Orgulho

Pablo Picasso, Blue Nude

O orgulho é o meu pecado. O mais profundamente enraizado em mim. O que tem tudo a ver com aquilo que me define. Para o bem e para o mal.

O orgulho nasce da consciência que temos das nossas capacidades e do nosso valor. Do que gostamos de nós e do que confiamos nos nossos talentos. Tem um lado luminoso, de força, confiança e determinação que muito me agrada. E um lado escuro, de vaidade, arrogância e dureza de coração que, levado ao extremo, faz dele o primeiro e o pior dos pecados, fonte de todos os demais, dizem os teólogos. Porque envolve a exagerada valorização de si próprio e a recusa e o rebaixamento do outro. É o pecado de Lúcifer e de Eva, que desafiaram o próprio Deus. E é um pecado especialmente insidioso, por ser porventura aquele em que é mais ténue a linha que separa o que é aceitável e legítimo do que é reprovável e inadmissível.

É o orgulho que me faz manter a dignidade e a compostura diante da adversidade. Não me render, por mais desigual que seja a luta. Atingir tudo aquilo que me proponho, porque sei que sou capaz. Fazer sempre o melhor que posso e que sei. E saborear o merecido e incomparavelmente sweet taste of victory or success, conforme o caso.

O lado mais sombrio do meu orgulho chama-se auto-suficiência. E consiste na convicção de que resolvo sozinha os meus problemas, que consigo fazer tudo só por mim, que aguento, resisto e “cá me arranjo”. Sem ajuda. E sem que se saiba. Comigo, oficialmente, tudo está sempre bem: raros são os que alguma vez me não viram alegre, bem disposta, solar.  

Ora, isto é mau. Muito mau mesmo.

Porque é uma forma suprema de falta de humildade. Pedir ajuda é revelar fraquezas e insuficiências. É mostrar-nos tal como somos, mas não gostamos que nos vejam. Torna-nos iguais àquelas pessoas pesadas que se lamuriam e queixam o tempo todo. Para as quais não há paciência. Aceitar ajuda coloca-nos nas mãos do outro. E isso torna-nos vulneráveis e dependentes. E obriga-nos a confiar e a acreditar que tudo correrá bem, apesar de feito à maneira dele e não à nossa.  

E porque é também de uma enorme injustiça para com aqueles que gostam de nós. Família, amigos, colegas, vizinhos. Que mantemos à distância, fora do reduto mais íntimo do que nos preocupa e nos magoa. Que não deixamos que façam verdadeiramente parte da nossa vida. E que, pior, muito pior, chegamos a  recriminar por situações que só nós criamos, acusando-os de não perceber, adivinhar ou intuir aquilo que tanto afinal nos esforçamos por deles ocultar.  

Vencer a tentação da auto-suficiência torna-nos mais verdadeiros e reais, aos olhos do mundo e aos nossos próprios olhos. Permite-nos desfrutar melhor a vida, porque a solidariedade do outro torna mais leve o fardo que nos esmaga. E abre-nos à gratidão, um dos sentimentos que mais prezo e valorizo.    

Requer humildade, simplicidade e entrega. E por isso é tão difícil.   

Mas é um esforço que vale a pena. Porque nada doi mais do que sofrer só. Orgulhosamente só.

Comentários a “Orgulho” (54)

  1. nini diz:

    Sinta-se orgulhosa do seu texto, Joana. Só um profundo humanista escreve assim; e deixe-me plagiá-la por favor: Liiindo!!!

    • Joana Vasconcelos diz:

      Muito obrigada Nini, ainda bem que gostou! Foi um óptimo desafio o seu e achei fantástico ter sido o seu o meu primeiro comentário!

  2. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Gostei muito, Joana.

  3. Vasco Grilo diz:

    Já com a Ira a consumir-me a alma, confesso que gostei muito que aqui tenhas vindo pecar de forma tão inspirada.

  4. pedro marta santos diz:

    Tem toda a razão, Joana, quando aponta as razões para este ser, talvez, o pecado mais insidioso. E um de que padeço particularmente, até atingir por vezes a mera e inútil estupidez.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Todos nós, Pedro. E é justamente por ser um pecado tão arreigado na forma como nos construimos e nos mostramos e tão dubiamente valorizado neste nosso tempo que me fascina e me dá sempre que pensar.

  5. Orcama diz:

    Mas que confissão. Admito, e admiro, um auto-conhecimento assim. Mas agora, a cada atributo do orgulho contrapesá-lo com auto-contenção e contrição, faz de si uma santidade cara Joana Vasconcelos. Mas, nesse patamar, já cá tinhamos a sua homónima…

    Gibran Kahlil Gibran, escreveu:
    “E soprou nela um amor
    que a abandonaria
    no primeiro suspiro de saciedade
    e uma meiguice
    que a abandonaria
    à primeira manifestação de orgulho”

    pois, como disse Pessoa:
    “compreendo que alguém seja orgulhoso;
    não compreendo que mostre sê-lo”

    Acabo por ficar a pensar que o seu auto-apregoado orgulho se esvairá todo em bonomia, ao primeiro bondoso reparo.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Olá sempre gentil Orcama, gostei muito das suas simpáticas, se bem que manifestamente exageradas, palavras. Só mesmo o bondoso e complacente olhar de um padrinho para ver santidade e contrição onde elas manifestamente rareiam. O lado bom do orgulho – mas ainda e sempre orgulho – faz com que gostemos muito de nós e de tudo o que é bom para nós. Como a prática de uma certa humildade por contraposição à auto-suficiência. Como acolher sempre com gosto e alegria todo e qualquer “bondoso reparo”.

      O poema é lindo, embora ache que o poeta não tem razão.

      PS1 – Pelo seu sagrado Borges, compare-me com todas as Joanas que lhe ocorram, santas e pecadoras, presentes e pretéritas (segue lista em PS2), todas menos aquela tonta e enervante donzela de Orleans …
      PS2 – Santa Joana Princesa, Santa Joana Francisca de Chantal, Joana a Louca, Juana la Jesuita, Jane Austen, Jeanne Hébuterne, Joanne K Rowling, Santa Gianna Beretta Molla… se precisar de mais, eu mando…

      • Orcama diz:

        Cara Joana Vasconcelos,
        Não fiz, nem pretendia, qualquer comparação com qualquer nome próprio. Referia-me somente ao apelido. E isso para dizer que o lugar de santa, no blogue, já estar ocupado… Não vamos entrar como naquela de outro dia relativa a minhota. Atente nos comentários até hoje postados.

        Quanto a Borges, e neste contexto, não encontro nada para si. Mas deixe lá, ele tem tantas que alguma parecerá. Promessa de padrinho.

        A propósito do outro post lá mais detrás: Sim aquilo são bagas de café maduro e monangambé, uma adulteração sonora de monangamba, é uma palavra composta de mona= menino, garoto, rapaz, criança, filho e de ngamba=carga. Teremos pois como significado literal rapaz de carga ou carregador.

        • Joana Vasconcelos diz:

          Olá Orcama

          A culpa desta confusão é evidentemente da Pucelle — que já por ai apareceu em dois posts — e que me deixa transtornada. E sua, porque as santas não são conhecidas pelos apelidos, mas pelos nomes, os apelidos são só para distinguir.

          Muito obrigada pelos esclarecimentos. Vou ouvir e ver outra vez o clip.

          • Orcama diz:

            Eu também não acho que ela seja uma santinha, mas se há quem a trate assim… De todo o modo é uma precedência com carácter consuetudinário que eu, pelo menos, não pretendo questionar. Ajoelho-me e aquiesço…

  6. António Eça diz:

    Joana, sem saber deu cabo de mim. Estropiou-me um momentâneo futuro — virá a perceber porquê, garanto-lhe.
    Parabéns pelo seu texto, só diz verdades.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Obrigada, António. Estou certa de que por esta hora, já está ciente do quanto este meu texto contribuiu afinal — ainda que por ínvia e tortuosa maneira, que só o nosso desmedido optimismo permite apreender – para um feliz desenlace desse seu misterioso “momentâneo futuro”…

  7. Turmalina diz:

    Primeiro foi a gula..prontamente me identifiquei…apesar de querer evitar identificações depois de ler o texto do Ruy.Só que agora, sendo bem honesta nas minhas reflexões me vejo ceder ao orgulho algumas vezes.Normalmente sou aquela meiguice toda, mas é que de vez em quando me bate um vento…

    • Turmalina diz:

      Ah…em tempo…estou curiosa para saber quem escreverá sobre a Vaidade!

      • Joana Vasconcelos diz:

        Olá Turmalina. Acho que ao longo dos próximos dias e posts nos vamos todos identificar, tanto com os pecados (estou certa), todos tão à nossa medida, como com as virtudes (espero)…

        A vaidade, porque é toda ela orgulho (soberba, como diziam os antigos) está aqui. Tratei-a não tanto como a vaidade (em regra infundadamente associada às mulheres) da beleza física, a deslizar para a futilidade e a superficialidade, mas como a vaidade ligada à imagem – de competência, eficiência, sucesso em todos os planos — que construímos e projectamos para fora. E que muito resistimos a abandonar, mesmo em momentos de dificuldade e sofrimento.

        • Orcama diz:

          Cara Joana Vasconcelos,

          Acho que Turmalina levantou uma, para mim, pertinente questão.

          Consultando estes sítios fiquei com dúvidas sobre o que diz:

          http://pt.wikipedia.org/wiki/Pecado

          http://pt.wikipedia.org/wiki/Pecado_capital_%28cristianismo%29

          Pode esclarecer-me, quais são afinal os pecados em versão actual e definitiva?

          • Joana Vasconcelos diz:

            Com todo o gosto, estimado Orcama.

            O elenco dos pecados, tanto quanto apurei (e resulta desses seus links) foi variando. Uns foram suprimidos (como a melancolia) outros fundidos/assimilados. Creio que foi o que aconteceu com o orgulho e a vaidade, hoje são ambos sinónimo de soberba.

            Os outros: inveja, gula, ira. luxúria, preguiça e avareza.

        • Turmalina diz:

          Hummm…no meu humilde entender a vaidade vai um pouco além do orgulho. Acho a vaidade mais egocentrica, ela depende intrinsicamente do olhar, aprovação ou admiração do outro. Enquanto que o orgulho pode ser uma opção solitária, não são todas as pessoas que externam tal pecado.O orgulho muitas vezes ocultamos, mas acho que com a vaidade isto é impossível, ela não sobreviveria. Se os pecados podem ser relativos, imagine então suas definições.
          E Orcama…pelo que li agora já são 15…haja pecado!!!
          Se for procurar o que escreveram São Gregório Magno e São Tomás de Aquino, aí a lista das decorrências dos pecados vai longe: http://www.voltaparacasa.com.br/os_sete_pecados_capitais.htm
          Não sei se gostei mais da Jactância ou da Afetação das novidades…ai, meus sais!!!

          • Orcama diz:

            Penso que os 15 — em lista não restritiva — serão vícios, dos quais alguns terão sido elegidos em pecados de acordo com determinado critério — não fixo, já muito antigo e talvez a precisar de actualização. Sendo a Igreja Católica uma estrutura hierarquizada, não encontro evidência de uma aprovação papal a tais listagens, como desconheço se para os Cristãos não Católicos a lista de pecados será a mesma.
            Acresce esta dúvida: como pode S. Tomás alterar — com força de lei — a lista de Gregório que além de santo foi papa?
            Com imodéstia, penso ser uma boa questão para Joana Vasconcelos se pronunciar com a sua consabida precisão e concisão — entendida como já deu mostras de ser nestes domínios teológicos.

            • Joana Vasconcelos diz:

              Terríveis Turmalina e Orcama, a isto chamo eu tentação! Questionar uma vírgula que seja ao que eu defini como doutrina, sugerir alguma falha ou omissão nas minhas premissas e, cherry on top of the cake, apelar aos meus profundos conhecimentos teológicos e afins … eis o caminho certo para publicamente me desgraçarem! Porque eu simplesmente não resisto — a demonstrar que estou certa. no todo ou em parte, que é assim, embora possa ser também de outra maneira, a exibir-me em toda a linha … sempre com humor e em tom ligeiro, mas sem ceder um milímetro. É isso o orgulho, a vaidade, a soberba — em todo o seu terrível esplendor. Controla-se, mas não se domina. Disfarça-se, mas não se vence. Desde logo, porque não se quer… Eu bem que avisei lá em cima no texto!

              Quanto à resposta propriamente dita, fica para mais logo: agora tenho de ir, pois já se sabe, primeiro o dever, depois a devoção …

              • Turmalina diz:

                Joana, espero que na sua volta eu escape à fogueira, assim como o colega Orcama…rsss…

                • Joana Vasconcelos diz:

                  Turmalina, mas qual fogueira! Como é que eu ia viver sem os vossos sempre simpáticos e divertidos comentários e companhia? O mais que eu posso é massacrar-vos a paciência a tentar convencê-los de que estou certa ou a evidenciar-me de qualquer outro modo … ;)

              • Orcama diz:

                “Joana, despe-te dessa veste pintada de que és tão orgulhosa
                e que não tinhas quando nasceste! E enverga o manto da Pobreza.
                Os caminhantes já não te saudarão,
                mas ouvirás cantar no teu coração todos os serafins celestiais“
                Omar Khayyám: Rubáiyát 154, trad. E.M.Melo e Castro (adaptado por mim, pois então!).

                • Joana Vasconcelos diz:

                  Lindo, as always, o poema seleccionado — enquanto tal. E a adaptação, excepcional!

                  Mas, prezado Padrinho, trocar o orgulho pela pobreza? Não me parece. Ou me arranja uma virtude menos radical, ou continuo soberbamente aferrada ao meu vaidoso orgulho!

  8. António Eça diz:

    Joana: agora que falou nisso também fiquei cheio de optimismo.
    Vou optar pela misteriosa interacção entre universos paralelos e divergentes — se me faço entender.

  9. CNS diz:

    Este seu texto tem a rara capacidade de nos fazer espelhar na transparência das suas palavras. Os meus parabéns.

  10. Manuel S. Fonseca diz:

    Joana, estive a ler com toda a atenção. Quando se fala do que, entre pecados e virtudes, escolhemos aqui falar, o território é armadilhado. Tão depressa estamos a falar deitadinhos no divã, como começamos a roubar pontos ao que agora se chama auto-ajuda e, no Elmer Gantry de Richard Brooks, era pura motivação e triunfo da vontade. Quem me dera a mim ser o que lá era o Burt Lancaster! E foi assim, que estive a ler, com toda a atenção o que a Joana escreveu. Revi-me em quase tudo o que diz, com a necessário corolário moral que, se desvia do seu: sou orgulhoso, mas não o suficiente. Não tenho de vencer a tentação da auto-suficência, tenho é de a reforçar. Sei que é feio, mas hoje deu-me para esta auto-complacência. O que em nada diminui o real fascínio por pessoas que amo, com quem trabalhei ou que me servem de referência. Será que estes contrários se podem casar?

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Está possuído pelo espírito do demo, MSF?! Então queria ser Elmer Gantry?!

      • Manuel S. Fonseca diz:

        Hello, Sister Falconer!

        • Eugénia de Vasconcellos diz:

          Sister Falconer, pois sim.. eu não me importo que a sua ruindade vá parar ao inferno. Au contraire, acho lindamente.

          • Manuel S. Fonseca diz:

            Ruindade minha?!!! Valha-me Deus, vê-se que ainda não leu Santo António, mais acima, sobre a humildade. O meu orgulho é só sinal de humanidade — a humildade como o sábio provou só está ao alcance de santos.
            E a Sister Falconer, espero que não tenha levado a mal, é stuff de Jean Simmons a cuja doçura já publicamente me rendi.
            Está a ver: só bondade. E orgulho, claro.

            • Eugénia de Vasconcellos diz:

              Não se faça de novas: quem quer ser EG tem que ser ruim! E sei bem que a Jean Simmons é toda em torrões de açúcar, e do que é que lhe serviu? Ardeu, foi o que foi.

              E li o nosso Santo António. Logo fresquinho.

              • Manuel S. Fonseca diz:

                Lovely Sister da Sardenha, posso falar ao seu ouvido, só para o seu ouvido, e em inglês? Então ouça:
                I have here in my pocket — and thank heaven you can’t see them — lewd, dirty, obscene, and I’m ashamed to say this: French postcards.

                • Eugénia de Vasconcellos diz:

                  Encantador Manuel Fonseca, posso responder-lhe lailailailai, e em inglês? Então ouça:

                  “Sin, sin, sin! You‘re all sinners! You‘re all doomed to perdition!”

                  (E se eu soubesse pôr o texto em bold nos comentários, também o punha!)

                  • Eugénia de Vasconcellos diz:

                    E agora vou-me embora que o Elmer Gantry me faz ânsias!

                  • Joana Vasconcelos diz:

                    Ora aí está uma coisa que muito me interessa — o bold, que o MSF passou a semana toda a exibir nos seus comentários e que suscitou a minha imediata cobiça. Confesso que fiz umas tentativas mas a coisa correu mal. Mesmo.

                    • Manuel S. Fonseca diz:

                      Joana, não sei se lhe revele o segredo do bold. È um dos meus motivos de orgulho!

                      ps — ah, a ausência de comentários, e a presença apenas com serviços mínimos durante esta semana deve-se a forçada pausa quase sabática. Vou continuar em regime de grande irregularidade

                    • Joana Vasconcelos diz:

                      Ande lá, seja bonzinho. Ou então, orgulhoso já confesso, exiba os seus dotes de escrevedor a bold e aproveite esta oportunidade única de impressionar V & V

    • Joana Vasconcelos diz:

      Olá Manuel, e eu que me tinha convencido de que não lhe agradara o meu texto! Gostei da atenção que lhe devotou e fico contente, por si, por se ter revisto nele: impenitente continuo a achar que o orgulho, em doses bem medidas (e porventura temperado com outras virtudes) é uma grande qualidade.

      Em todo o caso, fique sabendo que:
      1 – Desconfio de divãs e auto-ajudas desses que fala: a única via de auto-conhecimento a que dou crédito chama-se oração e nesse campo estou (e suspeito que estarei sempre) muito aquém dos mínimos celestes
      2– Tive que ir ver quem era o tal Elmer Gantry (eu bem avisei o Diogo de que seria um crasso erro de casting neste blog de cinéfilos). Agora já sei (e a Sister também)
      3 – Se a sua auto-suficiência não atinge níveis críticos, porquê reforçá-la? E logo sob a forma de tentação? Em todo o caso, beware, que a auto-complacência é, também, uma forma de orgulho: palavra de especialista
      4 – Casar como em casamento? Admitindo que sim, há quem advogue a chamada atracção dos opostos como segredo de um casamento feliz. Por não ser especialista na matéria, antes, como diz a EV, au contraire, não me pronuncio. Limito-me a felicitá-lo por se ter finalmente decidido a dar esse grandioso passo …

      • Eugénia de Vasconcellos diz:

        A atracção dos opostos tende a acabar mal, e não é só no Elmer Gantry. A simetria entre dois complementares um do outro é que faz o amor feliz.

        • Joana Vasconcelos diz:

          Olá Eugénia, soubéssemos nós fazer os bolds e este seu certeiro comentário ficaria gordo e a vermelho, tipo reclame para os incautos lerem e meditarem antes de se irem a correr espetar…

  11. Manuel S. Fonseca diz:

    Agora tenho de ir ler os jornais para saber do que é o PMS andou a escrever no post “a Crise”. Mas hei-de voltar a re-comentar a Joana no que acima diz. Agora, sobre casamentos e amor, lamento, mas vou ter que orgulhosamente demonstrar às maninhas Vasconcel(l)os a minha expertise: só é amor o amor que se desconhece!!!

    • Joana Vasconcelos diz:

      Fico à espera do prometido recomentário. Quanto à expertise, agradece-se post expositivo e demonstrativo da extravagante tese.

  12. Que bom que é acordar cedo num Domingo de chuva e decidir visitar este fascinante cemitério.
    Sinto-me muitas vezes uma vampira a beber o sangue da vossa prosa, a apreciar aqui a delicadeza de uma falange, ali a brancura de uma dentadura sem implantes, ou a curva de uma testa e imaginar-lhe a linha do cabelo.
    Passo dias sem cá vir, mas quando o faço, gosto tanto do que vejo e do que leio, inspira-me tanto, que me distraio e quando vejo que o sol está a nascer, parto apressadamente para outros afazeres, sem nada dizer. Sem sequer agradecer. Como uma vampira. Mas não é justo e por isso aqui fica um Muito Obrigada a todos.

    E gostava de dizer à Joana que me identifiquei completamente com este seu orgulho e que me orgulho do meu, incluindo a componente de auto-suficiência. Pois não será que ela encerra em si a virtude da generosidade, que se pode traduzir por não dar trabalho nem preocupações aos outros? Pode alguém ser gente se não tiver o mínimo de orgulho em nada de si?
    Os extremos tocam-se e aqui misturam-se. Têm de misturar-se. Não será a nossa essência feita de um certo ou incerto equilíbrio entre as doses de pecados e de virtudes? E a capacidade de nos melhorarmos, não dependerá dessa consciência? Nem da forma como é a nossa reacção a ela?

    Thanks a lot

    • Joana Vasconcelos diz:

      Olá Sílvia, fico muito contente por ter gostado. Concordo consigo quanto ao que há de apreciável (e admirável) no orgulho e também quanto ao que diz sobre a auto-suficiência — enquanto limitada ao não pesar aos outros, não maçar, não incomodar desnecesariamente. Mau, mau é quando a mesma é sinal de orgulho e vaidade desmedidos e de falta de confiança nos outros, ao não querer mostrar fraquezas e erros, ouvir e aceitar opiniões alheias, admitir que às vezes duas cabeças pensam melhor que uma (a nossa) e que os outros não nos vão julgar tão duramente como às vezes nós a eles …

  13. Orcama diz:

    Efeméride!
    Este é o primeiro post que atinge a meia centena de comentários. Este Blogue mexe!!!
    Fiquem ORGULHOSOS (não dá para bold… isso é apanágio do Santos…) disso!
    Parabéns à Autora.

  14. Adriana Reis diz:

    Adorei e bebi suas palavras, me dei conta semana passada que eu estava passando por isso, e agora que precisei pintar a blue nude, me deparei com seu texto e me identifiquei. Agradeço, beijos e prosperidade na sua vida.

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