Um poema para um pacto

Fotografia de Imogen Cunningham

DESDE O OSSO ATÉ AO OSSO
Bem vês.. é já muito tarde para despedidas.
Podemos inaugurar um silêncio tremendo
como o que se sucedeu à feitura do mundo,
porque dizer adeus, requer que saibamos ser
um sem o outro, um sem a memória do outro,
e essa página de esquecimento não existe
no livro da vida, lá, onde nos conhecemos
desde o osso e até ao osso, desde a escuridão
do pó onde se tece a matéria até à voz do riso.
Inauguramos, então, um silêncio tremendo,
mas diariamente, farei como sempre, como no tempo da fala,
o caminho de sempre:
de lanterna acesa para alumiar o longo corredor estreito,
abrirei, ao fim, os portões altos
para escoar a noite nas asas das primeiras aves,
até aos limites da aurora.

Comentários a “Um poema para um pacto” (20)

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    EV (apetece-me hoje tratá-la só por iniciais),
    não sei porquê o seu belo poema fez-me lembrar uma oração mágica finlandesa para estancar o sangue das feridas. Traduziu-a (se assim se pode dizer) o poeta HH n’ O Bebedor Nocturno.
    Cito os últimos versos:


    Pára, sangue, de correr
    sobre a fria terra morta.
    Não corras, leite, no chão,
    sangue inocente no vale,
    beleza humana entre a erva,
    oiro de heróis na colina.
    Desce fundo ao coração,
    bate surdo nos pulmões,
    desce, desce fundamente
    aos órgãos vivos do corpo.
    Não és rio que se escoe,
    nem calmo lago parado.
    nem fonte que brote assim,
    nem barca velha com rombos.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Obrigada, Manuel Fonseca, e pelo poema oração de que gostei tanto — tem uma palavra para juntar às que estou a coleccionar para o nosso PMS.

  2. Abelardo diz:

    Lindo! E a foto é fantástica.
    A oração do HH também canta, Manuel, e que bem.

  3. António Eça diz:

    Cruzes, esqueci-me de mudar de personalidade…

  4. TiodaHeloísa diz:

    Ah! Abelardo, meu grande sacana. Desta vez é que te apanhei. Agora já sei o teu nome, já não te podes esconder. Vou mandar os meus esbirros atrás de ti, ó Abelardo Eça, e hás-de pagar com as tuas carnes o que fizeste à minha pobre sobrinha.

  5. TiodaHeloísa diz:

    Ómeça! E como´quer a Eugénia que eu lhe arranque a pele com bengaladas?

  6. António Eça diz:

    Orcama, deixe-se de fitas…Primeiro o que fiz à Heloísa é entre mim e ela; e depois, com algum esforço, é sempre possível arrancar pele à bengalada. Já fiz, por isso sei.
    Mas vejo que desconhece a técnica… Eu digo-lhe: é assim de raspão e a alta velocidade. Se acertar sempre no mesmo sítio ao fim dum bocado a pele salta…

    • Orcama diz:

      Euuué?! A eça hora estava eu a tentar abrir a sout, do modo que me recomendou, o que não esteve nada fácil… Além do mais, isso é la hora para andar às bengaladas a alguém?
      Quem, aqui pelo bog, inflige esse género de mimos não costumo ser eu… Ah, não sabe? pode perguntar a Manuel “(já)Supliciado” Fonseca.

  7. Orcama diz:

    Dilecta Eugénia de Vasconcellos,
    O seu poema — o seu muito belo poema — ao contrário do que o título pode prenunciar não é, assim o leio, um círculo fechado. É todo um programa de ilimitada felicidade.

    Até o atribulado Abelardo lhe não resistiu e, lá da cova escura onde seu estro repousava, ainda persiste em abrir os portões altos de Heloísa. Aqui, alguém quis fazer-me entrar de tio, eu, que só tenho jeito para padrinho e que não tinha entrado na história…

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Orcama, não me venha cá vandalizar o poema com abelardices que eu chamo a Joana e ela diz-lhe: Orcama Manuel!, enquanto eu: ai ai!, veja lá não se desgrace!

  8. António 'Drako' Eça diz:

    Insisto: deixe-se de fitas que ‘eça’ história não pega!

  9. Orcama diz:

    Não sei o que se passa hoje que anda tudo aos gritos e aos boldes. Nem os itálicos descansam…
    Eugénia de Vasconcellos, “…farei como sempre… o caminho de sempre” não usando o seu apelido no vocativo, mas brandamente lhe direi: o meu comentário — propriamente dito — restringe-se ao primeiro parágrafo.
    O resto? No que ao resto respeita, ‘eça’ parte terá de a dirimir com “drakoniana” personalidade, nem que seja à bengalada… não já, mas mais tarde, pois suponho-a em pleno voo para Alvalade 21, e depois — incógnita — não podemos ainda prever qual o seu — dele — mood. Aguarde que eu lhe dê algum sinal, não vá desafinar-lhe os instrumentos e o voo de regresso é nocturno e o tempo está mau…

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Estimado Orcama: retiro, então, as acusações de vandalismo que sobre si pendem. Está, não inocente, que esse estado é incompatível com o género masculino, mas perdoado pelas acções que me induziram em erro de avaliação.

  10. Orcama diz:

    Compreensiva Eugénia de Vasconcellos:

    O seu lado azucrinador, as hipotéticas bengaladas, e o que demais entender, deixe para depois. Temo pelo regresso a terras Durienses…

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Estou em choque! O que tenho eu que ver com as bengaladas com que o Tio da Heloísa pretende arrancar a pele a Abelardo?! Quanto ao resto: este post está isento de azucrinanços e regressos Durienses.

  11. Orcama diz:

    Assim seja.

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