Vamos, pobre homem! Foge agora um pouco às tuas ocupações…

Não pretendo converter ninguém. Digo isto, logo ao princípio, não vá dar-se o caso de o Manuel S. (de Subcacuminal) Fonseca vir a correr com a sua arte virar-me o post ao contrário. O facto, porém, é que não resisti a voltar aqui com mais uma arma de ante-ante-ante-penúltima geração — como diria a Joana. O próprio Anselmo, autor do texto, escrevia, sob a influência de Agostinho, no século XI, para aqueles que acreditam em Deus, para que melhor inteligissem a sua fé. Para todos os outros, porém, e sobretudo para os amantes de tudo o que é belo, como é o caso de muitos dos que viajam, moribundos, neste blog, não passará despercebida a beleza destas suas palavras:

«Vamos, pobre homem! Foge agora um pouco às tuas ocupações; esconde-te por algum tempo dos teus pensamentos tumultuosos. Lança fora os teus onerosos cuidados, posterga as tuas laboriosas ocupações. Entrega-te uns momentos a Deus e descansa um pouco n´Ele. “Entra no aposento” da tua mente, expulsa todas as coisas, a não ser Deus e o que te ajude a buscá-lo; e, “fechada a porta”, busca-O (Mt. 6, 6). Diz agora, meu coração todo, diz agora a Deus: “Busco o teu rosto; o teu rosto, Senhor, eu o procuro” (Sal. 27, 8)».

Santo Anselmo, Proslógion, I

Comentários a “Vamos, pobre homem! Foge agora um pouco às tuas ocupações…” (1)

  1. Joana Vasconcelos diz:

    Gonçalo, estas suas armas de ante-ante-ante-penúltima geração continuam imbatíveis, tanto em precisão, como em contundência!

    Gostei muito deste texto! Fez-me lembrar aquele que é seguramente um dos meus trechos preferidos do Evangelho: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos…” (Mt, 11, 28).

    PS – Lá fui eu de novo ao dicionário, em busca do subcacuminal… Mais uma a juntar à imensidão de coisas admiráveis que tenho aprendido graças a este extraordinário blogue!

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