Quem responde por mim quando me assanho? O meu eu vilão só podia ser uma personagem de banda desenhada. O meu lado negro é às pintinhas. E, para meu rubor, já se encontra convenientemente retratado. É uma criatura selvagem de ar aparentemente inofensivo e por vezes até amoroso, como uma aturada e prolongada pesquisa científica fez o favor de documentar.
Mas quando se zanga, sobretudo para defender os seus, não é de meias medidas. Nem meias falas nem grande falador. É uma fúria pegada que não deixa nada inteiro.
Para que não haja dúvidas e sirva de aviso a provocadores, vejamos em pormenor o que acontece aos alvos inimigos deste desmando enfurecido. 
Mesmo que superiores em número e em força e pertencentes a uma espécie temível por catálogo e astuta por imposição da natureza, até os mais pintados são forçados a bater em retirada com o rabinho… ía dizer entre as pernas, mas parece-me que não seria a figura de estilo mais apropriada.
Quanto ao herói, o meu lado brilhante é que é mesmo negro mas é só na cor. Tirando isso, é garoto risonho e bem disposto. Nem sempre encarado com sentido de humor, é certo. E se tardei nesta resposta ao desafio, não foi por demorar na busca, mas sim por não encontrar retratos do meu herói, que calculo demasiado rápido e discreto para se deixar apanhar. Logo, estive a tentar plasmá-lo de mansinho, não fosse ser vítima, por proximidade excessiva, das travessuras do meu Super Borrão Negro: o super herói que atinge mentirosos e malfeitores bem falantes e os borra de tinta negra fluorescente sempre que apanhados em falta.
Estejam onde estiverem, não importa que cargo ocupem, splash!, não a sereia, mas tintados da cabeça aos pés. Tanto mais pretos quanto maior a finura do embuste. Imagino que este Super Borrão fizesse um figurão no parlamento, nos tribunais e demais púlpitos por aí fora. Mas deve andar ocupadissímo não sei onde, dava tanto jeito aqui mais à mão…Talvez o racismo não lhe achasse grande graça, ía andar tudo pretinho por aí, mas as lavandarias iriam facturar à farta, os produtos de banho esgotar nas prateleiras, as lojas de roupa não teriam mãos a medir, era um grande fomento ao consumo e dava cabo da crise num abrir e pingar tinta.
E depois, despede-se sempre a cantar: “Always look on the bright side of life! Taram, taram” 
Agora, colada às palavras da Eugénia, a desafiadora, pergunto ao nosso Norton:
1. Pedro, quem é o seu menino mau? Quem responde por si quando arranha?
Pode escolher de um disco, de uma peça de teatro, da publicidade, só tem de ser público. E até pode uma menina má…
2. Se o Pedro Norton fosse um herói, ou mesmo um anti herói, quem seria?
Valem todos, desde o inventor do pião ao Gaston La Gaffe. E não esqueça: passe a outro e não ao mesmo. Estamos todos curiosos!





















É o que dá ser morcego, chego a horas desusadas.
Marsupilami!
Curiosamente nasce preto, qual borrão (estarei enganado?…)
Boa escolha
Pois é, nem lhe dei nome, esquecida e confiada de que seria reconhecido além fronteiras!
Franquin o autor não me perdoaria.
Obrigada por completar António!
No documentário científico que guardo religiosamente, há um que nasce preto e assim se mantém.
É o mais assanhado da família. Até em versão mini dá cabo dos predadores :D
E um dos melhores álbums de BD de todos os tempos — “O Ninho do Marsupilami”
Ainda bem que confirma, Vasco!
Eu não me atreveria a tanto, seria preciso ter mais prateleiras de BD do que as lá de casa.
Mas o Ninho é seguramente um dos que gosto mais. Os pormenores da vida conjugal e familiar são deliciosos.
Eu adorava os marsupilamis pequeninos! Tinha (e tenho) esse livro! Acho que era mesmo o único da colecção que era mesmo meu (os outros eram do meu irmão).
Teresa! Também nunca por nunca.. Fui surpreendida e gostei muito.
O Marsupilami não conhecia…vou procurar na rede…
Procure que vale a pena, Turmalina.
São As Aventuras de Spirou e Fantásio — O ninho dos marsupilamis, de Franquin.
A colecção é grande, este deve ser o melhor início :)
Teresa, que dois simpáticos e divertidos lados! Sempre adorei o marsupilami, em especial, confesso, a parte das delirantes fúrias da criatura .… Não conhecia o Super Borrão Negro. Gostei, muito do seu ar de chocolate e muitíssimo do que ele canta!
Joana, o Super Borrão Negro só existe desde ontem.
Nasceu-me de repente quando a Eugénia me perguntou por ele.
Já me existia com a canção dos Monty Python que eu estou sempre a cantar, mentalmente de braços abertos com os cristos nas cruzes. Só ainda não lhe tinha dado cara.
Gosto da sua ideia do chocolate, deve ser nas fases mais amenas e doces do Borrão…
Ó Teresa, acho que tive um bloqueio… qual é a canção?
(O seu SBN é gostável e irresistível, é justiceiro, sem ser mau. Quer-se logo o SBN para amigo. Ora isso é… péssimo! Deixa as pessoas como eu, as que acham muito bem que se arranquem corações pelas costas e assins de fúrias à D. Pedro, muito mal na chapa.)
Eugénia,
é a canção do final de The Life of Brian, dos Monty Python.
Para ser cantada em casamentos e/ou funerais. Anima um morto, ou mesmo mais.
Vou procurá-la, merece um post só dela.
Merci, Teresa. Tive mesmo um black out. Agora vou ouvi-la lá acima para matar saudades.
A sua bondade fez-me a maldade de querer rever o filme — e não o tenho aqui.
Pois é, agora que fala nisso. Este é daqueles filmes para rever periodicamente.
Da próxima vez acho que vou ter olhos ainda mais diferentes sobre ele.
Teresa, que fantástico! Não tinha percebido (daaaah pour moi).
Eu também gosto de braços abertos. Com ou sem cruz, são sempre sinal de acolher, receber, aceitar, abraçar … :)
Joana,
mas acho fantástico que o meu embuste tenha passado por real! Quase me convenço que o meu Borrão funciona e até podia ter tinta para andar…já podia ter-lhe inventado um qualquer episódio
de borra-magestade.
(se calhar é assim que as coisas acontecem, lançam-se por brincadeira
e depois até já têm álbuns publicados ou assim, e parece que nunca foi faz de conta)
Teresa, tem a noção de que está a cavar a sua própria sepultura? no sítio certo, é certo … ;)
Eu, sepultura? Terei que escavar 1,80m?
Veja primeiro o seu BI e também os documentos do bicharoco (caso seja indocumentado, tire-lhe as medidas). Depois pergunte ao coveiro do outro post de que espaço precisa para trabalhar no álbum. Não se esqueça de mencionar os materiais de desenho e talvez um candeeiro.
…quando me referi às coisas que se lançam por brincadeira, estava a lembrar-me de um crítico de cinema, ou de música, que foi inventado por alguém, e depois passou a ser referido por outros críticos como se existisse.
O mesmo podia acontecer com o meu Borrão, se alguém achasse que conhecia tanta BD que até se lembrava daquele álbum em que o Borrão atingia uma sumidade que depois e etc…
Bem, o facto é que agora ele anda à solta por aí.
Graças à Joana, agora só faz borrões de chocolate:)
– suja à mesma, mas pelo menos tem a desculpa de ser doce.
Teresa, a sua bondade leva-a a omitir a (minha) realidade: alguém cujos conhecimentos de BD são tão exíguos que não duvida de que exista este e outros personagens …
Quanto à parte dos borrões de chocolate parece-me perfeitamente consentânea com a good nature com que criou o Super Borrão! E um bom teste às pessoas que “levam” com as suas gracinhas: só os muito azedos ou tontos não acham graça e não ficam mais bem-dispostos com um pouco de inesperado chocolate…
Nota de Encomenda:
Venerável Autora: queira, na volta do correio, proceder ao envio dos exemplares disponíveis. A oportunidade de venda é agora! Todos têm saída garantida — assim ninguém nos escute… Quanto ao pagamento… refreie a gula e tenha toda a temperança…
Venerado Orcama:
Agradeço muito a Nota de intenção,
mas existe apenas um só Super Borrão Negro!
Tem tido tanto que fazer ultimamente que nem eu lhe ponho a vista em cima.
Daí ter que lhe desenhar um retrato, sem conseguir fazer-lhe outra fotografia.
Pode ter desaparecido por excesso de trabalho, ou por cansaço…ou por preguiça, ou outro ainda, que ele deve ser mais de praticar do que de confessar pecados:)
Teresa, não quero intrigar, mas já viu o desplante do PN? Deixou-a pendurada! E sabe porquê? Porque vilões, devem ser uma fartura, agora heróis, pois sim, há-de estar à procura, a virar as páginas cheio de tédio só de ter de os ver. Se ele próprio revela que tem o pensamento todo em pecados.. Ou não viu aquela pintura do homem que também tem uma fábrica de electrodomésticos, cozinhas e mais não sei quê?
Tem muita razão, Eugénia.
Vou já lá em cima ao post dele puxar-lhe as orelhas!