Em 1981, Issei Sagawa, assassinou e comeu, no seu apartamento de Paris, Renée Hartevelt, uma bonita estudante Holandesa, sua colega de curso na Sorbonne. Issei, tendo-a escolhido devido à sua beleza e constituição física, convidou-a para jantar, matou-a com um tiro nas costas e durante dois dias comeu-a a várias refeições, começando pelas pernas e coxas e cozinhando depois diversos dos seus órgãos. Foi apanhado quando tentava desfazer-se do corpo deitando-o a um lago nos arredores da cidade.
A loucura está obviamente nas suas acções mas ainda mais no facto de Issei, depois de algum tempo internado numa instituição psiquiátrica em França, ter sido transferido para o Japão onde acabou por ser libertado. Hoje, é um convidado frequente de emissões televisivas e num macabro “turn of events”, escreve artigos sobre gastronomia para diversos restaurantes de Tóquio.
Quando era miúdo, recordo que se dizia entre primos, que a Renée era amiga de uma amiga de uma minha prima mais velha que tinha ido estudar para Paris. Deliciosos estes mitos de família.
Desta história, os The Stranglers fizeram a canção “La Folie” que incluíram no seu álbum do mesmo nome em 1981. Hugh Cornwell, Jean-Jacques Burnel, Jet Black e Dave Greefield foram os estranguladores originais e um dos quartetos mais “creepy” de todos os tempos. Nesses anos, produziram algumas das mais hipnóticas canções pop que conheço. A dita “La Folie” e a sempre eterna “Golden Brown” são um bom exemplo disso. Deixo aqui as duas.

















Loucura é desassossegar-nos assim, com a realidade.
O mundo é um manicómio, já se disse, o pior é quando encolhemos os ombros e fugimos até de nós.
Porque há a vertigem do abismo em cada alma — sobretudo a nossa, que tanto acarinhamos por boa, por sã; por santa.
Somos os doidos-em-exercício.
Mas apontamos o dedo absurdo e seguro para fora.
Para além.
Patético exercício de catarse funcional.
A cada um a sua loucura, a tentação do mal; vem tudo num menu refinado, que nos entregam à entrada deste mundo virtual.
( a música? a música é… fundamental.)
Vi os Stranglers aqui no Porto, grande espectáculo, tuda o a negro. Mas não fazia ideia da inspiração tão radical de ‘La Folie’. Gosto muito destas músicas. Os japoneses sempre foram de extremos, acho que até Peral Harbour mostra isso.
Imagens da loucura: http://community.livejournal.com/ru_medart/106949.html