Em 1991, “Mediterraneo” ganhou o Óscar para o melhor filme estrangeiro. Nem o próprio realizador, Gabriele Salvatores, queria acreditar. Sobretudo porque o outro contender sério ao prémio, era o maravilhoso “Rise the Red Lantern” de Zhang Yimou. Talvez os americanos não tivessem ainda percebido o que estava a acontecer ao cinema chinês. Ou talvez porque percebem melhor tudo aquilo que lhes traz à memória a guerra na Europa ou as aldeias de onde muitos deles provêem e emigraram. Ou talvez apenas pelo facto de “Mediterraneo”, causar no espectador uma momentânea mas enorme vontade de largar tudo, fugir para uma ilha grega e esconder-se lá para o resto da vida, dedicando-se a actividades como a natação, a pintura e o namoro de belas aldeãs, ou entregando-se preguiçosamente às delícias do sono e da filosofia, tudo envolvido no fumo de vaporosas cachimbadas turcas.
Encontrei o filme a semana passada numa edicola de esquina, enquanto comprava o jornal de Sábado. Tinha-o visto na altura em que saiu em Lisboa, em óptima companhia, no cinema Mundial se a memória não me atraiçoa. Ontem, tendo chegado a meio deste gélido inverno já com enormes saudades do calor, soube bem aquecer, por instantes, com a luz azul do mar Egeu, com o pó de uma terra onde parece ser sempre Verão, com o humor inocente de oito bravi ragazzi Italiani, mas também e sobretudo com a estrepitosa temperatura da belissima Vassilissa.















Gosto de Mediterraneo, mas amo de paixão Lanternas Vermelhas!!! E hoje, aqui nos trópicos, queremos mesmo é um clima mais frio, pois estamos derretendo, sem toda aquela beleza e poesia sensual dos paraísos tropicais.
Vasco, que bem regressado. Ainda por cima com uma referência ao meu Zhang Yimou. Não sei porque é que o PMS nunca falou dele nem do meu rico Wong Kar Wai.
Wong Kar Wai, dos ” Anjos Caídos” e outros. Mediterrâneo é um excelente filme, muito subvalorizado.