ESPERITAR — Neologismo Terceiro: já aqui foi apontada a extrema dificuldade de criar um verbo, a propósito desta extraordinária inovação, agora superada pela integração de três, repito, três conteúdos semânticos numa acção. Estes conteúdos são: esperar; espreitar; ter perícia; e estão incluídos no novel esperitar, representante deste novel modo de estar, o inaugurado pelo seu [dele] autor, Pedro Norton, que funcionalmente o encarna. Assim, integra o dicionário de verbos, esperitar: modo masculino de esperar para espreitar, demonstrando perícia, quer na espera, quer na avaliação do espreitado. Ora, confirme*. Temos então:
Infinitivo: esperitar
Gerúndio: esperitando
Particípio: esperitado
* Deve-se ignorar a modéstia que sucedeu ao rasgo criativo, mecanismo mais ajustadamente descrito como auto-sabotagem.

















Esperitar: garimpar com a esperteza de um sábio e as valências técnicas de um perito.
Gostei. E tem potencial folhetinesco.
Nada escapa aos Hubblelinianos olhos e Eugénia de Vasconcellos… É como acima se intui: neologismo formado por aglutinação de esperto + espreitar, por via erudita, nada menos, e com a abrangência lapidarmente definida por PMS. Por mim deve passar já ao dicionário. É que há quem muito espreite e nada veja, como um vulgar espreitador.
Eu peço imensa desculpa mas não estou nada de acordo — e com ninguém! «Esperitar» é obviamente uma corruptela popular. Após aturada observação da novel acção — e tendo como cobaia alguém que não pode (nem sabe!) mentir (eu!) — conclui-se que «esperitar» é fundamentalmente o acto de espreitar com certa paciência por cima do ombro dum perito. Resulta daí que o esperitador adquire com a sua acção a capacidade de comunicar com a eloquência do perito assim espreitado…
Como prova irrefutável das minhas observações, apresento este post — que, estou certo que concordarão, não tem ponta por onde se lhe pegue.
António Eça, você diverte-me, estou para aqui a rir com o ecrã. Gostou do novelo de novéis — são sempre dois -? Eu também gosto muito, mas a frase com valor de sentença costuma ser: novel escritor, novel romance.
Escapa, escapa, caro Orcama, eu tenho uma linda, ainda que discreta, miopia.
Ainda bem que a divirto, Eugénia, já que é essa a única razão por que vim a este Mundo.
António Eça, era um elogio. E um dos melhores que se podem fazer.
Tendo já sofrido na carne e no estraçalhado ego a violência destes inventariosos tratos de EV, quero dizer que discordo de tudo o que acima se escreveu e que, solidário com PN, a mim nem um único sorriso me conseguem ARRACNAR com pretensas ironias.
A sua ingratidão e sua injustiça são homéricas, MSF! Quantas vezes, ó quantas, usei neste blog o verbo arracnar, criação sua de que gostei tanto. Não fosse eu um modelo de bondade delicada e retribuiria a sua vileza usando da sua criação sobre o criador dela, arracnando-lhe, talvez, a bífida língua.
Eugénia! Carago! O meu também era um elogio, e bem sincero!… Por pura vaidade adoro divertir as pessoas! Faz-me bem.
Nunca se esqueça que eu sou fundamentalmente um simples.
A sério.
Ó isto será muito útil nas críticas de filmes italianos, em que o catraio “regarda” mulher mais velha, nos seus tratamentos íntimos.