Nem o céu é igual

          O conto que o PMS contou aqui abaixo deixou-me assim virada para dentro. Fui enfiar-me na Rosa do Mundo em busca de poemas do príncipio do mundo. A antologia mais bela e maior da Assírio & Alvim confortou-me: inclui até belissímos poemas esquimós. Mas o livro de papel bíblia abriu-se mágico neste que aqui segue à frente, e é este que tem de ser.

            Em busca de imagens para o poema entre as minhas fotos, encontrei céus de muitos países.

Cada céu podia ser de qualquer país? Talvez. Se trocasse os nomes às fotos, alguma vez um país reencontraria o seu céu? Ou ficaria um país com um chapéu de nuvens que não lhe servia?

Olho para estes céus todos enfileirados à minha frente. Se baralhasse as cartas, talvez ninguém desse por nada, talvez nenhum país notasse. Como aquelas coisas que são iguais em todos nós, os céus também. E no entanto nenhum céu é igual. E de repente. 


                                         E DE REPENTE É NOITE


                                         Cada um está só sobre o coração da terra

                                         Trespassado por um raio de sol:

                                          E de repente é noite.



                                   Salvatore Quasímodo, (1901 – 1968), Itália, trad Ernesto Sampaio,  

                                        in  Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, p. 1422

Comentários a “Nem o céu é igual” (7)

  1. Orcama diz:

    “A murmur of sorrow whithin me moves
    Among the ghostsof unfound loves,
    A breath of loss: like a lily faded,
    By nough but the spell of that music aided”

    “Um sussurro de mágoa em mim se ouve
    Entre os fantasmas de amores que não houve,
    Um sopro de perda; como um lírio que fenece
    E só p’lo encanto a música permanece“
    in F. Pessoa Poesia Inglesa

  2. Turmalina diz:

    ´Quando o céu se fecha assim como nesta foto eu tenho a exata sensação de estar só sobre o coração da terra.Como se fosse eu, sozinha, contra meus piores temores.

  3. teresa conceição diz:

    Vou encontrar um poema colorido e feliz para lhe oferecer, Turmalina.
    Estes momentos fechados não se podem ter por muito tempo, fechamo-nos também.

  4. Joana Vasconcelos diz:

    Teresa, fiquei fascinada com a ideia de uma colecção de céus, todos espalhados em cima de uma mesa! E este, de onde o trouxe?

  5. teresa conceição diz:

    As fotos tiradas por nós só mentem na net se nós quisermos: quando lhes clicamos em cima, aparece o nome do quadro ou filme a que se referem ou, como é o caso, do ficheiro onde se incluem.

    Esta veio do meu último paris, tem pássaro do Sena, vê-se logo! mas tirando esse pequeno pormenor, podia ser de qualquer europa nublada:)

    Os meus céus africanos são mais límpidos, os meus asiáticos são mais cinzentos fumacentos e poluídos.
    Mas isto pode ser tudo ao contrário, com o que vem do céu nunca se sabe…

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