Marc Chagall, Lovers in the lilacs
É melhor dois do que um só: tirarão melhor proveito do seu esforço.
Se caírem, um ergue o seu companheiro.
Mas ai do solitário que cai: não tem outro para o levantar!
E se dormirem dois juntos, dormem quentes;
mas se alguém está só, como se há-de aquecer?
Se um só é oprimido, dois já conseguem resistir a isso;
o cordel dobrado em três não se parte facilmente.
Eclesiastes, 4, 9–12

















A sacralização do empirismo em palavras belas e simples.
Gosto particularmente da progressão final: já não são apenas dois.
Olá António, acho graça a este texto. Gostei muito do seu comentário, em especial da observação sobre a enigmática parte final que, confesso, me deixa sempre um pouco intrigada.
Joana, é simples aritmética do amor: um mais um igual a três…
Ou, se quiser, eu, tu e o nosso amor — que, com aceitável frequência, se materializa no filho.
António, eu também o entendo assim, mas volta e meia dou por mim a pensar se não terá qualquer outro cabalístico significado. Provavelmente não.
Eu acho que não…
Recordem — quem para isso tiver idade — aquela parábola do molho de vides, dos livros de leitura da então instrução primária…
Olá Orcama, gosto muito dessa parábola, apesar de os meus livros de leitura da primária terem sido já muito à base de Soeiro Pereira Gomes, Alves Redol e afins … Invoco-a amiúde às minhas filhas, para lhes explicar que o normal e saudável hábito de zaragatear nunca por nunca deverá pôr em causa a união das três diante de terceiros — sejam eles quem forem.
Não será desavisado ser um tanto mais abrangente… Na minha opinião de “outsider” há que lutar contra os pseudo-modernos conceitos redutores de família.
Orcama, agora perdi-me! De que fala o meu subtil padrinho? Do texto? Das vides? Que pseudo-moderno conceito? Peço-lhe que se explique um pouco mais que eu, como já deve ter percebido, ente minhotas e santas, sou boa a apanhar tudo trocado … :)
Falo de Família, cara Joana Vasconcelos, e da abrangência que ela deve encerrar. União perante terceiros? seria melhor dizer perante estranhos. Para mim é fundamental ter um conceito extensivo de família, à “africana”. Modernamente, deixa-se a família pelos progenitores e irmãos, sem mais, e isso não é bom. Deixa-nos aquela retaguarda segura a que já se referiu, muito diminuída. E a família, tal como a amizade, cultiva-se. É o que eu acho. Foi só aquele seu — sejam eles quem forem — que me despertou este arrazoado…
Não posso concordar mais consigo, caro Orcama. Venho de duas famílias grandes, em que são intensos e muito fortes os laços que unem os vários ramos e as várias gerações. E é bom viver e sentir isso. Mas eu vou mais longe nesta matéria: família é antes de mais e acima de tudo afecto, dedicação, cuidado, lealdade. Por isso tendo a alargar o conceito de modo a incluir todos aqueles (não muitos, como imagina) que também são família, naquilo que verdadeiramente conta (e o mesmo sucede the other way round: os meros laços “de sangue”, desacompanhados de substância, de pouco ou nada valem).