Com a velha União Soviética, pela parte que me toca, foi sempre coitus reservatus. Nunca lhes consegui falar de amor, se é que, como dizia o professor francês, falar de amor é falar para alguém. E, malgré tout, que lindo hino que eles tinham! Este vai servido pela iconografia de serviço. Propaganda pura e não enganadora: heróica, patriótica, musculada, grandes e belíssimas manchas vermelhas, desenhos tão construtivamente definidos, viris, radiosos, truculentamente irónicos quando é para desancar no capitalista. A culminar, Estaline, pai dos povos, objecto amado que a tantos, de paixão, fez escravos.
Quem ainda se lembra de jovens idealistas a descer a Avenida Liberdade, pulmões aos gritos: “E-s-t-a-l-i-n-e estÁ MORTO…” (ligeira pausa a dar tempo para o estudantil punho bater PUM-PUM-PUM no peito e) “…MAS VIVE NOS NOSSOS C-O-R-A-Ç-Õ-E-S!!! ”

















Um espantoso hino, que fartávamos de o ouvir nas competições desportivas, e, no meu caso, com muito gosto, sem admirar de modo algum o Regime.
Liiindo!!!
Eu conheço tão bem isto, dos Jogos Olímpicos, quando a Olga Korbut e a Ludmila Tourischeva e as outras ginastas ganhavam as medalhas todas! O que eu gostava de as ver … Se bem que nenhuma batesse a Nadia Comaneci! Vi na televisão com o meu Avô todo os 10 dela em Montreal! Lembro-me como se fosse hoje!
E competiu lesionada nesses Jogos. Eu ficava pregada ao ecrã.
Eugénia, há tempos vi imagens da Comaneci em Montreal a cores e achei tão estranho … parecia que tinham sido retocadas, e mal! As minhas memórias são completamente a preto e branco…
Nadia. Em absoluto a minha primeira paixão assolapada. Daquelas que se têm aos 8 anos.
No meu imaginário, voltou a materializar-se uns anos depois na Natassja Kinski, não me perguntem porquê.
Vasco, então nem a Fia nem a… Marion?
Eugénia, também me lembrei logo desses! Tenho-os numa bela duma box, que comprei (oficialmente) para as minhas filhas!
Ora conte lá, era mais Jean-Loup ou CowBoy?
Ó Joana, está mais que visto que era o Jean Loup. Se antes foi o Hampus.
Confesso que se tivesse filhos também lhes teria comprado ambas as séries. Oficialmente, só para eles.
Joana: vou ali acima comentar porque aqui estou a ficar com calores.
Meu avô saiu de lá em 1917, recém nascido, em meio à muito tumulto. Uma prima dele veio bem mais tarde e não podia nem ouvir falar em Lênin ou Stálin.Tanto que ela nunca chamava São Petersburgo de Leningrado.
O hino é lindo mesmo, assim como a literatura, a dança e a música.
E a pintura! Malevich, Olga Goncharova, Burliuk, Kandinsky…
Excelente lembrança, Benedito :o)
António, desde quando é que foste beatificado? Foi o Estaline?
Manuel, ele passou-se, coitado! Desde que leu o meu post de ontem, entrou em mood autopunitivo e apresenta-se como António Benedito, na expectativa de ser repreendido e assim! E como se não bastase, vangloria-se de ter nome papal! Se é amigo dele, veja se o consegue ajudar …
Eu sou como o Marx: um animador cultural de altíssimo gabarito. Falo do Karl, claro. E por isso beatifiquei-me a mim próprio. Mas é coisa recente — nunca um sonho de infância à moda do Albarran…
E, Joana Maria, fique sabendo que além do Tony Bennett da bela voz, do meu sobrinho (que é um porreirão!), do pai da mulher do Eça e do segundo filho do vice-rei do Brasil que deu ordem de esquartejamento a Tiradentes e amigos, não há por aí, que se saiba, mais Antónios (que significa «o inestimável») que também são Beneditos (por absoluto pudor abstenho-me de caracterizar este último).
Mao Tse Benedito, aprecio suas imposições, ops… quero dizer, contribuições culturais de altíssimo gabarito :o)
Obrigado Turmalina-Minas-Novas, você é muito simpática — mesmo quando me trata mal…
(Deu-me um ataquinho de pieguice!)
…kkkkk…(Deu-me um pequeno ataque de risos)…eu juro que não aguentei e tive que rir…
Um bom domingo prá vc tb!
Ainda bem que riu — essa é uma das prioridades da minha existência.