Boomerang

Fantástica, mais esta ideia da Eugénia. Que cada um, à vez, revele o seu dark side. E também o seu bright side. Não é opção, acaba de esclarecer, é dose dupla!

Este estimulante desafio tem um único defeito. Obriga a esperar. Que a Teresa, a primeira visada, descubra e revele os seus lados sombrio e solar. Que passe ao outro e este ao outro e nunca ao mesmo. E por aí fora. Sucede que a rapaziada está assoberbada com trabalhos pesados – ele é pecados, ele é virtudes, ele é episódios do folhetim, ele é queridos mortos… Isto vai demorar e não é pouco!

Ora, o meu lado Bellatrix torna-me, entre outras coisas que não vêm ao caso, muito, muito curiosa. E horrivelmente impaciente. Detesto esperar. Adiar, só as coisas más, de preferência todas.

Por isso, e sem pôr minimamente em causa as regras definidas pela criativa Eugénia, decidi fazer-lhes um pequeno aditamento. Boomerang, de seu nome. Trata-se de uma única regra. Que diz que, em casos excepcionais, pode aquela de nós que tenha já revelado o seu dark side decidir unilateralmente derrogar o princípio do “não ao mesmo”, num espectacular efeito boomerang.

Por tudo o que antecede, e na minha negra veste de Bellatrix, determino que a nossa Eugénia nos revele, quanto antes, os seus mais sinistro e luminoso lados. Eugénia, queremos saber quem é a sua menina má e quem é a sua menina bonita! Já! 

Comentários a “Boomerang” (22)

  1. Eugénia de Vasconcellos diz:

    A minha boca não se abre até que seja legitimamente obrigada. Tenho um bocadinho de vergonha.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Eugénia, mas é uma ideia tão boa, a sua! E pode fazer por escrito. E às prestações… E eu que fiquei tão, mas tão curiosa, não sei como vou aguentar esperar se se deixar ficar para daqui a muitos outros …

      • Teresa Conceição diz:

        Joana, que bela ideia, este boomerang!

        Porque o desafio tem tanta graça que não apetece nada esperar, e só um jantar mais espaçoso e mais tarde umas tintas tardantes me fizeram a mim tardar tanto.

        E eu queria era saber de quem não posso, da Eugénia, que para lançar a proposta deve ter resposta pronta!

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Ah, sim! Se bem percebi isto não há cá liberdade de expressão. Para já fala a Teresa que depois há-de perguntar o mesmo a alguém — já se vê que vai ser à Joana, que por sua vez perguntará à Eugénia, que, é claro, perguntará à de novo à Joana, que perguntará à Teresa que falará com a Eugénia, que talvez então fale com a Turmalina, que por acaso ainda me deve, ela sabe bem o quê. Daqui a 10 anos, com o matriarcado em plena expansão industrial, talvez os autores do tal sexo, o do penduricalho, sejam chamados à conversa.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Manuel Sorna Fonseca. Está com a preguiça em atraso. E quer falar de vilões e heróis. Seja, pois.

      Teresa por favor, passe a incumbência a este ávido voluntário!

      Eugénia, se isto resultar — o que duvido, pois MSF só quer implicar - sossegue, que não a pressionarei tanto.

      Em todo o caso vou pensar num novo aditamento às regras, geral e abstracto como convém, para casos especialmente belicosos.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      A Teresa vai passar a um rapaz de língua comprida — que ela não vai de modas! — que há-de passar a outro com quem divide dantescas penitências, perto, pertinho de quem, do limbo, lhes relate o que passa na cinemateca de lá e lailailai via Milano e por aí diáspora fora até passar pelos rapazes todos e vir fechar, com chave de ouro, no bright side da nossa Joana.

    • Turmalina diz:

      MSF…acho que minha memória anda um pouco gasta…me lembro de um e-mail que acho que foi respondido…Eu lhe devo o quê, mesmo???
      Ai…ai..ai…essa minha idade viu…rss.…

  3. Manuel S. Fonseca diz:

    Joana, Eugénia, tanta democracia! Julgam o quê, que estão em directo na Oprah, lailailai?!!! Sigam lá com o plano revolucionário de Outubro depois do ataque ao palácio de inverno que nós, os Kerenskys, já estamos exangues e imprestáveis.

  4. Joana Vasconcelos diz:

    Manuel SimplesmenteSoviético Fonseca, agora perdi-me. Explique lá melhor esse seu remoque (foi a parte que percebi).

  5. Manuel S. Fonseca diz:

    Ah, Joana: falsidade, não estou nada com a preguiça em atraso.
    Sobre PECADOS e VIRTUDES ainda não escreveram (e cito de cor) Teresa, Francisco, uma surpresa que eu cá sei, e por aí adiante. Aliás, o Gonçalo pediu expressamente que a Preguiça fosse o fim lânguido da coisa. Cumpra-se a vontade de tão prestigiado cadáver.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Diz bem, Manuel SóDesculpas Fonseca: há virtudes em atraso, mas os pecados, tirando a ira que vem de Itália e por isso demora mais, estariam completos, não fora a sua preguiça! Há dias invocava a luxúria, agora é a languidez… Que coisa!

      Eugénia, Teresa, é preciso pôr este morto escapista a trabalhar: há que passar-lhe o embaraçoso desafio dos vilões e dos heróis quanto antes. Vai ser liiiindo!

      • teresa conceição diz:

        oh, não fui a tempo de ler e corresponder a esta necessidade premente.
        Caramba, Safou-se desta o S, mas não perde por esperar…

  6. Manuel S. Fonseca diz:

    Sou cumpridor e não são três

    Graças

    que me desviam do meu caminho. E fazem o favor de não se porem aos gritos a chamar umas pelas outras que me dão cabo dos ouvidos.

  7. Manuel S. Fonseca diz:

    Cumpridor e bem mandado como se pode ver acima!

  8. António Eça diz:

    Que divertido! A minha cadela chama-se Sorna — Sorna Maria Jagunça, de seu nome completo, registado, vacinas em dia e tudo. Vê-la aqui citada, ainda que sob a forma de biombo humano (supõe-se que sim, mas tudo é incerto…), enche-me de orgulho.
    A verdade é que os mortos são medianamente relapsos — embora trabalhem imenso!, o que é no mínimo uma injustiça saborosa. E o que é da clássica Invídia, ou da Sonsisse — pecado capital do pós-modernismo careta?
    Isto bem explorado dá antologia garantida.

  9. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    No nocturno silêncio do cemitério ouve-se de repente um grave e fundo tum… tum… tum… som de madeira batendo, por dentro, na tampa de um caixão coberto de terra. E ouve-se, então, retumbante, uma voz cavernosa: «Pouco barulho nas campas aí ao lado, que isto já são muito boas horas de ir dormir!»

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