De chapéu de coco no planeta B 612

01 — Henry Purcell — Title Music From A Clockwork Orange

Got Moloko?

Começo por dizer que não gosto de bater em velhinhos debaixo de pontes ou de praticar violência carnal com as mulheres dos outros (nem com a minha, naturalmente). Como sabemos, estes são divertimentos muito do agrado do nosso old brother Alex aqui em cima. No entanto, Alex é um dos meus vilões preferidos*. Não pelo seu apetite pela ultra-violência contra tudo e todos, ou pela sua falta de lealdade para com os seus, mas sim porque eu próprio, por vezes, gostava de poder chegar a casa ao fim do dia, e em frente ao espelho, vestir um fato de macaco branco, pôr uns suspensórios, um chapéu de coco, uma pestana postiça no olho direito e umas Doc martens de ponta cardada, e depois de beber um copázio de old knifey moloko, ir de bastão na mão, para a rua, abrir umas cabeças. Que cabeças perguntar-me-ão? Simples. As dos estúpidos e dos maus, dos que batem nas crianças e nos põem bombas nas pizzerias. Dos que roubam as coisas dos outros e dos que abatem arvores sem plantarem uma flor que seja. Dos que poluem, estragam e mentem. Dos que gostam da guerra e ficam sempre com tudo. Essas e mais umas outras. Não é bem o meu lado vilão. É mais o meu lado que sonha com um full-time job de vigilante mascarado.

Faria tudo isto ao som de Purcell, pelas mãos do(a) intrigante Walter (Wendy?) Carlos, claro está e que espero estejam já a ouvir.

E o meu herói?

Este.

Sentado no meu outro ombro.

E que me impede de me tornar crescido demais.

Chama-se Lucas e não tem o meu segundo nome. Tem o último.

Il ramona donc également le volcan éteint. S’ils sont bien ramonés, les volcans brûlent doucement et régulièrement, sans éruptions. Les éruptions volcaniques sont comme des feux de cheminée. Évidemment sur notre terre nous sommes beaucoup trop petits pour ramoner nos volcans. C’est pourquoi ils nous causent des tas d’ennuis.

* Não posso deixar passar a oportunidade de me referir ao meu segundo vilão preferido. É danado, resiliente, eloquente, belo e sagaz. My type of guy……

Olrik — EPJ

PS: Só me resta passar a mão a um outro amigo de Alex (não aquele lá de cima, mas o outro, o morto). Conta-nos lá tudo, tudo o que só tu sabes de heróis e vilões, meu caro Pedro Marta Santos!

Comentários a “De chapéu de coco no planeta B 612” (6)

  1. Turmalina diz:

    Sempre sou pega de surpresa com seus posts. Concordo plenamente com o seu vilão. E seu herói eu diria que me enterneceu.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Confesso que a recriação de Alex me deixou de cara à banda: não é para copinhos de moloko. Gostei muito — príncipe e coronel incluídos.

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Vasco, tendo gostado de tudo e muito, e sendo muito bons mesmo os teus maus e alexianos sentimentos, o post precisa de post scriptum, de acordo com as regras instítuidas pelo PN, que é o de passares a outro e não ao mesmo o encargo.

  3. Pedro Norton diz:

    Vasco, gostei mesmo muito do teu herói de cavalitas. E queres acreditar que também tinha pasado no Olrik?

  4. Joana Vasconcelos diz:

    Vasco, gostei tanto! Não te sabia tão fervorosamente verde! E aposto que se fossem perguntar ao Lucas, o herói dele seria o gigante que o leva ao ombro e lhe mostra tantas coisas que não se conseguem ver do chão, sem o deixar cansar-se…

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