O que eu gostaria de …

São desejos impossíveis porque são inalcançáveis. Ou porque não dependem só da minha vontade e esforço.

Mas o que eu gostaria de …  

- Ter tempo para tudo o que devo, gosto e quero fazer. E também para descansar.   

- Poder, como a Mary Poppins, e com um simples estalar de dedos, empilhar livros desmoronados, ordenar papéis, encontrar uns e outros no meio do caos, tirar fotocópias, escrever os sumários das aulas, dobrar e arrumar roupas e brinquedos, fazer a louça entrar e sair da máquina, pôr e levantar a mesa e tantas, tantas outras coisas que me maçam e me cansam.

- Viajar no tempo, para quando e para onde eu quisesse (e de volta, claro). Para ver se a Joana era mesmo Louca, se a Carlota Joaquina era tão medonha quanto a história e os pintores a fazem, porque é que seriam da rainha Njinga as pegadas de que o meu avô me falava e como é que as pedras de Stonehenge foram partidas, transportadas e colocadas ali onde estão. Só para começar.        

- Ter nas mãos a lâmpada do Aladino e o poder de realizar três desejos. Mesmo sabendo que um deles implicaria substituir-me à justiça divina, o outro à também divina providência e o terceiro a ambas.

- Viver muito e muito bem, envelhecer com graça e sabedoria como a minha avó Madalena e conhecer os filhos dos filhos das minhas filhas.

Comentários a “O que eu gostaria de …” (16)

  1. Orcama diz:

    Cara Joana Vasconcelos,
    Mas isso é todo um programa de vida. Quer tudo e tudo sabe ser impossível! Eu não desejaria vogar nessa angústia. Prefiro uns desejos mais pontuais, absolutamente desmedidos, logo irrealizáveis, por isso não alterando o meu quotidiano e estado de ânimo.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Quite the opposite, estimado Orcama! Angustiada andei eu a fazer esta lista e a arranjar cinco-impossíveis-cinco.

      Descobri que sou afinal bastante prosaica e, pasme-se, comedida nos meus sonhos e desejos, porque aquilo que verdadeiramente quero está bem à medida das minhas capacidades e engenho (eventualmente with a little help from my friends, above). Logo, não nesta lista. Tudo o que dela consta – tirando porventura o primeiro e o último, que em bom rigor não são totalmente impossíveis – seria engraçado, estimulante, mas não me faria verdadeiramente feliz.

  2. pedro marta santos diz:

    São suspiros de uma felicidade serena. Os melhores, portanto.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Pedro, tomei estes impossíveis desejos como os special features dos DVDs que, a tornarem-se realidade dariam bastante mais graça, colorido e divertimento à minha vida, mas que verdadeiramente não fazem parte do filme. E cuja falta em nada o prejudica se for, como se pretende, muito bom.

  3. Manuel S. Fonseca diz:

    Joana, o Pedro tem razão: são pedidos tão felizes os seus. Ele abriu o abaixo assinado e eu já o estou a subscrever incondicionalmente. Vamos recolher milhares de assinaturas e vai ver que se referenda com sucesso o que pede. E é claro que precisamos de ajudas. Moços forcados como lhes chamam. O Vasco para o ponto 1, o do descanso. O Francisco para o ponto 2, ele que virtalmente tudo resolve. O Gonçalo, a correr entre Tomás de Aquino e a réstea de bondade do século XXI para o ponto 3. O PN com néon e eléctrico poderes para o ponto 4 . A EV que tem o segredo da eterna juventude para o ponto 5.
    Mr.Orcama & Mr. Eça dão música e fazem de inteligentes.

    • Joana Vasconcelos diz:

      MSF
      1 — Referendo não, pardeus!
      2 – Verifico que põe a malta toda a trabalhar. E que se propõe coordená-los. Ou seja, não se está a esforçar. Esperava mais, confesso.
      3 – Fica proibido de voltar a lançar desafios tão difíceis. Nem imagina os horrores que me fez passar a imaginar coisas impossíveis que me fizessem feliz! Uma contradição nos próprios termos! A minha noção de felicidade é toda ela possível!

  4. António Eça diz:

    Manuel, pedes-me o impossível: eu não sei disfarçar nada…
    Agora música com certeza! Ou concertina, sei lá…

  5. Eu gostaria de ter o poder de subir escadas, descendo-as.

  6. Manuel S. Fonseca diz:

    Ó António, o inteligente! O das touradas!!! Não é preciso disfarçar nada.
    Taxi, grande desejo, linda decomposição do movimento: andas muito Muybridge

  7. Turmalina diz:

    Acho que sou crédula demais ou então um tanto Pollyanna…mas acredito que seus desejos não sejam tão impossíveis assim…

    • Joana Vasconcelos diz:

      Olá Turmalina! Seria bom, seria. A mim calhavam-me especialmente o primeiro e o último, mas aquele que me ocorreu hoje pelas 8 da manhã foi mesmo o da Mary Poppins, quando dois enormes montes de livros desabaram arrastando na queda uma resma de fotocópias, até então empilhadas por ordem, e uma chávena de café…

  8. teresa conceição diz:

    Joana,
    cheguei tarde, mas valeu a pena. Este desafio é difícil, mas é delicioso ler os resultados dos seus esforços. E ler com os impossíveis a descoberta de que precisamos de menos para ser feliz.

  9. Joana, confesso que posso com muita alegria ajudar no primeiro ponto (que isto para os programas de vidas, convem sempre ter outros a ajudar), pois é das coisas que mais gosto de fazer é ordenar pilhas de desarrumação, sejam livros, gavetas, armários ou roupeiros! E foi querido chamares essa faceta de Mary Poppins, porque geralmente o que oiço é que sou uma psicótica obcecada…

    • Joana Vasconcelos diz:

      Sofia, estás contratada, por tempo indeterminado ou ad aeternum, conforme queiras! Quem deprecia esse teu duplo dom — de ordenar desarrumações e de gostar de o fazer — não sabe o que é sofrer desabamentos diários de montes de livros, desaparecimentos misteriosos de preciosas fotocópias e/ou apontamentos, bem como de chaves de casa e carro, circulares da escola das crianças (daquelas que é suposto devolver de imediato, assinadas), contas por pagar … tudo, tudo, tudo misturado, soterrado, desnorteado! Há dois dias queria sair da secretária, para ir fazer (mais) um café e simplesmente não conseguia passar. Tiver que fazer uma arrumação, por métodos tradicionais. Foi uma seca. E já caiu tudo outra vez, há bocadinho.

Comentar