Gente Morta. Era esta a chave para decifrar o enigma proposto – o que rapidamente fizeram ads e Ivone Costa!
O quadro foi pintado entre 1545 e 1548 — vários anos depois da morte de Isabel, em 1539, aos 36 anos. A pedido do próprio Carlos V, que queria ter um retrato da mulher, cuja perda muito o desgostara, pintado pelo seu pintor preferido.
Tiziano ter-se-á baseado – aqui as versões variam – num busto de Isabel, que ainda hoje se pode admirar no Prado, ou num seu outro retrato, entretanto destruído num incêndio. Seja como for, o que para este nosso caso importa é que o pintor não chegou a conhecer, nem teve qualquer contacto, com a retratada. Limitou-se a fazer uma reprodução, tecnicamente perfeita, das suas feições, a partir de outras representações destas (e, narram as crónicas da época, das indicações do próprio Carlos V, que impôs várias emendas e retoques). Um retrato de um outro retrato. Esta a explicação mais frequente da rigidez e falta de expressão — numa palavra, de vida — de Isabel. Muito embora haja quem sustente serem tais características, não apenas comuns, mas até intencionais, porque associadas à majestas própria dos retratos imperiais. Será. Mas agrada-me mais a primeira versão.
O quadro terá encantado Carlos V, que o manteve sempre consigo, no Monasterio de San Yuste, onde recolheu após a sua abdicação, em 1556. Consta que passava horas a contemplá-lo…
















