É melhor dois do que um só

 

Marc Chagall, Lovers in the lilacs

 

É melhor dois do que um só: tirarão melhor proveito do seu esforço.

Se caírem, um ergue o seu companheiro.

Mas ai do solitário que cai: não tem outro para o levantar!

E se dormirem dois juntos, dormem quentes;

mas se alguém está só, como se há-de aquecer?

Se um só é oprimido, dois já conseguem resistir a isso;

o cordel dobrado em três não se parte facilmente.

Eclesiastes, 4, 9–12 

Comentários a “É melhor dois do que um só” (12)

  1. António Eça diz:

    A sacralização do empirismo em palavras belas e simples.
    Gosto particularmente da progressão final: já não são apenas dois.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Olá António, acho graça a este texto. Gostei muito do seu comentário, em especial da observação sobre a enigmática parte final que, confesso, me deixa sempre um pouco intrigada.

  2. António Eça diz:

    Joana, é simples aritmética do amor: um mais um igual a três…

  3. António Eça diz:

    Ou, se quiser, eu, tu e o nosso amor — que, com aceitável frequência, se materializa no filho.

  4. Joana Vasconcelos diz:

    António, eu também o entendo assim, mas volta e meia dou por mim a pensar se não terá qualquer outro cabalístico significado. Provavelmente não.

  5. António Eça diz:

    Eu acho que não…

  6. Orcama diz:

    Recordem — quem para isso tiver idade — aquela parábola do molho de vides, dos livros de leitura da então instrução primária…

  7. Joana Vasconcelos diz:

    Olá Orcama, gosto muito dessa parábola, apesar de os meus livros de leitura da primária terem sido já muito à base de Soeiro Pereira Gomes, Alves Redol e afins … Invoco-a amiúde às minhas filhas, para lhes explicar que o normal e saudável hábito de zaragatear nunca por nunca deverá pôr em causa a união das três diante de terceiros — sejam eles quem forem.

    • Orcama diz:

      Não será desavisado ser um tanto mais abrangente… Na minha opinião de “outsider” há que lutar contra os pseudo-modernos conceitos redutores de família.

  8. Joana Vasconcelos diz:

    Orcama, agora perdi-me! De que fala o meu subtil padrinho? Do texto? Das vides? Que pseudo-moderno conceito? Peço-lhe que se explique um pouco mais que eu, como já deve ter percebido, ente minhotas e santas, sou boa a apanhar tudo trocado … :)

  9. Orcama diz:

    Falo de Família, cara Joana Vasconcelos, e da abrangência que ela deve encerrar. União perante terceiros? seria melhor dizer perante estranhos. Para mim é fundamental ter um conceito extensivo de família, à “africana”. Modernamente, deixa-se a família pelos progenitores e irmãos, sem mais, e isso não é bom. Deixa-nos aquela retaguarda segura a que já se referiu, muito diminuída. E a família, tal como a amizade, cultiva-se. É o que eu acho. Foi só aquele seu — sejam eles quem forem — que me despertou este arrazoado…

    • Joana Vasconcelos diz:

      Não posso concordar mais consigo, caro Orcama. Venho de duas famílias grandes, em que são intensos e muito fortes os laços que unem os vários ramos e as várias gerações. E é bom viver e sentir isso. Mas eu vou mais longe nesta matéria: família é antes de mais e acima de tudo afecto, dedicação, cuidado, lealdade. Por isso tendo a alargar o conceito de modo a incluir todos aqueles (não muitos, como imagina) que também são família, naquilo que verdadeiramente conta (e o mesmo sucede the other way round: os meros laços “de sangue”, desacompanhados de substância, de pouco ou nada valem).

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