
René Magritte, L’Empire des Lumieres.
Ouvir uma, só só mais uma, daquelas histórias com cheiro a África que o meu avô sabia mentir com uma verdade muito sua.
Descer a Rua do Ouro, entrar «numa daquelas lojas que são misto de café, leitaria e casa de pasto», pedir uma cerveja bem fresca que me saberá «pela alma» e dar com o Tiago «sentado a um canto a tomar um copo de água gelada».
Ser Viena e ter um comboio de fingir impossíveis que durasse uma noite inteira.
Férias Grandes. Azuis, Verdes e com uma vista só vista para a Serra d’Arga. Musgo, girinos, granito, corredores sem fim e uma mesa muito, muito comprida com toda a família do Mundo.
Roubar, tão bem roubado que todos o jurassem meu, o título mais perfeito que um homem pode roubar. Croquis et Agaceries d’un Gros Bonhome en Bois.

















Adorei a imagem da mesa muito comprida com toda a familia do mundo; fez-me lembrarar a minha infância.
Nini: é também uma das imagens mais fortes da minha infância. Nas férias de Verão, chegávamos a sentar-nos 40 pessoas na mesma mesa.
Que bom ter desejos assins com voz de comboio e mesas compridas. E roubos fonométricos a musicar musgo e girinos, rematados com título de ouro ou de satin…
Gostei muito.
Obrigado Teresa. Mas tenho que confessar que o que gostava mesmo mesmo de roubar era o seu jeito para o desenho…
Desejos percorridos por uma doçura tranquila, sim senhor.
…e a Julie Delpy escondida na última das carruagens.
Arrematado!
Estes lugares dentro de nós, que fora não têm correspondência que não seja memória, saudade, ou evocação para que se façam em nós, habitam-nos até à medula.
Muito bem dito. comme d’habitude.
Pedro, gostei tanto da forma belíssima como incluiu nesta sua lista o mais impossível dos desejos, o de ter de volta, por instantes que seja, aqueles que partiram e nos fazem falta
Olá Joana, ainda bem que gostou. Mas sabe que mais? Não tenho a certeza de que se trate de um desejo impossível.
Concordo consigo, Pedro. Por isso não o incluí na minha lista. Mas para além dessa real, se bem que diferente, presença, às vezes o que me apetecia mesmo era a outra. A impossível.
A impossivel dói muito. Dói tanto que parece impossível que existam impossíveis assim.