Sylvia Plath
Queridos Mortos

Desde os nove anos até ao dia 11 de Fevereiro de 1963, Sylvia Plath soube que era habitada por sombras que a devoravam por dentro dos dias claros. Que havia de viver entre eles, com elas, carnívoras, aguçadas. Mordidura de veneno iluminada. E viveu.

(…)
Starless are the nights of travel,
Bleak the winter wind;
Run with terror all before you
And regret behind.


Run until you hear the ocean’s
Everlasting cry;
Deep though it may be and bitter
You must drink it dry,

Wear out patience in the lowest
Dungeons of the sea,
Searching through the stranded shipwrecks

For the golden key,
(…)

Lady Weeping at the Crossroads, W. H. Auden


SYLVIA -  os dias claros -

I
Mata-me devagar, assim
morrerei às tuas mãos como
se morresse nos teus braços.

II
Vieste no meu aniversário,
apagámos juntas as 9 velas,
demos as mãos num pacto,
até hoje nada se rompeu.
Nem nos intermitentes silêncios
duvidei que voltarias:
é contigo que caminho,
de braço dado, sobre o calcário
iluminado de céu dos passeios,
é a ti que primeiro mostro
as primeiras estrelas caídas
dos jacarandás em flor do largo da palmeira,
é a ti que sorrio o meu melhor sorriso.

A beleza dos dias claros mata-me.

III
Ninguém escreve uma linha de fuga
de Plath para Hughes,
de Sylvia para Ted.
Todos dizem em coro:
ó Sylvia, a dor é carne viva.
Só Sylvia dizia:
Ted, o amor é carne viva.

IV
Matas-me devagar, assim
morro às tuas mãos como
se morresse nos teus braços.
Quem te dirá, meu amor,
com amor em sílabas métricas,
amo dos teus poemas, as palavras
que se tornam sal do primeiro mar
e amargor de limos dispersos
avançados em sucessivas ondas
sobre o meu coração aberto
pelas tuas mãos.

V
Sou tua.

Eugénia de Vasconcellos

Comentários a “Sylvia Plath” (1)

  1. Sou apaixonada por Sylvia Plath, sua vida e suas obras…primorosa e poética homenagem, parabéns!

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