Vasco, sugiro que te dirijas directamente ao São Valentim ou ao São Gonçalo de Amarante (se o casamento estiver no teu horizonte e já tiveres passado os 30) e que inclusive apresentes, sendo o caso, algumas especificações que te pareçam importantes. Também podes deixar inteiramente ao critério dos santos, mas depois não te queixes …
Tanta conversa e ninguém a namorar!!! Ninguém manda beijinhos, nem mãos vagabundas ou ameaças de algum amasso. Isto já nem é castidade, é pudicícia, que não é bem a mesma coisa por mais que o dicionário venha com meneios de sinonímia.
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com a letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas.
sua pele macia — era sumaúma…
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
tão rijo e tão doce — como o maboque…
Seu seios laranjas — laranjas do Loge
seus dentes… — marfim…
Mandei-lhe uma carta
e ela disse que não.
Mandei-lhe um cartão
que o Maninjo tipografou:
“Por ti sofre o meu coração“
Num canto — SIM, noutro canto — NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou.
Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigénia,
me desse a ventura do seu namoro…
E ela disse que não.
Levei à avó Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu…
E o feitiço falhou.
Esperei-a de tarde, à porta da fábrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficamos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos…
falei-lhe de amor… e ela disse que não.
Andei barbado, sujo, e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
” — Não viu…(ai, não viu…?) Não viu Benjamim?“
E perdido me deram no morro da Samba.
E para me distrair
levaram-me ao baile do sô Januário
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso às moças mais lindas do Bairro Operário
Tocaram uma rumba dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: “Aí Benjamim!“
Olhei-a nos olhos — sorriu para mim
pedi-lhe um beijo — e ela disse que sim.
Aí Mr. Orcama! Mas muadié onde é que estão agora as duias mais lindas do bairro operário? Hmmmm (esse é então muxoxo que quitandeira mesmo zangada) hoje não tem mais carta, nem afagar de mão!
Manuel, não stresse, mas por mais que procure, não encontro o seu alegado post de São Valentim … Vai-se a ver e é algum problema com o meu computador .…
O Manuel Fonseca, José Régio que me perdoe, só está bem a criar desumanidade! A sua glória é lançar, não perfumes, mas venenos!
1. Eu logo namoro quando São Gonçalo me arranjar um rapaz que apeteça namorar;
2. O Vasco disse que sim, que queria namorar e deve ter ido fazê-lo;
3. O Orcama deixou um lindo poema declaração;
4. Quem não fala de namoros, quem é? É quem chama Pandora ao primeiro toque de mão em feminina perna. Não sei que desgraças lhe sucederam..
5. A Joana já lhe diz o bom e o bonito.
Eugénia, ainda bem que chegou! Já viu o que para aqui vai? O sermão? E os protestos de injustiça ao ser acusado — justamente — da omissão que aos outros censura? E viu aquele post lá em cima, mix de Quando Eu Era Pequenino com o texto do Ruy?
Ui Eugénia, que killing everybody soflty a menina vem. Fique a saber que a única humanidade é a do conflito: beijos arrancados a tanto não que só quer dizer sim. E não se encante com o Orcama que a história dos feitiços e joelhinhos no chão é só para disfarçar. Isso é coro de rapazinho de Benguela (donde, julgo, era o Viriato da Cruz que escreveu o poema.
Ah, Joana, Braços estraçalhados não lhe chegam? Vá lá, arranque também corações.
Os corações não se arrancam — conquistam-se ou destroçam-se. Mas para isso é preciso que não sejam de pedra (esta parte, a bold), MSF, que nem com o São Valentim arrepia caminho!
Eugénia, já viu a insidiosa maldade para com o estimado Orcama? A dizer que ele é um tigre de Benguela…
Por falar em tigre, começa hoje o Ano do Tigre no Calendário Chinês. Melhor que o São Valentim aqui do blog e o Carnaval em geral …
Nos signos chineses há umas coisas ao contrário — os porcos são diligentes e espertos, as cabras são amáveis e dóceis, but some things never change: as Serpentes são Sempre Sinistras (a bold, esta parte dos SSS) …
“O «S» é a sepente no jardim do poeta. O «S», que tem forma de serpente. Há que evitar o seu assobio, sempre que se possa” J.L.Borges in Borges el memorioso, 1982.
Eugénia, não seja queixinhas, o Orcama percebe perfeitamente: sabe que cede a alguns meios para atingir certos fins. Nem todos são puros e cristalinos como eu, o que é que julga.
Joana, já não lhe bastam as mitológicas desgraças ocidentais, agora também vai desatar a lançar dragões de papel aqui no blog?
Manuel: pões-te a jeito e depois é a carnificina!
Com elas (as mulheres em geral, que não estou a particularizar) o confronto másculo, directo, não funciona. É preciso insídia, subtileza e, acima de tudo, saber camuflar tão bem a mentira como a verdade…
Ó António, vê-se mesmo que tens a idade que tens e te encostaste ao sistema. Não é nada disso, homem. Não te venhas também fazer de santinho. Behave lika a man, como dizia Don Corleone.
António Eça, Orcama, caríssimos, estou solidária convosco: é verdade que MSF vos desconsiderou em praça pública. Tomem a desconsideração pelo que é, um elogio.
Já estou com tonturas. Ando sozinho a responder aqui e lá em cima onde pus a mão na coxa da menina. Não dá. Agora já só respondo por mim no post acima. Ah, mas levei a mal os SSS da Joana. Quer ver que também é Serpente, mas como é feminina coisa e tal, é tudo bondades e doçuras… Pois sim!
Eu explico: o Zodiaco chinês tem 12 animais. Cada animal corresponde a um ano. Tem-se o signo do ano em que se nasceu. Ao saber-se o signo de alguém, fica-se a saber a sua idade. E sem margem para grande erro, pois as alternativas ou são 12 mais ou 12 menos
Anos da SSSSerpente: 1953 — 1965 — 1977 — 1989 — 2001 … Got the general idea?
Ah, os “seus” eram deles, não meus. Estou mais descansado, caso contrário anunciava-se tormenta na Bounty. Coisas minhas, Joana, que por acaso nem sou supersticioso.
Manuel, já cheguei tarde. Mas estou aqui para dar o corpo às balas. Solidariedade masculina, está claro. Agora, por experiência, o melhor que sei fazer é amuar um bocadinho. Depois elas zangam-se mais ainda e passado um dia, ou assim, eu lá lhes peço desculpa, arrependido, sem que nunca chegue bem a perceber porquê: nem a razão aparente da zanga, da qual já me esqueci; nem a razão verdadeira, que elas nunca me dizem qual foi e eu nunca percebo qual é. Conta comigo.
Que a equanimidade se faça presente e prospere entre as hostes em presença!
Tratou-se apenas de uma representação de Salaventim — tipo realismo fantástico — que esta semana percorre o blogue (atente-se nestes comentários, nos outros acima e no folhetim).
Por outro lado, estamos em presença, tão sómente, de um dos métodos de abordagem, hedónica quanto baste, em curva e contra curva, isto é, em “S”, do nosso irrequieto e imaginativo Manuel “Surucucu” Fonseca, razão pela qual, ontem, preferi ficar de fora a observar, com a minha já consabida tranquilidade Maughamiana…
Caro Gonçalo Pistacchini Moita, os “tiros” das nossas dilectas e travessas autoras são de pólvora seca. Nem “pum” fazem, ficam-se pelo “pfff”… mas que dão luta e contribuem denodamente para o foguetório, disso não há dúvidas. E nós… não gostamos?
Orcama, bom esforço, mas a verdade é que protestatio contra factum non valet… Aquele seu Borges aos SSS de ontem foi realmente muito apropriado. E o timing perfeito…
Gonçalo, leia e releia os registos do que ontem se passou nestas trincheiras (e nas do outro post da mãozinha), veja o serpentês tratamento que o Manuel SóVisto Fonseca dispensa aos seus remanescentes apoiantes e repense lá bem essa sua arrebatada oferta de corpo às balas … que seguramente serão de (un)friendly fire …
Pois… mas já Borges também dizia: “Os factos não nos exprimem perfeitamente. Não se deve julgar a árvore pelos seus frutos, nem o homem pela sua obra. Já Stevenson disse que o homem pode matar e não ser um assassino.”… in Borges el memorioso.
Sou Dragão, sim senhor, sou a serpente alada. Nunca uma serpentina carnavalesca e praticamente rastejante que cita o péssimo Corleone por dá cá aquela palha, Borges por cada vez que ouve falar em Deus e a «lábil curva» quando quer impressionar meninas…
E toclas!…
Bingo! Tombola! dilecta Eugénia de Vasconcellos, outro post a suplantar os cinquenta comentários!
Qualquer dia vão ser expulsos do Hades por infracção à Lei do Ruído. Este blogue mais parece uma aldeia gaulesa, com o nosso irrequieto Manuel a fazer de Astérix…
Desenterremos os mortos se queremos cuidar dos vivos. "É Tudo Gente Morta" é um blogue. A vaga ideia que inspira o título é a celebração das pessoas a quem muito devemos, mais nos deslumbraram e, peganhentos, amamos ou amámos (passe a cacofonia). Com raras e conspícuas excepções é tudo gente que já morreu.
O "É Tudo Gente Morta" quer-se hedonista: preferimos ser hagiográficos a críticos.
Pode, numa linha anti-Tratactus, falar-se de tudo: aquilo de que não se pode falar não tem, Mr. Wittgenstein, de ficar em silêncio. Pode fotografar-se. Ou desenhar-se. Tudo com destemperada elegância e liberdade de espírito.
Cabem no blogue derivas (ai Lyotard, Lyotard) que vão de gostos musicais até dramas futebolísticos, passando por religião, sexo, pintura, literatura, antropologia, política, economia, matemática, ciência, filosofia, trivialidades. Dissemos sexo? Dissemos! Mas queríamos dizer amor.
O blogue é nómada. Assente no triângulo Lisboa, Cascais, reyno dos Algarves, abriu também delegação nos USA, doce Itália, e Brasil dos nossos sonhos. Temos o confesso desejo de futura lança em África. Prometemos ainda transumância zen de Macau ao Cambodja, Hong Kong ao Vietnam.
É evidente, caramba, que escreveremos, em cândido assassinato que seja, sobre a actualidade e sobre os mais vivos dos criadores vivos.
Caros leitores, escrevam também: os comentários são livres e bem vindos. A título de disclaimer: serão apagados os que constituam ofensa ad hominem gratuita e abusiva.
Memento mori.
Instruções
Semanalmente, um querido morto é destacado. Os anteriores homenageados estão no nosso Cemitério, acessível com um simples clique no título "Queridos Mortos"
O nosso arquivo, é um rol de títulos. Achamos que fica bonito assim. Talvez pouco prático, mas bonito. Pode sempre consultar a lista por meses e, aí sim, os posts estão ordenados e com o texto completo, de forma mais legível.
O folhetim / Cadavre Exquis é uma história a várias mãos. Semanalmente sai um novo texto. Estão listados na barra lateral e poderá lê-los de forma contínua carregando no título da secção "Cadavre Exquis".
Tenho muito, muito mau feitio, um génio desalmado que me incendeia e sobe a tensão. Vá lá, Deus deu-me por junto um bom humor crónico como uma doença. Adoro romancistas, ensaístas, poetas e dramaturgos chatos como a potassa, queria ter todo o Eduardo Lourenço, e não tenho, todo o Larkin, todo... - o insuportável Cabral de Melo Neto está completo, parece. Tenho fraqueza por Cristina Campo e Adélia Prado. Era capaz de fazer mal ao Herberto Helder. Sou pirosa e conservadora, porém, no mau sentido, ie, gosto de sapatos de verniz e acho que o sexo só condiz com o amor. Ora isto é mau: quase nunca está na moda usar sapatos de verniz e sofro de uma horrível dificuldade amadora. Enfim, é como tudo, forma o carácter. Porque isto é pouco, o amor dá-me nervos porque me descontrola os níveis de ciúme que eu finjo não ter e faz-me tão peganhenta que dá náuseas. Odeio. Não sou loura, não tenho 1.75m e 50 Kg, não ponho o cabelo de outras pessoas em extensões, a silicone dentro do corpo mete-me medo, não uso copa C, não tenho um rabinho de um palmo. Já fui mais nova, mais bonita, rija e anti gravítica, agora sou mais gira e mais feliz. Se tenho instinto maternal, nunca o vi, dou-me bem com o meu sobrinho porque ele é terrível, com crianças porque as compreendo. A maior parte das pessoas dá-me seca. Gostar, gostar, gosto de café e de andar de bicicleta. Perfeito é o meu cão.
Gosto de brincar ao faz-de-conta e de andar nas nuvens. Desta janela de avião é fácil ser papagaio de papel. Ou papelão. Caloroso e leve, cabeça de vento. Mas com peso bastante para ares salgados e voos altos (nem que sejam só sobre o globo da mesa-de-cabeceira). Bico afiado para repastos lentos. Penas soltas para tinteiro e tela. E erva branda para o tombo certo...
Sou feliz. Muito. E gosto. Fui abençoada pelo meu Criador com uma capacidade, até ver infinita, de desfrutar em pleno cada momento que passa, de descobrir um lado positivo em tudo o que de bom e de menos bom me vai acontecendo, de rir do irresistível absurdo das situações mais tensas ou dramáticas. Sempre suspeitei – e a vida tem-mo confirmado – que nunca nada acontece por acaso, que tudo tem o seu tempo e que, no limite, tudo faz sentido. Difícil, às vezes, é percebê-lo. E aceitá-lo. Agrada-me a ideia de que, ainda assim, a minha parte está por fazer e que muito depende das minhas escolhas e decisões, do meu trabalho e do meu esforço. Sinto que o melhor desta vida ainda está para vir. E, por isso, gozo o presente com alegria e esperança. Quanto ao passado, recordo-o com ternura, alguma saudade e quase nenhum remorso. Acredito que a morte não é o fim e que me está reservado um belo final, eternamente feliz. Mas, por ora, heaven can wait...
Neste blog amortalhado,
De alegres e vãos mortais,
Me confesso, eu, condenado
Pela mortandade dos pais –
Lázaro ressuscitado,
Morredoiro uma vez mais:
Sou mortal, por nascimento,
Por vocação, mais de além,
Que a morte, no esquecimento,
Nem toda a vida contém.
Hedonista desregrado,
Com maior dor que prazer,
Sportinguista moderado
(para não deixar de o ser),
Português, cantando o fado,
De um Portugal por fazer…
E em tudo isto interessado
Em preparar meu morrer!
A minha tendência para celebrar os mortos começou quando, ainda mal entrado na adolescência, ouvi o “Atmosphere”, dos Joy Division. Casei com o Direito, a quem jurei compromisso para a vida na condição de me deixar ir, noite fora, para os braços de uma amante misteriosa, de múltiplos disfarces e estilo indie, que me leva às campas dos meus imortais de estimação. Pela mão de Buzzati, fui ao Deserto dos Tártaros, onde não se passa absolutamente nada a não ser esperar pela morte, e de onde consegui sair para mudar a minha vida. Fui condenado por romantismo pueril por me emocionar com histórias de amor belas e simples mas a minha pena acabou por ser atenuada por ter sido apanhado vezes sem conta a (tentar) decifrar anões do Lynch. Já não sei se sou de direita ou de esquerda mas tenho pavor da cultura à solta no mercado. E vivo em pânico de, no dia em que o “mal de vivre” me visitar, o anjo Clarence nada ter para me mostrar. Mal me ficaria terminar a história da minha vida sem dizer, alto e bom som, sim, sou orgulhosa e apaixonadamente do Benfica.
Tive um bisavô Galego e um tio avô monárquico. Uma avó beata e uma vinda de Toulouse. Um avô germanófilo e um outro mais cinéfilo. Tenho um pai intercontinental, uma mãe literária, uma mulher “workaholic” e dois filhos já demasiadamente Italianos. Não resisto a uma temperada e crocante chamuça mas não gosto de peixe no forno nem de coloridas gelatinas de bacalhau. Já marchei em Tancos, já trabalhei numa fábrica no Cairo, já remei em Titicaca, já tomei banho nas praias de Goa e já cantei karaoke em Xangai. No entanto ainda me falta muito para lá chegar. Os meus melhores amigos consideram-me um lírico, hipócrita e fantasista. Leio furiosamente, ouço de tudo, vejo o que posso e tendo a sonhar mais do que devia. Lisboeta de corpo e alma. Sempre. Até que a morte nos separe.
Vim ao outro lado do Atlântico ver como é a América, ao mesmo tempo que aprendo a aprender sobre o mundo das pequenas peças que nos compõem. Não gosto de abreviaturas, mas gosto de palavras novas. Leio muito menos do que devia, ainda assim encontro tempo para não ter de dizer que não a uma empada de pato do Natário. Há dias em que gasto horas a ouvir umas músicas dos anos setenta que estavam numa cassette que o meu pai nos deixou como herança. Não sei se gosto mais da vida aos bocadinhos se dos bocadinhos da vida. Quando volto a casa, ligo sempre o rádio para ouvir queixumes e depois, espero que Lisboa se esvazie para ir ouvir o seu silêncio.
Idade: 41
Sexo: bem, obrigadinho
Actividade: curador e epicurista de guiões
Sonho: molhado ( o elixir que conserva o brilho do Oscar é escorregadio)
Frustração: não ter o sorriso do Robert Redford, o instinto do Robert Towne, a delicadeza do Robert Frost e a inteligência do Roberto Baggio
Saudade: do avô paterno
Vício: identificar o número de cenas de filmes do Ford em que aparece o Victor McLaglen (há também as cenas em que Victor apenas se ouve, resmungão, em off)
Palavra: dignidade (lembro-me sempre dela quando sou indigno)
Mulher: a minha - pérfida conspiradora de uma máquina esquerdista intitulada "Jugular" - e as de Tamara de Lempicka
Objectivo: o azul esplendor da preguiça
Em 2009 dobrei a crista dos 50 e não corro ao engano: agora é que vai começar a montanha russa.
Não interessa onde nasci e sempre vivi; sou mesmo é de Vale Paraíso – um nome destes não se perde.
Sou sportinguista, sei olhar o infortúnio de frente, como parte da natureza das coisas. Isto dá blindagem em vez de insuflar.
De um ponto de vista da taxonomia social pertenço ao “neues prolektariat”, desempenhando a parte que me cabe com escrúpulo e, muitas vezes mesmo, com alacridade. E gravata quando é preciso.
Ele há outros temas candentes há, mas o que for, adiante se verá.
Sou um experimentalista caótico. O meu método é uma inexplicável fé de que a maioria dos problemas se resolve por si. Sou também um poço de vícios: falar alto (sou um pouco surdo), ter galharda opinião sobre quase tudo, ser especialista em generalidades e acreditar que tenho montes de razão na maioria dos casos são apenas algumas das características com que, cheio de prosápia, irrito familiares e amigos. Também sou preguiçoso.
Gosto de escrever, de ler, pintar, pescar e adorava ter uma quinta a sério (a ideia de Farmville enfastia-me até ao absurdo).
Teria com prazer feito vida em África, que conheci na guerra colonial, e gostava de ter estado no lugar de Pigafetta.
O meu poeta preferido é o ultra-cristão e hoje quase desconhecido Patrice de La Tour du Pin.
Nunca me vi de perfil mas garantem-me que não perco grande coisa. Não troco uma boa imperial por nenhum champanhe do mundo e desconfio de todos os livros com menos de trinta anos. Sei de um corvo chamado Laércio, deixei crescer a barba para me fazer de rijo mas continuo a ler o «Blake & Mortimer» às escondidas. Quando for grande hei-de de jogar à bola como o Chalana e o Super Maxi vai voltar a chamar-se Maxi Delicô. Quanto ao mais, cinema mudo sueco, Oscar Peterson e uma inconfessável Simpatia pelo Diabo. Assim como assim, antes morto do que meio vivo.
Já vivi duas vidas.
A primeira – ilegítima, cruel e inocente – dizem que foi numa África a-histórica, terra obscura que mapas e viajantes omitem. Ficou-me, indelével e colonial, o hábito de ser feliz.
Vivo agora a segunda: hedónica, nonchalante, inviável e sem esplendor. Uma vida de gostos sonâmbulos: editar livros e produzir filmes. Nova vida, o mesmo destino: o amor de tudo querer amar, um peregrino optimismo.
Adorava morrer de golo de ouro. Quem gosta muito de futebol de “mata, mata” e já conheceu o medo da inapelável perda ou a glória infinita de ganhar, saberá do que falo.
Fascinam-me os mais sórdidos textos de Borges e Larkin, a brancura ideológica dos filmes de Ford.
Acho, devo ser de esquerda.
ficou-lhe essa…
E porquê? Quem foi que trouxe o irresistível Salventim desde Vale Paraíso até este cemitério? Foi você, JNA!
E às costas, o que me deixou altamente impressionada…
Não o fez por menos, Joana, o nosso JNA… às costas.
E ninguém responde à pergunta?
A minha resposta é sim!
Quem pergunta?
Vasco, sugiro que te dirijas directamente ao São Valentim ou ao São Gonçalo de Amarante (se o casamento estiver no teu horizonte e já tiveres passado os 30) e que inclusive apresentes, sendo o caso, algumas especificações que te pareçam importantes. Também podes deixar inteiramente ao critério dos santos, mas depois não te queixes …
O São Valentim estará no Facebook? Vou indagar.…..
Tanta conversa e ninguém a namorar!!! Ninguém manda beijinhos, nem mãos vagabundas ou ameaças de algum amasso. Isto já nem é castidade, é pudicícia, que não é bem a mesma coisa por mais que o dicionário venha com meneios de sinonímia.
Olá Manuel! E porque não inicia as, por assim dizer, hostilidades? Ou será que só prega, como Frei Tomás?
Está a ser injusta (como sempre!!!!!!!!!) com o inocente post que deixei agora mesmo.
Manuel, que dramático! Só falta pôr os pontos de exclamação a bold…
Vou ver o post e já volto.
Namoro, por Viriato da Cruz, poeta angolano
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com a letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas.
sua pele macia — era sumaúma…
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
tão rijo e tão doce — como o maboque…
Seu seios laranjas — laranjas do Loge
seus dentes… — marfim…
Mandei-lhe uma carta
e ela disse que não.
Mandei-lhe um cartão
que o Maninjo tipografou:
“Por ti sofre o meu coração“
Num canto — SIM, noutro canto — NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou.
Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigénia,
me desse a ventura do seu namoro…
E ela disse que não.
Levei à avó Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu…
E o feitiço falhou.
Esperei-a de tarde, à porta da fábrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficamos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos…
falei-lhe de amor… e ela disse que não.
Andei barbado, sujo, e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
” — Não viu…(ai, não viu…?) Não viu Benjamim?“
E perdido me deram no morro da Samba.
E para me distrair
levaram-me ao baile do sô Januário
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso às moças mais lindas do Bairro Operário
Tocaram uma rumba dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: “Aí Benjamim!“
Olhei-a nos olhos — sorriu para mim
pedi-lhe um beijo — e ela disse que sim.
Fonte: betogomes.sites.uol.com.br
Lindo! Eu este já conhecia, cantado pelo Sérgio Godinho. Gosto muito.
Aí Mr. Orcama! Mas muadié onde é que estão agora as duias mais lindas do bairro operário? Hmmmm (esse é então muxoxo que quitandeira mesmo zangada) hoje não tem mais carta, nem afagar de mão!
Manuel, não stresse, mas por mais que procure, não encontro o seu alegado post de São Valentim … Vai-se a ver e é algum problema com o meu computador .…
Claro, já bloqueou a oposição. No seu pc é só Erínias e Fúrias, e à entrada os estraçalhados braços das vítimas
Pronto, stressou! Oposição? Braços? Estraçalhados? E o que é que tudo isto tem a ver com o São Valentim?
E a dona deste post, a inefável Eugénia? Deve andar a dançar rumbas em passo maluco, só pode ser!!!
O Manuel Fonseca, José Régio que me perdoe, só está bem a criar desumanidade! A sua glória é lançar, não perfumes, mas venenos!
1. Eu logo namoro quando São Gonçalo me arranjar um rapaz que apeteça namorar;
2. O Vasco disse que sim, que queria namorar e deve ter ido fazê-lo;
3. O Orcama deixou um lindo poema declaração;
4. Quem não fala de namoros, quem é? É quem chama Pandora ao primeiro toque de mão em feminina perna. Não sei que desgraças lhe sucederam..
5. A Joana já lhe diz o bom e o bonito.
Eugénia, ainda bem que chegou! Já viu o que para aqui vai? O sermão? E os protestos de injustiça ao ser acusado — justamente — da omissão que aos outros censura? E viu aquele post lá em cima, mix de Quando Eu Era Pequenino com o texto do Ruy?
Se não visse não acreditava, Joana. Só desplante. Desconfio muito de projectivas rumbas… Temos, creio, um Manuel Samba e Rumba Fonseca.
Isso diz-se?! Logo a mim que tenho tanta paixão pelo Carnaval que me apetece ir encarnar no terceiro anel de Saturno a esperar que passe.
Ui Eugénia, que killing everybody soflty a menina vem. Fique a saber que a única humanidade é a do conflito: beijos arrancados a tanto não que só quer dizer sim. E não se encante com o Orcama que a história dos feitiços e joelhinhos no chão é só para disfarçar. Isso é coro de rapazinho de Benguela (donde, julgo, era o Viriato da Cruz que escreveu o poema.
Ah, Joana, Braços estraçalhados não lhe chegam? Vá lá, arranque também corações.
Orcama, venha cá depressa que o Manuel Samba e Rumba Fonseca está a falar mal de si!
Os corações não se arrancam — conquistam-se ou destroçam-se. Mas para isso é preciso que não sejam de pedra (esta parte, a bold), MSF, que nem com o São Valentim arrepia caminho!
Eugénia, já viu a insidiosa maldade para com o estimado Orcama? A dizer que ele é um tigre de Benguela…
Por falar em tigre, começa hoje o Ano do Tigre no Calendário Chinês. Melhor que o São Valentim aqui do blog e o Carnaval em geral …
O Manuel Fonseca em chinês deve ser serpente…
Só pode. Mas quer ver ele aparecer aí a dizer que é ratinho ou coelhinho? Puro e cristalino … dá para acreditar?
Por acaso, sou mesmo serpente e não há chinês que se preze que não me diga que isso é muito bom. Há dúvidas?
Viu?! Viu?! Não nega raça.
Dragão é melhor. Cavalo é melhor.
Nos signos chineses há umas coisas ao contrário — os porcos são diligentes e espertos, as cabras são amáveis e dóceis, but some things never change: as Serpentes são Sempre Sinistras (a bold, esta parte dos SSS) …
“O «S» é a sepente no jardim do poeta. O «S», que tem forma de serpente. Há que evitar o seu assobio, sempre que se possa” J.L.Borges in Borges el memorioso, 1982.
Eugénia, não seja queixinhas, o Orcama percebe perfeitamente: sabe que cede a alguns meios para atingir certos fins. Nem todos são puros e cristalinos como eu, o que é que julga.
Joana, já não lhe bastam as mitológicas desgraças ocidentais, agora também vai desatar a lançar dragões de papel aqui no blog?
Manuel: pões-te a jeito e depois é a carnificina!
Com elas (as mulheres em geral, que não estou a particularizar) o confronto másculo, directo, não funciona. É preciso insídia, subtileza e, acima de tudo, saber camuflar tão bem a mentira como a verdade…
Ó António, vê-se mesmo que tens a idade que tens e te encostaste ao sistema. Não é nada disso, homem. Não te venhas também fazer de santinho. Behave lika a man, como dizia Don Corleone.
Em verdade, em verdade lhe digo, Manuel Serpente Fonseca: até os seus iguais reconhecem a sua malévola diferença.
Eugénia, viu isto? Agora chama, vá, idoso, ao simpático António, que só pode ser Dragão ou assim.
António Eça, Orcama, caríssimos, estou solidária convosco: é verdade que MSF vos desconsiderou em praça pública. Tomem a desconsideração pelo que é, um elogio.
Já estou com tonturas. Ando sozinho a responder aqui e lá em cima onde pus a mão na coxa da menina. Não dá. Agora já só respondo por mim no post acima. Ah, mas levei a mal os SSS da Joana. Quer ver que também é Serpente, mas como é feminina coisa e tal, é tudo bondades e doçuras… Pois sim!
Manuel SSSSerpente Fonseca: não sou isso, e ainda bem porque a sê-lo teria mais uns anos do que os que tenho.
Por falar nisso, fiz umas rápidas contas … Os signos chineses e os seus ciclos de 12 anos são realmente indiscretos …
Vai ter de me explicar melhor os ciclos de 12 anos. Meus? Não confirmo nem desminto.
Eu explico: o Zodiaco chinês tem 12 animais. Cada animal corresponde a um ano. Tem-se o signo do ano em que se nasceu. Ao saber-se o signo de alguém, fica-se a saber a sua idade. E sem margem para grande erro, pois as alternativas ou são 12 mais ou 12 menos
Anos da SSSSerpente: 1953 — 1965 — 1977 — 1989 — 2001 … Got the general idea?
Ah, os “seus” eram deles, não meus. Estou mais descansado, caso contrário anunciava-se tormenta na Bounty. Coisas minhas, Joana, que por acaso nem sou supersticioso.
Folgo em sabem que contribui para o seu sossego.
Boa noite Eugénia e Manuel.
good night’s sleep ladies
Boa noite.
Manuel, já cheguei tarde. Mas estou aqui para dar o corpo às balas. Solidariedade masculina, está claro. Agora, por experiência, o melhor que sei fazer é amuar um bocadinho. Depois elas zangam-se mais ainda e passado um dia, ou assim, eu lá lhes peço desculpa, arrependido, sem que nunca chegue bem a perceber porquê: nem a razão aparente da zanga, da qual já me esqueci; nem a razão verdadeira, que elas nunca me dizem qual foi e eu nunca percebo qual é. Conta comigo.
Que a equanimidade se faça presente e prospere entre as hostes em presença!
Tratou-se apenas de uma representação de Salaventim — tipo realismo fantástico — que esta semana percorre o blogue (atente-se nestes comentários, nos outros acima e no folhetim).
Por outro lado, estamos em presença, tão sómente, de um dos métodos de abordagem, hedónica quanto baste, em curva e contra curva, isto é, em “S”, do nosso irrequieto e imaginativo Manuel “Surucucu” Fonseca, razão pela qual, ontem, preferi ficar de fora a observar, com a minha já consabida tranquilidade Maughamiana…
Caro Gonçalo Pistacchini Moita, os “tiros” das nossas dilectas e travessas autoras são de pólvora seca. Nem “pum” fazem, ficam-se pelo “pfff”… mas que dão luta e contribuem denodamente para o foguetório, disso não há dúvidas. E nós… não gostamos?
Caríssimo Orcama, vou-lhe contar um segredo. Não gosto nada. Tenho medo!
Conte comigo. Sou um túmulo… mas “elas” que nem sonhem…
Orcama, bom esforço, mas a verdade é que protestatio contra factum non valet… Aquele seu Borges aos SSS de ontem foi realmente muito apropriado. E o timing perfeito…
Gonçalo, leia e releia os registos do que ontem se passou nestas trincheiras (e nas do outro post da mãozinha), veja o serpentês tratamento que o Manuel SóVisto Fonseca dispensa aos seus remanescentes apoiantes e repense lá bem essa sua arrebatada oferta de corpo às balas … que seguramente serão de (un)friendly fire …
Pois… mas já Borges também dizia: “Os factos não nos exprimem perfeitamente. Não se deve julgar a árvore pelos seus frutos, nem o homem pela sua obra. Já Stevenson disse que o homem pode matar e não ser um assassino.”… in Borges el memorioso.
Sou Dragão, sim senhor, sou a serpente alada. Nunca uma serpentina carnavalesca e praticamente rastejante que cita o péssimo Corleone por dá cá aquela palha, Borges por cada vez que ouve falar em Deus e a «lábil curva» quando quer impressionar meninas…
E toclas!…
Bingo! Tombola! dilecta Eugénia de Vasconcellos, outro post a suplantar os cinquenta comentários!
Qualquer dia vão ser expulsos do Hades por infracção à Lei do Ruído. Este blogue mais parece uma aldeia gaulesa, com o nosso irrequieto Manuel a fazer de Astérix…
Não são comentários, caro Orcama: é nosso nightcap.