um post misericordioso de NINI

O Rapto das Filhas de Leuripto, Peter Paul Rubens
Respirava-se bem e fresco cá fora. Ao passear distraída por aí, deparei-me com algo novo que ostentava um nome no mínimo surpreendente. Sem saber o que me esperava, entrei. Era a primeira vez que por ali passava e ainda estava em construção, percebiam-se os trabalhos de última hora, que depressa foram ultrapassados com mestria, e peça a peça foi sendo edificado o que hoje é a morada de “É Tudo Gente Morta”.
Entretanto, começou a chegar mais Gente, e ampliaram a construção. Por vezes, quando passava, também colocava umas pedrinhas num muro que fica nas traseiras, onde uns jogam de dia e todos se divertem à noite. Não os conheci a todos em pormenor, não tive tempo, são muitos e dispersam-se por um espaço amplo, grande e harmonioso. Bem dispostos e divertidos, também têm dias de “amuos” e “embirrações”, e aí, o melhor é transitar em silêncio e sair.
Ah! E adoram pôr-nos à prova. Devagar, sem darmos por isso, estamos nos contos de Saint-Exupéry, e cativos, passamos por lá cada vez mais, e mais vezes, se entramos no seu jogo ficam-nos com a alma; com a minha não, que essa há muito que a deixei em Upper East Side, a flutuar no chumbo das águas do East River, iluminada por um céu púrpura numa explosão de luz e cor como num quadro de Kandinsky.
Depois de se entrar há Penitências para quem quiser sair; a minha fica aqui paga. Apesar do estado comatoso, e do Sindroma de Estocolmo que permanece em mim, aconselho febrilmente esta alucinante experiência. Agora parto, vou celebrar o Jubileu com a Virgem Negra em Notre Dame du Puy.
P.S. — Este é o terceiro post de leitores do É Tudo Gente Morta. Não é nenhuma política do blog, nem lailailai. É assim porque gostamos muito dos comentários deles. Dão-nos imensa vontade de os ler. Já conseguimos ter o António, a Turmalina, agora a NINI. Falta-nos o Orcama, a que um dia faremos oferta que não possa recusar. E mais haverá, muito em breve.
Nini, ficamos-lhe mortalmente gratos.

















Sair??? A escrever assim?
Eugénia de Vasconcellos (qual é o seu segundo nome, que pretendo ser veemente neste pedido?) por favor, traga já o “Livro Amarelo”!!! Quero reclamar de Nini!!!
NÃO PODE SAIR!!! Se eu mandasse, o despacho seria: “Autorizada a ausência por breve período. Dou o ‘breve’ por muito recomendado”.
Joana Vasconcelos, Teresa Conceição: Não se juntam ao abaixo assinado? Turmalina, está por aí?
Femininas hostes, pois então…
O meu segundo nome nunca foi utilizado para esses fins: só o primeiro, pelo qual nunca me trataram excepto nessas circunstâncias, Eugénia!, ou, no colégio, o último, em regra assim: Vasconcellos!
Ps: considere o seu despacho assinado.
Nini, eu que só jogo de noite, abro uma excepção para lhe dizer: 1) que gostamos muito das suas pedrinhas no muro das traseiras; 2) que é um prazer tê-la deste lado; 3) que o prazer é ainda maior com penitências destas, tão elegantes e simpáticas.
Pois. Merci.
Parabéns Nini…é uma adorável síntese de uma experiência que chamaria de febril também…principalmente na forma como somos envolvidos pela profusão de cores, sons, palavras e imagens. Até mesmo pelas “embirrações”…rss…
Caro Orcama, acredito que esta saída da Nini seja breve e não permanente :o)
Nini! Nini! Ao tempo que eu andava à tua procura.
Claro, vestia de organdi e dançava só para si!
Eugénia e alegado TóZéBrito: a Nini dos meus 15 anos é do Paulo de Carvalho … o Tozé Brito era dos Gemini … Remember?
Obrigada a Todos e aos da “casa”, claro. Até sempre.
Nini espere que falto eu!
Eu sabia que não nos ia desiludir e assim sucedeu! Gostei tanto!
Mas vai deixar-nos porquê? Lá para onde vai não tem ligação ao cemitério e uns tempinhos livres para nos visitar e deixar pedrinhas (adorei a imagem, fez-me lembrar as pedras que se põem em cima das campas nos cemitérios judeus …) Vamos ter saudades das suas visitas, veja se volta depressa …
Tarde e a más horas, assino o abaixo assinado acima com todo o gosto. E digo mesmo mais. Estou em greve até ao regresso da Nini. Não há nem mais um raio x para o Vasco Luis.