São uns que eu há muito queria ter dado às minhas pessoas, mas foram amarelecendo impossíveis desde a adolescência sem encontrar fita a condizer. E nem todos cabiam num bolso. Eram tantos. Ofereço agora estes. Sempre podem inventar-lhes outros usos.
para tornar menos amargas as ausências
que transportem o mar e as saudades dos marinheiros
para se ter todo o tempo para as coisas mais gostadas
para o corpo acompanhar as viagens onde o espírito vagueia sozinho
para os banhos mais exóticos






















Melhor? Só mesmo o anúncio dos gatos; o Vasco ainda deve estar a lamber os bigodes…
Nini, ronron por esta sua linha e pela querida lembrança :)
Fez presentes, Teresa. Gostei muito.
Desde já, a mais mágica das listas impossíveis. Não há um desenho perdido para oferecer, Teresa (diz ele indecente e interesseiro)?
- não há um desenho perdido para oferecer, Teresa (diz ele indecente e interesseiro, pensar-se-ia)?
Mal. Injustamente. PMS queria um desenho de TC, de facto, desejava vários, mas se conseguisse um, só um, era para o oferecer à EV que gostava muito deles. Gostava-os mesmo quando desapareciam no papel por serem como os sonhos: pintados com mágicas aguadas evolativas.
E então a EV, estou seguro, oferecê-li-ia a moi même que ainda gosto mais. Aqui fica um caloroso obrigado já por conta.
Teresa, que colorida, encantadora e generosa lista!
Agradeço e fico com todos os impossíveis presentes. É que são mesmo, mesmo a calhar para ajudar a realizar os meus impossíveis desejos — o barco para descansar, o balão para me ganhar algum tempo extra, o tapete para viajar no tempo, o rebuçado para me adoçar quando a coisa está a ficar feia … e o elefante, bem treinado, talvez dê uma ajuda na arrumação dos livros e nas maçadoras tarefas domésticas e afins! Fantástico! :)
E obrigada também pelos lindíssimos desenhos!
Joana,
eu sabia que era possível inventar-lhes novos usos.
E se fica com estes todos, tenho eu de desencantar outros impossíveis presentes.
(eu sabia que ainda havia de me meter em trabalhos, neste blogue)
PMS, EV e PN,
Depois desta linda e desindecente lista de pedidos em cadáver esquisito (que bem funcionam em conjunto, será que já pensaram fazer um folhetim?) fico quase convencida que fiz bem em ter ido desenterrar da cave estes rabiscos grosseiros.
Talvez consiga desencalhar outros perdidos, quem sabe o que se esconde naquela subterrânea ilha de papéis?
(Será uma tarefa para o tchantararam SuperCaveMan!, coveiro hábil e desenrascado mas cheio de trabalho, dificil de arrastar para horas extraordinárias e com custos pela hora da morte)
Mas se enquanto há tinta há esperança,
Não percam: Perdidos, os próximos episódios :)
Teresa, ao ver e ler esta sua fantástica lista, não tive a menor dúvida de que era mágica — o PMS disse-o, aliás, ali em cima — pelo que cada um dos presentes se multiplicaria na medida do necesário para acudir ao gosto e aos desejos de cada um dos defuntos a quem era oferecido …
Só mesmo por isso me candidatei a todos, todinhos, enquanto PMS, EV e PN disputavam os desenhos … Longe de mim querer dar-lhe mais trabalho e, sobretudo, fazê-la passar pelo supliício de outra listagem de impossíveis!!!
Joana,
Tem razão, que estes presentes são impossíveis e elásticos.
Mas quanto mais impossível mais divertido.
Era apenas arranjar um lugarzinho naquele balão.
Só preciso de emagrecer uns dias gordos e talvez já caiba…
Mas noutra semana será. Nesta nem pintada de elefante lá chego.
Ora, ora, se o balão é mágico e elástico, não tem problemas de espaço. Cabemos nós, e mais quem queira vir e mais os seus materiais de desenho e o que nos der na cabeça levar… E é bom que aquilo suba… caso contrário, vai-se de tapete voador!
Olá TC em boa hora regressada. Hoje foi um dia épico no Gente Morta. O Francisco escreveu sobre ciência (belo post) como sempre lhe pedimos e vamos continuar a pedir. Tu desataste a pintar o cemitério todo — ficou lindo e cheio de desejos. Agora, já sabes: queremos visões todos os dias. E de vez em quando podias pintar o post de um dos mortos residentes, a começar pela Eugénia, digo eu. Depois um poema do Ruy e logo a seguir fantástica incursão da Joana. Prometes?
O quê?! Ainda bem que me está a passar uma neblina aqui p’los olhos, senão iria pensar que estava a ler coisas estranhas…
Além disso, agora que já vejo melhor, todos os posts dos nossos queridos têm sido sempre superlativamente ilustrados, com fotos ou pinturas na mouche. Não quero perder nada disso.
Nem cortar o gozo da busca que faz parte do texto.
A imagem que acompanha o post vai com a ideia de cada autor, clarifica e aumenta-lhe o sentido, dá-lhe uma dimensão própria. Uma ilustração minha só iria empobrece-los.
Outro contra: um desenho demora muito mais a fazer que um texto. Ter a ideia para a ilustração demora ainda mais.
A não ser que só me queira ver por aqui uma vezinha por mês, confesse…
O comentário abaixo do AEQ é muito bom.
Mas venho esclarecer já a perplexa e fugidia TC. Sim os posts continuam a ser feitos pelos autores com fotos e as escolhas todas que eles brilhantemente inventem. O que eu digo é que, de vez em quando, o teu comentário poderia ser um novo post visual que partisse de um deles. Gostava de ver inventariação da Eugénia a desencadear desenho teu. E é claro que aqui ninguém prescinde de, pelo menos, 5 visitas diárias tuas, a contar belas histórias escritas, if you know what i mean.
Tem toda a razão, Teresa, um desenho é algo de muito mais complicado que um texto. E continua a ter quando fala da ilustração dos textos de cada um. E só poderia funcionar minimamente se houvesse muitos desenhos seus à disposição da defunta catrefada: aí alguém poderia dizer olha que bela ideia eu tenho para isto…
São muito bonitas as suas aguarelas, parecem ilustrações de mapas pergaminhentos, ainda salinos do tempo em que lhes apontavam coordenadas à margem, levemente manchados aqui e ali da oxidação precisa, circular, abandonada pelo sextante que por umas horas em cima deles repousou. Sinto o cheiro a tabaco forte, a rum e maresia — e pelo som da rebentação arbitra-se uma meia légoa da costa, a bombordo, que pelo estrondo do eco será de arriba… Lancemos ferro e aguardemos a aurora.
(latitude 43º 45′ 47″ N, longitude 328º 32′ 4″ a partir do Ferro)
Vito Jozé de Mello, comandante da fragata Príncipe do Brazil, rumo ao Pará
Aos 22 de Março de 1799