Diz-se que o mundo é uma aldeia. Diz-se assim, por dizer. No entanto, segunda-feira passada, ao apanhar em Milão, o voo 45J da Continental com destino a Newark, encontro para meu espanto, sentado na primeira fila da classe económica, o meu novo amigo, Rossano Sportiello, o virtuoso Italian piano player sobre o qual aqui deixei um post à umas semanas atrás.
–Maestro Sportiello, buon giorno! Mi presento di nuovo! Questa è una coincidenza pazzesca! Non so se lei si ricorda di me.… — começo timidamente.
–Per Baco! — responde com um sorriso – Ma certamente! A New York! Da Smalls! Ma che mondo piccolo questo…..!
Pergunto-lhe que coisa veio fazer a Itália. Responde que esteve em Berna a tocar num clube e que aproveitou para vir a Milão ver a família. Regressa agora a sua casa, em Nova Iorque. A mesma simpatia e modéstia que recordava. Apertamos as mãos, desejamo-nos mutuamente un buon viaggio e volto ao meu lugar. Sinto-me quase em culpa por viajar em business enquanto um novo talento do Jazz mundial, tenha que penar encolhido em classe económica. Até lhe deve fazer mal à circulação dos dedos, pensei provincial. Por momentos considero voltar atrás para em reverência lhe oferecer o meu lugar, mas contenho-me face ao ridículo que a situação poderia criar.
No entanto uma coisa tinha que fazer.
E embora correndo o risco que o meu pianista pudesse pensar que tinha pela frente um groupy obcecado, um verdadeiro stalker intercontinental, agarro nuns papéis de extraordinária importância que tinha ali à mão e que tinha imprimido para ler durante o voo, e vou pedir-lhe um autógrafo.
Deixo-o aqui para que todos confirmem que talvez e afinal, não existam mesmo coincidências.

PS: Deixou-me a sua morada virtual. Mora aqui.

















Que delícia de encontro…o máximo que encontrei num voo foi o grupo Scorpions…e fiquei bem quieta no meu lugar…
Liiindo!
Vasco, visto que este extraordinário evento ocorreu quando, previdente e laborioso, te propunhas lançar mãos ao teu episódio do extraordinário folhetim — o print autografado fala por si … — será que o caminho do atormentado Francisco vai cruzar-se com o de um virtuoso italian piano player?
E, per Baco, será que o mesmo Francisco vai descobrir-se afinal a) pai b) irmão c) amigo de infância do mesmo? Em NY?
Terás que esperar por Domingo, Joana.…… Tu, e eu, pois a semana foi agitada, cheguei a casa esta manhã bastante jet-legged e os novelos que o Diogo deixou por desenrolar vão ser um desafio Omérico.…..
Que belo encontro, Vasco. E que autógrafo tão divertido.
Espero que lhe sirva de boa fonte de inspiração para o folhetim :)
VASCO! Já passa da meia noite, tenho tanto sono que me vou transformar numa abóbora, ou lá o que é, enquanto espero o folhetim.
Eugénia, também eu estou aqui a cair de sono. Já li o post do Diogo sobre a menina moribunda e o enfermeiro, o que não me ajudou nada, apesar de a música ser catita. Acho que vou lá acima solidarizar-me com a Nini … Daqui a pouco desisto, amanhã vou estar morta de sono o dia todo …