Dou por mim à procura de sons “lá fora” que cantem Portugal, Lisboa, Porto, Coimbra, o Algarve e por aí fora. “Lá fora” ou, melhor dizendo, fora do mundo lusófono, e aí é que está a dificuldade do exercício. É que não me ocorre quase nada. Para além do histórico álbum Amigos em Portugal dos Durutti Column em 1983 (ainda assim, editado “cá dentro” pela Fundação Atlântica de Pedro Ayres de Magalhães e Miguel Esteves Cardoso), e de algumas referências à “Saudade” – entre as quais o fabuloso tema instrumental com esse título dos Love & Rockets gravado em 1985 -, parece mesmo que os compositores e letristas não lusófonos pouco ou nada se interessam pelo que se passa por cá.
Mas, para além dos parcos exemplos apontados, há ainda uma honrosa excepção. Honrosa por vir de um destacadíssimo representante da cena indie/folk/psicadélica americana, Devendra Banhart, song-writer com aparência de Cristo, parceiro musical de Antony em I Am a Bird Now e autor ele próprio dos aclamados Rejoicing in The Hands e Cripple Crow. Honrosa ainda pela localidade que mereceu a atenção de Devendra: não os luminosos palcos de Lisboa ou Porto mas, imagine-se, Santa Maria da Feira. E não se pense que é uma qualquer Santa Maria da Feira fundada por emigrantes portugueses na Venezuela (onde ele, nado em Houston Texas, foi criado). É mesmo a nossa, o homem explicou bem que foi uma homenagem a um concerto inesquecível que lá deu na Exponor. E desenganem-se ainda aqueles que julgam que só pode ser uma peça menor no seu reportório: longe disso, é mesmo uma das pérolas de Cripple Crow e da sua já considerável discografia (embora não cantada na sua língua habitual, o inglês, mas em espanhol). Ora ouçam lá para tirar as dúvidas.
















Parece que a história que José Calvário contava, e que Paulo de Carvalho continua a contar, é verdade: Sinatra esteve a um passo de adaptar e cantar “E Depois do Adeus”. Mas nunca se atreveria a fazê-lo em português (mesmo quando se lançou, de forma sublime, a Jobim, cantou no seu inglês de Yonkers). Mas é uma garimpeirice muito interessante, Diogo.