FAÇA VOCÊ MESMA #20
Categoria: gracinhas
Esta maldade é, na realidade, de duas valências: a prestação um amoroso cuidado e uma expressão artisticoafectiva. Use a gosto, de cada vez que a oportunidade se apresente, independentemente da estação do ano. Não espere pagamento, recompensa. Sequer reconhecimento. Por uma razão de mistério, enerva os beneficiários dela. Eles. Aqueles que nós sabemos quem são.
Os homens são criaturas pilosas. O seu amado marido/namorado/híbrido não será excepção. Em que classificação o seu mais que querido encaixa?
1. é um tal de metrossexual que se vai despelar todo para a esteticista, a toque de cera ou de laser, até ficar liso e luzidio como a Barbie, ou como uma enguia nadadora de piscina olímpica, na esperança que você o vista, dispa e leve ao cabeleireiro a fazer madeixas e a tomar chá com as outras bonecas suas amigas;
2. é um gorila daqueles de mindinha unha comprida e tufos de ogre a sair-lhe pelas orelhas e nariz;
3. é um homem normal, ie, desde que começaram com mariquices de sociocatálogo urbano, um uberssexual. Um daqueles com bom senso e sobriedade que não pinta o cabelo, não usa brincos, nem confunde higiene e compostura com estética de estereótipo de futebolista. Ou de rapper.
Se o seu amor amado é um 1 ou um 2, minha querida: é karma, você foi uma lambisgóia feroz e agora está a pagar os seus pecados. Trate-o a pão de ló na esperança de que ele, se é um 1, se apaixone pelo mecânico; se é um 2, olhe, que se apaixone pelo mesmo mecânico. Mas fique por aqui na mesma e leia tudo tudinho porque o seu próximo marido, uma vez saldadas as universais dívidas, será um 3.
Um marido/namorado/híbrido equilibrado, se se depila, fá-lo com a inteligência que não admite excessos. O que significa que continuará a ter áreas pilosas. Nas coxas? No peito? Tanto faz, nós gostamos de ambas as partes ainda que, como no franguinho, preferindo esta ou aquela. Até porque a perna, ao contrário da coxa, nos rapazes e nos frangos, tende a ser fraca. Fina. Adiante. Para além da questão dos pêlos, homem que é homem, vá-se lá saber porquê, dorme como se tivesse morrido e celebra-o ressonando como se não houvesse amanhã – o indissociável nexo onírico. Quando o seu marido/namorado híbrido estiver nesse estado de (in)consciência pense:
a) que lindos e românticos são os monogramas com as iniciais do casal que antes se bordavam na roupa branca;
b) o óptimo é inimigo do bom, cada um faz o que pode com o tempo que tem.
Postos estes pensamentos de parte, vá buscar a gilete da barba do seu amor amado. Exponha a boa coxa ou o belo peito do seu marido/namorado/híbrido. Pense que arte moderna é coisa para dimensões que não cansem a miopia: quer-se tudo de bom tamanho. Estime a sua intervenção aí para dois palmos de altura para dois dedos de largura — o máximo que conseguir, portanto. Não obstante, seja modesta nas suas ambições para que estas sejam exequíveis. Planeie, não um amável monograma, mas a sua linda inicial. Grande. (Não seja restritiva: imagine que ontem não lhe deu um presente, faça-lhe um coração hoje!) Pronta? Desbaste! Ai, como é dura a vida.. enquanto o Monstro permanece desacordado, a Bela trabalha em benefício dele, sobre ele próprio, fazendo-o tela para a expressão do amor. A dedicação é abnegada, fazer o quê? Deixe a linda pele tão bem amada do seu querido marido/namorado/híbrido, livre de indesejáveis pêlos. Ó que bonito, o monogramado Monstrinho dormido. Pode ser que amanhã tenha um jogo de futebol. Ou vá para o ginásio e termine o esforço no jacuzzi. Que tenha programadas férias caribenhas para cortar o Inverno Europeu. Na mais discreta das hipóteses, haverá sempre o duche e o espelho matinais. Quando ele começar a dizer despropósitos, abrace-o e diga-lhe ao ouvido: de quem é a culpa, se não tatuaste o meu nome?
Ganhos: já acrescentou mais um ano de vida ao seu casamento.
Conclusões: os homens precisam de se sentir livres: cabe-nos mostrar-lhes que, infelizmente, não nos pertencem.


















Eugénia, há uma inifinitesimal possibilidade de eu estar enganado, mas lendo-a e lendo aqui a universalíssima enciclopédia, “Grabbing the knife, Lorena Bobbit entered the bedroom where John was sleeping”, estarei analiticamente autorizado a alertar a população activa para a emergência no nosso blogue de um eventual complexo Bobbitt?
Oh vanitas vanitatum omnie vanitas, Manuel “Soberbo” Fonseca… bold privilégios de Autor…
Muito bem apontado, caro Orcama.
Acho que vou cortar relações consigo, MSF: só me faz injustiças e, porque isso é pouco, com perversas e escabrosas associações. A bold.
Eugénia, vejo-a a entrar pela sumptuosa porta do ETGM com uma navalha de barbear na mão (uns lindos 15 centímetros) e eu é que sou perverso e escabroso? Nem o meu barbeiro de meninice, em frente à Churrasqueira da Vila Alice, admitiria uma coisa destas. Não era essa a ideia que ele tinha das armas estarem em boas mãos.
1. ETGM? Sei lá eu o que é ETGM, nem sei fazer bold nos comentários.
2. Insiste num argumentário de falsidades:
a) nunca por nunca o acusei de ser tal, apenas às suas associações e a manipulação dos outros através delas;
b) uma gilete inocente não é, jamais será uma navalha.
Mas lá cortar… corta, oh se corta, e as mais modernas é a multiplicar por 4 — quiçá já 5 — o número de cortes…
Eugénia,
ETGM é só o simples e simpático acrónimo de É Tudo Gente Morta. Claro que se a menina tivesse vindo à tropa e feito a recruta na EAMA (ou seja, a Escola de Aplicação Militar de Angola, já percebia). Enfim coisas de homens que nunca por nunca tocam numa navalha, não é Orcama?!
Só se for em questões de honra, lá para as bandas da esquina rosada…
Não fui à tropa, mas tive um boneco Action Man de camuflado e tudo, o que é praticamente a mesma coisa que ir à tropa. Era o marido da Barbie — eu não gostava do Ken.
Ps: a minha ignorância agradece-lhe a explicação acronímica.
Essa sua queda castrense era-me desconhecida.
“Queda castrense?”
Claro, o gosto pelas fardas!
Fardas, MSF? Se ainda ontem lhe disse aqui que não aprecio carnavais. Olhe, vou reler a sua reprise.
Eugénia de Vasconcellos,
Acha bem que eu vá dormir com estes pesadelos:
http://www.youtube.com/watch?v=I2kJsjYGs3A
mesmo sendo carnaval…
Just you wait… just you wait… (lembra-se do poema?)
Orcama de Orcama,
Acha bem plasmar aqui um vídeo que anuncia medos? Não sabe que eu não sou capaz de ver filmes de terror?
E eu? que nem lâminas uso, só máquina de barbear… esta noite vai ser de carnaval…
Mr. Orcama, telefone lá à sua afilhada!
E peça-lhe que venha depressa que o Manuel Fonseca hoje veio com a língua bífida da serpente.
Bífida? já lha cortou?
Orcama, não é preciso ver a língua bífida, basta ouvir-lhe as falsidades. Não, não cortei que eu sou mesmo in extremis pela liberdade de expressão.
O celular não atende e o fixo está interrompido…
Eu tenho outra afilhada. Não sei se foi passar o Carnaval para a Guiana Francesa de máquina fotográfica à tiracolo.
Eugénia de Vasconcellos, por acaso não tem aí o contacto dela? Ou pode ligar-lhe em meu nome…
Ligo, se pede, mas estou em crer que não atenderá — diz-se que São Gonçalo lhe enviou um marido/namorado/híbrido à medida e São Valentim abençoou. Diz-se, eu não sei que não sou de intrigas.
Aleluia! Abençoado Salaventim. Mas por agora é melhor que ele fique por aí!
Com a máquina de barbear não dá jeito porque faz uma barulheira.
Pode-se usar aquelas silenciosas bandas depilatórias… mas não em mim!!!…
Pode, mas terá de ser noutra maldade, uma maldade surpresa de alto impacto: nesta convém que o Monstro não acorde.
Mr. Orcama, não se estique nos conselhos ao inimigo.
Qual inimigo?! O melhor dos amigos é o que uma mulher é para o homem que ama. Teima em ser um incompreensivo..
A nossa Joana, creio que já não virá. E eu, meus senhores, digo-vos: boa noite.
Boa noite, que isto estava um tanto desigual,
Joana Vasconcelos deve ter-se ido mascarar de Bellatrix…
Na minha opinião, que nunca é modesta, esta patifaria é de rebotalho — não assusta ninguém, a não ser velhos ‘xicos’ da administração militar luandense.
Vila Alice? A despropósito total, da última vez que a vi ardia que nem uma tocha, depois dos camaradas do MPLA terem morto na estrada do Grafanil um dos gajos mais pacíficos do mundo, um alferes da 1ª CART da meu Batalhão.
Essa sua maldade, Eugénia, só seria um pouco eficaz se o depilasse todo — mas todo! Ele iria morrer de vergonha e de cócegas, mas a autora teria de se dar a artes minimais.
Tanto barulho por nada…
António, estavas lá no dia de todo o fogo? Se sim, coincidimos. Passei entre o Liceu Feminino e o cinema Império, a rasar o perímetro do cerco que se montou. A seguir foi light my fire.
Ouso discordar…o melhor é marcar-lhe as iniciais…assim como o boi no pasto, não é Eugénia?
Que mente perversa, Turmalina, eu a pensar em inocentes monogramas e sai-me com o ferro!
Se não fosse a profilaxia desse momento iria seguir-se o que ‘a’ Alva Rosa preconizou para os tugas todos, fossem colonos ou não: o massacre final. O que foi curioso é que esse combate contou com todo o tipo de voluntários, operacionais ou nem por isso. Eu não estava lá, a sede do BART 6323 era Malange, mas tínhamos essa CART destacada em Luanda. Soubemos tudo via cripto. Dias mais tarde passei lá e ainda fumegava.
O meu dia de todos os fogos foi em Malange e durou um mês, aproximadamente. Se quiseres dar uma espreitadela ao ambiente visita isto:
http://zala.fotosblogue.com/
Tenho lá umas coisas minhas, algumas fotos (uma de barbas) e dois textos (‘Jogos na Tv’ e ‘Pânico premonitório’), mas foi o Alberto Nogueira o grande criador e impulsionador. Tenho um conto antigo para lhe mandar, sobre um menino que foi morto por um bando armado e que o pai o enterra ao lado do túmulo do Zé do Telhado, numa terrinha ao lado de Caculama. Curiosamente, dessas histórias com cheiro da terra é a única que foi totalmente inventada. A minha querida Mãe achava que era a única verdadeira…, não deixa de ser irónico.