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	<title>Comentários em: Humildade</title>
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		<title>Por: António Eça</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4669</link>
		<dc:creator>António Eça</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 00:20:46 +0000</pubDate>
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		<description>Caro Fernando, concordo que todas as peregrinações iniciadas muito cedo um dia atingem algo de fundamental para o próprio.
Mas é como diz: o conflito entre objectivos quase opostos socialmente - a conquista de formas de poder ou a conquista de determinados saberes - pode trazer danos colaterais ao protagonista, que não consegue ser um impositivo alfa e um humilde ómega em simultâneo.
Ou talvez possa, se sublimados os resultados - quem sabe?...
Francisco e António eram simultaneamente humildes e fortes - a sua acção prova-o, o carácter não se prova tanto pelo que se faz mas mais pelo como se faz - acho eu.
Grande abraço, Fernando, obrigado pelo seu comentário tão preciso.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Fernando, concordo que todas as peregrinações iniciadas muito cedo um dia atingem algo de fundamental para o próprio.<br />
Mas é como diz: o conflito entre objectivos quase opostos socialmente — a conquista de formas de poder ou a conquista de determinados saberes — pode trazer danos colaterais ao protagonista, que não consegue ser um impositivo alfa e um humilde ómega em simultâneo.<br />
Ou talvez possa, se sublimados os resultados — quem sabe?…<br />
Francisco e António eram simultaneamente humildes e fortes — a sua acção prova-o, o carácter não se prova tanto pelo que se faz mas mais pelo como se faz — acho eu.<br />
Grande abraço, Fernando, obrigado pelo seu comentário tão preciso.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: Fernando Pinto</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4657</link>
		<dc:creator>Fernando Pinto</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Feb 2010 20:15:48 +0000</pubDate>
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		<description>Foi com Freud que me habituei a pensar que uma coisa contém em si o (se calhar, melhor será dizer &quot;um&quot;) seu contrário. Era assim que, por exemplo, Freud falava da inteligência e da neurose.
A ideia com que fico do que AEQ discorre neste seu &quot;ensaio&quot; é a de que a humildade se faz ao longo da vida, num esforço pessoal de desprendimento constante relativamente a tudo o que nos possa pôr sobranceiramente acima dos outros.
As sociedades humanas, a partir da sua natureza animal, reclamam &quot;machos alfas&quot;, para que se organizem as relações e de defenda a sobrevivência do grupo. O comportamento destes machos estará, porventura (estará mesmo?...) nos antípodas dos comportamentos que denunciam a humildade.
É... a humildade, na prática, é uma atribuição de alguém sobre alguém, é um reconhecimento. Atribuição e reconhecimento sobre alguém que pautou ou se esforçou na sua vida social por certos comportamentos, mais, se calhar, do que por certos princípios.
Nos tempos belicosos e idealistas da minha juventude política, impressionei-me com o modo muito prático como Wilhelm Reich procurou objectivamente definir critérios para caracterizar a consciência de classe.
Passa-me pela cabeça a vertigem de fazer o mesmo relativamente à humildade de que AEQ fala. Passam-me pela cabeça coisas como &quot;Sei que posso estar errado&quot;, &quot;Há coisas e gentes que valem mais do que eu&quot;. É o tal &quot;olhar cândido&quot;, que não é contrário à vaidade, mas que olha a &quot;Vanity, oh, vanity!&quot; sem ressentimento e sem ira, quiçá lamentando os que não conseguem passar sem ela.
António, não concorda comigo se eu lhe disser que penso que que é a humildade que honestamente o adolescente peregrino de Guerra Junqueiro conquista no ir e vir que faz na vida?
Bem-aventurados os que logo desde muito cedo conseguem ter em si a noção clara do que é a humildade e sobre ela tomam o fio das suas vidas!...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Foi com Freud que me habituei a pensar que uma coisa contém em si o (se calhar, melhor será dizer “um”) seu contrário. Era assim que, por exemplo, Freud falava da inteligência e da neurose.<br />
A ideia com que fico do que AEQ discorre neste seu “ensaio” é a de que a humildade se faz ao longo da vida, num esforço pessoal de desprendimento constante relativamente a tudo o que nos possa pôr sobranceiramente acima dos outros.<br />
As sociedades humanas, a partir da sua natureza animal, reclamam “machos alfas”, para que se organizem as relações e de defenda a sobrevivência do grupo. O comportamento destes machos estará, porventura (estará mesmo?…) nos antípodas dos comportamentos que denunciam a humildade.<br />
É… a humildade, na prática, é uma atribuição de alguém sobre alguém, é um reconhecimento. Atribuição e reconhecimento sobre alguém que pautou ou se esforçou na sua vida social por certos comportamentos, mais, se calhar, do que por certos princípios.<br />
Nos tempos belicosos e idealistas da minha juventude política, impressionei-me com o modo muito prático como Wilhelm Reich procurou objectivamente definir critérios para caracterizar a consciência de classe.<br />
Passa-me pela cabeça a vertigem de fazer o mesmo relativamente à humildade de que AEQ fala. Passam-me pela cabeça coisas como “Sei que posso estar errado”, “Há coisas e gentes que valem mais do que eu”. É o tal “olhar cândido”, que não é contrário à vaidade, mas que olha a “Vanity, oh, vanity!” sem ressentimento e sem ira, quiçá lamentando os que não conseguem passar sem ela.<br />
António, não concorda comigo se eu lhe disser que penso que que é a humildade que honestamente o adolescente peregrino de Guerra Junqueiro conquista no ir e vir que faz na vida?<br />
Bem-aventurados os que logo desde muito cedo conseguem ter em si a noção clara do que é a humildade e sobre ela tomam o fio das suas vidas!…</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Orcama</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4578</link>
		<dc:creator>Orcama</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 22:37:41 +0000</pubDate>
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		<description>Mas por quem é. Isso é coisa cá muito nossa, da &quot;rapaziada&quot;, está bem de ver. Segredo funcional, digamos. Estou a seguir os seus provectos conselhos...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Mas por quem é. Isso é coisa cá muito nossa, da “rapaziada”, está bem de ver. Segredo funcional, digamos. Estou a seguir os seus provectos conselhos…</p>
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	<item>
		<title>Por: António Eça</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4571</link>
		<dc:creator>António Eça</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 20:04:40 +0000</pubDate>
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		<description>Obrigado, caro Orcama. Penso o mesmo e por isso me servi de exemplos tão remotos. Contudo, não acho que fosse realmente humilde: macaqueei, apenas, q.e.d..</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado, caro Orcama. Penso o mesmo e por isso me servi de exemplos tão remotos. Contudo, não acho que fosse realmente humilde: macaqueei, apenas, q.e.d..</p>
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	<item>
		<title>Por: Orcama</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4568</link>
		<dc:creator>Orcama</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 18:50:15 +0000</pubDate>
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		<description>Apreciei a sua humilde exegese sobre a humildade, essa santa e santificada virtude... Penso, todavia, que estará um tanto já em estado... comatoso, quiçá fóssil...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Apreciei a sua humilde exegese sobre a humildade, essa santa e santificada virtude… Penso, todavia, que estará um tanto já em estado… comatoso, quiçá fóssil…</p>
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	<item>
		<title>Por: António Eça</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4459</link>
		<dc:creator>António Eça</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 17:10:30 +0000</pubDate>
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		<description>Ora ainda bem que o Pedro Marta Santos teve a generosidade de nos mostrar a sua percepção do estado-conceito de humildade: a sua ambiguidade redonda. No meu texto não me estendi sobre a ambiguidade do vocábulo (por vezes muito útil), limitando-me a separar o que são representações circunstanciais da ideia mais profunda que vi materializada nos primeiros franciscanos.
Tudo isto porque no âmbito da relatividade poderia atingir o extremo de dizer que mais humildes que os que a praticam são aqueles que se declaram não o ser de todo - que é aquilo que no fundo eu fiz ao escrever sobre o assunto. Ou seja, os bispos abrilhantados de dourados e pedras - que António de Lisboa e Pádua enfrentou publicamente considerando-os o pior exemplo que se poderia fornecer ao povo de Deus - poderiam defender-se com esta simples operação de retórica desonesta.
Exacto, Alberto: experimente-se apenas dar, sem qualquer expectativa de recompensa - seja ela terrena ou nem por isso.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ora ainda bem que o Pedro Marta Santos teve a generosidade de nos mostrar a sua percepção do estado-conceito de humildade: a sua ambiguidade redonda. No meu texto não me estendi sobre a ambiguidade do vocábulo (por vezes muito útil), limitando-me a separar o que são representações circunstanciais da ideia mais profunda que vi materializada nos primeiros franciscanos.<br />
Tudo isto porque no âmbito da relatividade poderia atingir o extremo de dizer que mais humildes que os que a praticam são aqueles que se declaram não o ser de todo — que é aquilo que no fundo eu fiz ao escrever sobre o assunto. Ou seja, os bispos abrilhantados de dourados e pedras — que António de Lisboa e Pádua enfrentou publicamente considerando-os o pior exemplo que se poderia fornecer ao povo de Deus — poderiam defender-se com esta simples operação de retórica desonesta.<br />
Exacto, Alberto: experimente-se apenas dar, sem qualquer expectativa de recompensa — seja ela terrena ou nem por isso.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Alberto Nogueira</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4454</link>
		<dc:creator>Alberto Nogueira</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 16:41:34 +0000</pubDate>
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		<description>...dar para receber?
experimente apenas dar.
a vida é muito mais que uma negociata!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>…dar para receber?<br />
experimente apenas dar.<br />
a vida é muito mais que uma negociata!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Silvia Rato</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4444</link>
		<dc:creator>Silvia Rato</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 11:20:26 +0000</pubDate>
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		<description>António e Gonçalo,
Percebo o António quando associa a palavra humildade a uma imagem de miséria, velhice, abandono e dependência. Também foi assim que aprendi, ou que a vida me ensinou, já nem sei. Até que um dia fui acusada de não ser humilde.

Humilde? Perguntei eu estupefacta de sobrancelha arqueada e olhar esquinado. Desprezava a noção e de facto a palavra não fazia parte do meu pensamento e assim foi ficando por mais uns tempos. Mas a pouco e pouco fui-a integrando. 
Não no sentido cabal de oposto da ambição, da vaidade, ou do orgulho, como a define mais o Gonçalo. Não que eu não sou santa, nem quero ser. Mas mais talvez como um &quot;dar o braço a torcer&quot; de boa vontade, que nos permite aumentar a  empatia com o outro e nos dá capacidade de negociar - dar para receber - doseando os tais opostos.
Abraço a ambos</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>António e Gonçalo,<br />
Percebo o António quando associa a palavra humildade a uma imagem de miséria, velhice, abandono e dependência. Também foi assim que aprendi, ou que a vida me ensinou, já nem sei. Até que um dia fui acusada de não ser humilde.</p>
<p>Humilde? Perguntei eu estupefacta de sobrancelha arqueada e olhar esquinado. Desprezava a noção e de facto a palavra não fazia parte do meu pensamento e assim foi ficando por mais uns tempos. Mas a pouco e pouco fui-a integrando.<br />
Não no sentido cabal de oposto da ambição, da vaidade, ou do orgulho, como a define mais o Gonçalo. Não que eu não sou santa, nem quero ser. Mas mais talvez como um “dar o braço a torcer” de boa vontade, que nos permite aumentar a  empatia com o outro e nos dá capacidade de negociar — dar para receber — doseando os tais opostos.<br />
Abraço a ambos</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: pedro marta santos</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4439</link>
		<dc:creator>pedro marta santos</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 01:25:15 +0000</pubDate>
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		<description>A humildade é uma sublime manifestação de vaidade.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A humildade é uma sublime manifestação de vaidade.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: António Eça</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4435</link>
		<dc:creator>António Eça</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 00:19:50 +0000</pubDate>
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		<description>É verdade, Nini. Convidaram-me e eu apareci por aqui a rabear por entre os corpos gloriosos e quase translúcidos deste belo e sereno jardim. 
Mas não há problema, &#039;Beatlejuice&#039; não mora aqui...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>É verdade, Nini. Convidaram-me e eu apareci por aqui a rabear por entre os corpos gloriosos e quase translúcidos deste belo e sereno jardim.<br />
Mas não há problema, ‘Beatlejuice’ não mora aqui…</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: nini</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4432</link>
		<dc:creator>nini</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 23:48:14 +0000</pubDate>
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		<description>Que surpresa, realmente, o Cemitério cheio de vivos!?
António Eça, parabéns pelo texto; não deve ser fácil estar no meio desta Gente!
Humildade sem debilidades? Só escondida e percebida através dos olhos…</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Que surpresa, realmente, o Cemitério cheio de vivos!?<br />
António Eça, parabéns pelo texto; não deve ser fácil estar no meio desta Gente!<br />
Humildade sem debilidades? Só escondida e percebida através dos olhos…</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: António Eça</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4426</link>
		<dc:creator>António Eça</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 23:33:00 +0000</pubDate>
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		<description>Caro Gonçalo, claro que aceito a sua opinião - e até concordo com muito do que diz. Só que entre o conceito moral que entrevemos e a sua prática permanente, o estado de, existe (eu vejo) uma amálgama de direcções e vontades que, representando a humildade em diversos aspectos, escorregam facilmente para a auto-comiseração - ou para uma secreta satisfação com o céu ao fundo, ou mesmo para a humilhação masoquista de certo fatalismo.
Nada disto tem a ver com hagiologia ou com o desígnio divino.
Os gregos também inventaram a democracia tendo por base a moral da justiça, mas nem por isso a democracia - mesmo a do tempo - inscreveu sem dúvidas e em permanência a moral da justiça.
Sem qualquer humildade, reconhecendo apenas um facto visível, acho que somos realmente muito imperfeitos.
Daí a importância do transcendente que atribuo à vivência da humildade como estado de espírito.
Algo que para mim não é relativizável, talvez apenas por achá-la inatingível.
Obrigado pelo excelente comentário.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Gonçalo, claro que aceito a sua opinião — e até concordo com muito do que diz. Só que entre o conceito moral que entrevemos e a sua prática permanente, o estado de, existe (eu vejo) uma amálgama de direcções e vontades que, representando a humildade em diversos aspectos, escorregam facilmente para a auto-comiseração — ou para uma secreta satisfação com o céu ao fundo, ou mesmo para a humilhação masoquista de certo fatalismo.<br />
Nada disto tem a ver com hagiologia ou com o desígnio divino.<br />
Os gregos também inventaram a democracia tendo por base a moral da justiça, mas nem por isso a democracia — mesmo a do tempo — inscreveu sem dúvidas e em permanência a moral da justiça.<br />
Sem qualquer humildade, reconhecendo apenas um facto visível, acho que somos realmente muito imperfeitos.<br />
Daí a importância do transcendente que atribuo à vivência da humildade como estado de espírito.<br />
Algo que para mim não é relativizável, talvez apenas por achá-la inatingível.<br />
Obrigado pelo excelente comentário.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Gonçalo Pistacchini Moita</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4415</link>
		<dc:creator>Gonçalo Pistacchini Moita</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 22:41:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=8144#comment-4415</guid>
		<description>Pois, meu caro António Eça, discordamos. Alguém tem de fazê-lo para sairmos deste clima politicamente correcto em que fingimos livremente viver. 
Humilde é o que sabe ser pó e terra. É o que não se eleva a si próprio para além dela, rebaixando, nesse movimento, todo os outros. 
No domínio dos absolutos, diz o António que a humildade é coisa de santos? Talvez. Mas eu diria mais: é coisa divina, mais que humana. É propriamente coisa de Deus. No domínio moral, porém, no domínio do relativo (do que vive em relação), que é o nosso, a humildade concretamente existe. Todos temos exemplos dela. Mais: aprendemo-la, praticamo-la e conhecemo-la. 
A minha discordância, assim, não tem a ver com o bem notado ponto - lógico, aliás - segundo o qual o humilde não se exalta a si mesmo enquanto tal. Isso não quer dizer, porém - e aqui está o nosso primeiro desacordo - que ele não seja humilde e muito menos que essa sua humildade não seja consciente - e enquanto tal visível. 
O segundo ponto em que discordo é o da suposta teologalidade atribuída a esta virtude. Ela é virtude moral e não de fé. Já os gregos a defendiam como tal, por contraponto àquele que consideravam ser o pior dos defeitos: a hybris, o orgulho!
Vamos agora ver agora se o António reage combativo à discordância ou me aceita, humildemente, a opinião. :)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Pois, meu caro António Eça, discordamos. Alguém tem de fazê-lo para sairmos deste clima politicamente correcto em que fingimos livremente viver.<br />
Humilde é o que sabe ser pó e terra. É o que não se eleva a si próprio para além dela, rebaixando, nesse movimento, todo os outros.<br />
No domínio dos absolutos, diz o António que a humildade é coisa de santos? Talvez. Mas eu diria mais: é coisa divina, mais que humana. É propriamente coisa de Deus. No domínio moral, porém, no domínio do relativo (do que vive em relação), que é o nosso, a humildade concretamente existe. Todos temos exemplos dela. Mais: aprendemo-la, praticamo-la e conhecemo-la.<br />
A minha discordância, assim, não tem a ver com o bem notado ponto — lógico, aliás — segundo o qual o humilde não se exalta a si mesmo enquanto tal. Isso não quer dizer, porém — e aqui está o nosso primeiro desacordo — que ele não seja humilde e muito menos que essa sua humildade não seja consciente — e enquanto tal visível.<br />
O segundo ponto em que discordo é o da suposta teologalidade atribuída a esta virtude. Ela é virtude moral e não de fé. Já os gregos a defendiam como tal, por contraponto àquele que consideravam ser o pior dos defeitos: a hybris, o orgulho!<br />
Vamos agora ver agora se o António reage combativo à discordância ou me aceita, humildemente, a opinião. :)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: António Eça</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4404</link>
		<dc:creator>António Eça</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 21:33:23 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=8144#comment-4404</guid>
		<description>Claro que não, estimada Dobra. A santidade é fornecida pelos carteiros do Tempo, um título canónico que pouco importa a quem não faz parte do clube. E eu não faço. Servi-me apenas do exemplo mais radical e, para mim, o mais belo. Obrigado pela visita.
Alberto, meu irmão de armas!, sabes bem do que falas. Grande abraço!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Claro que não, estimada Dobra. A santidade é fornecida pelos carteiros do Tempo, um título canónico que pouco importa a quem não faz parte do clube. E eu não faço. Servi-me apenas do exemplo mais radical e, para mim, o mais belo. Obrigado pela visita.<br />
Alberto, meu irmão de armas!, sabes bem do que falas. Grande abraço!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Alberto Nogueira</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4402</link>
		<dc:creator>Alberto Nogueira</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 21:06:20 +0000</pubDate>
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		<description>Belo texto, o que já não estranho.

Penso que a humildade é apenas para iluminados. Se fôr natural e instintiva, não bajuladora nem servil, mas com personalidade e inteligência, estou certo que vira sarna para a arrogância se coçar de incómodo, e insónia para a vaidade.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Belo texto, o que já não estranho.</p>
<p>Penso que a humildade é apenas para iluminados. Se fôr natural e instintiva, não bajuladora nem servil, mas com personalidade e inteligência, estou certo que vira sarna para a arrogância se coçar de incómodo, e insónia para a vaidade.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Dobra</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4400</link>
		<dc:creator>Dobra</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 19:14:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=8144#comment-4400</guid>
		<description>Humildade: coisa que, existindo, não se proclama. Como os que dizem: &quot;sou muito honesto&quot;. Hummmm, começa logo mal a coisa, a frase, a ideia, o mascarado auto-conceito. Bom texto caro amigo. Como sempre. Só não sei se a humildade de que fala é apanágio apenas de quem subiu à santidade, mas prometo que vou pensar no assunto.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Humildade: coisa que, existindo, não se proclama. Como os que dizem: “sou muito honesto”. Hummmm, começa logo mal a coisa, a frase, a ideia, o mascarado auto-conceito. Bom texto caro amigo. Como sempre. Só não sei se a humildade de que fala é apanágio apenas de quem subiu à santidade, mas prometo que vou pensar no assunto.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: António Eça</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4399</link>
		<dc:creator>António Eça</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 18:22:32 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=8144#comment-4399</guid>
		<description>Obrigada!... Obrigada... (a voz é de Amália)
Joana: foi a primeira e disse algo de muito consolador.
Eugénia: é isso mesmo.
Manuel, querido amigo: percebeste muitíssimo bem.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigada!… Obrigada… (a voz é de Amália)<br />
Joana: foi a primeira e disse algo de muito consolador.<br />
Eugénia: é isso mesmo.<br />
Manuel, querido amigo: percebeste muitíssimo bem.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: Manuel S. Fonseca</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4398</link>
		<dc:creator>Manuel S. Fonseca</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 18:05:23 +0000</pubDate>
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		<description>Se bem percebi, a humildade não é a coisa nem o seu avesso. Acho que percebi até muito bem: quando se a exibe, prova-se que a não temos. Quando em alguém é visível, o que vemos não é como qualidade (platónica Ideia) é como deficiência de condição (cópia ou simulacro do conceito).  Único remédio: a santidade. Diz-nos isto Santo António Eça que leva meninas ao colo em Paranhos! Lindo, claro.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Se bem percebi, a humildade não é a coisa nem o seu avesso. Acho que percebi até muito bem: quando se a exibe, prova-se que a não temos. Quando em alguém é visível, o que vemos não é como qualidade (platónica Ideia) é como deficiência de condição (cópia ou simulacro do conceito).  Único remédio: a santidade. Diz-nos isto Santo António Eça que leva meninas ao colo em Paranhos! Lindo, claro.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: Eugénia de Vasconcellos</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4397</link>
		<dc:creator>Eugénia de Vasconcellos</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 18:04:56 +0000</pubDate>
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		<description>Interessante, António Eça. Muito bem desmascarada, a humildade, como convém na data.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Interessante, António Eça. Muito bem desmascarada, a humildade, como convém na data.</p>
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		<title>Por: Joana Vasconcelos</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/02/humildade/comment-page-1/#comment-4396</link>
		<dc:creator>Joana Vasconcelos</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 17:31:36 +0000</pubDate>
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		<description>Fantástico, António!

Gostei muito deste magnifico texto, que tão biblicamente exalta os humildes e aos famintos mortos deste cemitério enche de bens – porque nos mostra o essencial da difícil virtude da humildade e porque nos lembra o longe que andamos dela!  

Yessss! Fui a primeira!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Fantástico, António!</p>
<p>Gostei muito deste magnifico texto, que tão biblicamente exalta os humildes e aos famintos mortos deste cemitério enche de bens – porque nos mostra o essencial da difícil virtude da humildade e porque nos lembra o longe que andamos dela!  </p>
<p>Yessss! Fui a primeira!</p>
]]></content:encoded>
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