A Bellatrix retrata o meu darkest side. Nos meus piores momentos gostava mesmo de ser assim. Má, má, má. Desmedida e destemperada. E muitíssimo eficaz. De desaparecer e reaparecer, numa súbita e aterradora ventania negra. De aplicar, com imbatível mestria, as três unforgivable curses — a verde e letal avada kedavra, a dolorosa crucius, a dominadora imperium. Sem hesitação, compaixão ou remorso. Just like that.
Já o meu bright side é bem mais difícil. De descrever, de sintetizar e, pior ainda, de reduzir a um único personagem.
Poderia dizer, respondendo directamente à desafiadora Eugénia, que quando sou “boa menina” ando perto da Hermione. Bruxa ainda. Mas aplicada e persistente, ambiciosa e combativa, leal e dedicada. Sempre de dedo no ar nas aulas. Com resposta pronta e solução para todos os problemas.
Mas a verdade é que faltaria qualquer coisa. Talvez o meu lado John Keating. Que me faz acreditar que a vida é para ser vivida em pleno. Que isso que depende muito de nós. E que educar e formar é sobretudo alargar mentes e horizontes. É esta minha faceta que me faz tentar tornar estimulante, agradável e divertido tudo o que é maçador, pesado e desinteressante. Com alegria, imaginação e originalidade q.b. Os meus métodos podem até variar, mas o lema é o mesmo do Oh Captain, my Captain: “Carpe Diem! Seize the Day! Make your lives extraordinary!”.
Melhor, mas ainda incompleto. O que seria um grande problema — para mim, que muito gostaria que alguém lesse este meu post até ao fim, para todos os demais, que desesperariam ante este meu endless and boring side… Não fora esta música, que preety much sums up aquele que é seguramente um dos traços marcantes do meu sunny side … always the same, never the same!
E agora que já falei muitíssimo de mim,
Passo a Outro e Não ao Mesmo
VASCO!!!
Queremos saber TUTTO!
Sobre o teu LATO BELLISSIMO e sobre o teu LATO OSCURO e PAUROSO




















Gostei muito, Joana. Por tudo e pelo cocktail.
(Mas isto de ser Hermione, tem o que se lhe diga: o diabo do perfeccionismo não tem maturidade, é exigente demais consigo mesmo e rápido no gatilho com os outros — e quando não é, antes fosse, faz-se paternalista. Nunca consegui por a minha Hermione completamente de sequeiro, chamo-lhe Anita.)
Olá Eugénia, gosto de que tenha gostado! Esta sua ideia foi mesmo muito divertida!
Acho que não deve sequer tentar por a sua Anita de sequeiro!
A rapariga é completíssima — cozinha, ballet, cavalos, jardinagem, enfermagem, trata bem os animais. Ao pé desse portento de largo espectro (como os eficientes antibióticos) a minha Hermione não passa de uma marrona a deslizar para o mandona (mas a verdade é que aqueles dois também não lhe deixam alternativa …).
Quando a sua Anita estiver a descambar para o perfeccionismo, esconda os volumes mais problemáticos num armário ou num baú e deixe à mão só os que a descontraiam (no combóio, na praia, no barco à vela, na quinta)…
Gostei muito, Joana. E li tudo, tudo até ao fim. :)
Olá Gonçalo, que óptimo!
Eu bem pus um titulozinho em latim, a ver se atraía algum público qualificado … ;)
Eu também li tudo e gostei mais ainda!
E agora vou ficar a ouvir a banda sonora.
Olá Teresa, fico contente por ter lido tudo e por ter gostado!
Enjoy the music! Eu gosto muito, muito e tem mesmo que ser o Mick Jagger — uma das minhas filhas mais velhas apareceu-me há tempos com uma versão cantada pelos Corrs (com os quais tenho vindo a desenvolver uma inexplicável embirração) … uma lamechice pegada! Levou com the real stuff e gostou .. sorte a minha e a dela :)
Engraçado esse episódio das versões musicais. Um grande território a explorar.
E também vim aqui para sublinhar o prazer desta ideia da Eugénia: tem sido muito divertido ler os resultados que a ideia produziu.
E ainda bem que faltam algumas revelações! Até as da autora da ideia…
Mal posso esperar.
Vasco, apresse-se!
Joana: os Corrs são uns chatos, tem toda a razão. É como o This boots are made for walking da deputada Medeiros — nada a ver!
Li o texto, até ao fim, gostei muito — e tive uma reacção temerosa e simultaneamente temerária: ainda bem que só nos conhecemos no digital éter.
Olá António! Ainda bem que aguentou, valente, e que gostou … Mas a parte final do seu comentário deixou-me intrigada, entristecida até … porque diz isso?
PS — Ai ela canta? Na Assembleia? Espero que se restrinja às comissões e não vá fazer barulho para o plenário …
Pensava que a irmã é que era cantadeira..
Fui confirmar. Aqui está a cantoria da Maria, não Inês:
http://www.youtube.com/watch?v=JdTPLGxyE7g
Pode haver versões mais intensas, mas eu acho graça a isto.
Teresa, acho que concordo com o António.
A versão Bruni da Maria de Medeiros desvirtua a música, esta em particular requer um bocadito mais de vivacidade e energia … afinal a moça está por assim dizer a avisar o moço destinatário …
Mas vai-se a ver, e é o meu lado Bellatrix a falar …
Está cheia de razão, Teresa. Já que a rapariga anuncia que as botas vão andar all over o bandido mentiroso, convém que o faça com toda a doçura para ele não fugir. Doçura estratégica, portanto. Parece-me bem.
Para mais, está incluída no belíssimo projecto de The Legendary Tiger Man (nome artístico de Paulo Furtado) :Femina. Só mulheres para canções em versão muito pessoal.
Parece-me que, talvez como todas as versões, desafia de modo particular o nosso ouvido habituado à voz que se agarrou a uma letra e música durante décadas.
Estranha-se sempre uma nova maneira de ouvir o velho, ou não?
(quando nos parece que desvirtua é diferente. Ou é falta de hábito?)
Teresa, não acho que tenha essa resistênca às versões diferentes — embora hoje, nessa matéria, já deu para ver que é cada tiro, cada melro … Até acho divertido e nalguns casos francamente melhor … Mas vou ouvir mais músicas deste Femina e logo lhe digo o que achei … E se mudei de ideias quanto ao facto de na música da Medeiros, como diz a minha avó, não dar a bota com a perdigota … ;)
Joana, não me interprete mal. Introduzi este questionar porque também eu ofereço resistência a novas versões, e nem só musicais.
No duelo Rolling Stones vs Corrs, não há apelo. Mas talvez seja apenas por embirrar com eles noutras músicas.
Talvez o dia ou situação em que se ouve pela primeira vez uma canção determine o gostar dela ou não.
Ou não. Pode ser porque vamos achar mau sempre.
Teresa, a sua natureza luminosamente solar que resulta de tudo o que escreve e desenha torna impossível atribuir qualquer sentido às suas palavras que não seja postivo e bom! :)
Concordo em absoluto com o que disse há pouco, que esta questão das versões podia bem ser um tema a explorar aqui no blog. Nós fomos começando, pela mão do António Eça que entretanto sumiu! Quanto à questão, acho que o ambiente ou a situação em que se ouve condiciona muito mas às vezes a questão é mesmo objectiva — ou melhora ou piora a música. Por falar em Stones, gosto muitíssimo de uma versão ao vivo já antiga do Paint it Black pelos Eccho and the Bunnymen, como acho que eles deram outra graça ao já tão estafado In the Midnight Hour … A nossa rapaziada musical bem que podia pegar no tema e lançar aí um challenge.
Deixo-a com o seu chá e sigo, ajuizada, para onde há pouco anunciei que ia … Até amanhã!
Joana,
pelos vistos cabe-me a dificil missão de lhe dizer a verdade, toda a verdade. Reunida a Comissão Hádico-Celestial de Avaliação concluiu-se, bingo:
1. Que a Joana é tão darkest, má má má, como a Bellatrix;
2. É mais, much more bright do que sonsa da Hermione;
3. E tão extraordinária a saltar de tampo de carteira para tampo de carteira como o mortíssimo professor com a vantagem de escolher melhor poesia.
Carpe diem e agora mais alto e mais além!!!
Manuel, o veredicto dessa comissão que suspeito unipessoal merece-me três singelas observações:
1 — Bingo quanto ao ponto 1, you really read into my dark soul … mas por favor peço a máxima discrição … pelo menos enquanto ando a aperfeiçoar as unforgivable curses … aparecer e desaparecer já consigo aqui no blog e os bolds fazem as vezes da fumarada …
2 — O ponto 2 só pode ser um teste à minha virtude, depois do que andei para aí a escrevinhar sobre vaidade e orgulho, teste que vou passar com distinção e louvor, protestando veememtemente o manifesto exagero do mesmo … Yesss consegui!
3 — Quanto ao ponto 3 direi apenas que o meu método diverge ligeiramente do do Keating — não salto de carteira em carteira nem mando arrancar páginas. A abordagem dele é excessivamente conservadora e pouco interpelativa para as áreas bem mais secas e áridas em que me movo, as quais exigem métodos verdadeiramente alternativos e radicais, que não vou aqui evidentemente revelar …
Os fogos de artifício não deixam de ser magia…percebi agora que és toda mágica, seja boa ou seja má.
Quando eu era ainda bem menina, acho que eu devia ter uns 5 ou 6 anos, queria ser a Irmã Bertrille, mas logo percebi que o serviço religioso não era bem a minha praia e não concordava com muito do que se ensinava na Igreja.Depois me encantei com outras heroínas com superpoderes como A Poderosa ísis e a Mulher Maravilha, mas ainda faltava algo.
Aos 14, 15 anos um novo universo se abriu com as personagens de Marion Z. Bradley, desde a série Darkover, passando pela queda de Atlântida, até As Brumas de Avalon.Gostava particularmente de Romily, a dama do Falcão.
E Titânia, a rainha das fadas tem muito dessas mulheres :o)
Olá Turmalina, que simpático comentário — como sempre :)
Não conheço muitas destas personagens, mas parecem-me todas fantásticas, vou investigar …
Achei graça ter falado nas Brumas de Avalon, também gostei tanto, justamente por essa mesma idade … E deu-me uma ideia óptima! Acho que vou buscá-los lá onde os tenho e dá-los à minha filha mais velha … vêm já aí as férias da Páscoa …
:o)
Joana: não fique entristecida porque não é razão para isso, de todo. Fique apenas intrigada que fica lindamente.
Versões — as melhores: Dylan por Hendrix, All along the Watchtower; Burt Bacchara por Frankie Goes to Holywood, San José (só no disco de vinil).
Joana, é bom fingir (como o Manuel gosta que se finja) que se tem um dark side. Quanto ao bright side, estou em condições de confirmar, perante a sua numerosa horda de leitores(as), que ele ainda é mais bright (em todos os sentidos da palavra) do que quaisquer “Carpe Diem” possam sugerir…
Uma nota quanto ao These Boots are Made For Walking: como a Teresa bem diz, é claro que a versão (excelente) é do Legendary Tiger Man com a voz da Maria de Medeiros (e não da irmã deputada Inês).
E remeto, sem mais, para o post que dediquei a 22 de Outubro ao Legendary Tiger Man e ao seu magnífico album Femina que inclui o These Boots e que tanto a Bellatrix (a Joana Vasconcelos ainda não estava entre nós) como a Teresa deixaram escapar…
Diogo, o que eu gosto desse seu always so gentle and intensely nice side, mesmo quando o leva a afirmar coisas tão patentemente exageradas como as constantes deste seu comentário (tirando a parte relativa às músicas, às Medeiros e ao Tigerman… ;)