfeu… não vi nada, não sei nada, não ouvi nada…