O regresso das três letras malditas

Longe vão os tempos universitários em que alimentava os meus complexos de esquerda a decorar cada uma das palavras do FMI do José Mário Branco.

Mas as três letras malditas, que já se julgavam definitivamente proscritas por estas bandas, voltaram a ser pronunciadas esta semana em círculos bem oficiais do nosso burgo.

O discurso de José Mário Branco, embora se reconheça datado nos detalhes, não ilude uma verdade cada vez mais indisfarçável: que, no essencial, o país, que já foi o bom aluno da Europa, parece ter rodado sobre si próprio no esforço de recuperação económica, exagerando na pirueta e reaproximando-se perigosamente do grau zero em que estava quando a canção foi escrita. 


Comentários a “O regresso das três letras malditas” (6)

  1. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Obrigado, Diogo. Nunca tinha ouvido. Ouvi tudo. Até ao fim. É extraordinário. Dá vontade de voltar a ser de esquerda. Sem copmplexos!

  2. Diogo Leote diz:

    Pois é, Gonçalo, e conseguirás certamente imaginar o efeito magnetizante que isto tinha sobre qualquer jovenzinho “a quem empranhavam pelos ouvidos”…

  3. Engraçado, pensei exactamente no “há que séculos” não se ouviam estas letras… As tais que nos dizem que o país vai a pique.

  4. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Blonde, deixe que lhe pergunte: qual País?

  5. Iolana Vizeu diz:

    pois é filho, entretem-te filho, lança as culpas para alguém, não penses, filho

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