6 de Fevereiro de 2010
Hoje, sobre a mesa essencial, o altar, só a toalha de linho branco, o pão, o vinho e os braços de luz acesos, as velas: o pavio é o coração das estrelas, assim, sobre nós vieram os sóis do firmamento decantar o sangue para conhecer das horas só a verdade, a boca de vida que morde a morte na boca, circular e perfeita. Igual, o amor, no outro altar dos três, mesa, cama, palavra, sempre génese sempre túmulo. Tinha à frente, tenho ainda, a pedra de Inês e Pedro, olhos nos olhos, eles, luz desde o lodo até às pétalas desabrochadas a cinzel, last till the end of time, my love, mesmo no silêncio da pedra se ouve o beijo da boca de vida que morde a morte na boca, our joy would fill the earth — alegria: lugar perfeito para nascer em cada morte. Todos os amantes querem os olhos nos olhos para existir completos, completamente, e provar Deus no beijo — beijo: perdido novelo de mim e de ti, sem saber que língua é de quem quando o céu se abre, devagar, devagar, doce docemente, assim se abrem os lábios lambidos de uma ternura toda, obscena e pura, à procura, novelo, sem saber o que é de quem, até que a fúria passe estreita, corrente lenta, entre os dedos, i felt the earth move through my hands like the trembling heart of a captive bird. Pedro e Inês dormem juntos o nosso sonho de não sermos até que a morte nos separe, porque se em vida uma só carne, sempre uma só. É muito fácil o amor assim. É o mais fácil amor: só sede de e só água em. É por isso que o mar de mim se abre num sulco claro e bem navegado, ainda que tema, e eu temo, mesmo uma pequenina sombra, se inesperada, me assusta, temerária não sou, vou adiante na mesma. Tremo. Vou adiante. A minha fé nasce da minha carne: se não for tudo não quero nada. Quando morrer quero que me deitem ao lado do meu amor.

















Comoveste-me tanto!
Que lindo…não tenho nem o que dizer..é contundente!
MJC, Turmalina, que bom que gostaram. Merci.
Fiquei mais bem disposto depois de ouvir o Cash. Gracias, E. V.
De rien, PMS. Se o dispôs bem, fico contente.