Costumamos usar o verbo desabar em forma figurada. Mas quando é a sério e é uma cidade que desmorona?
O sismo no Haiti é uma catástrofe tremenda, que fica pior à medida que vão chegando notícias. É longe, não apetece pensar nisso. De vez em quando a natureza parece fazer calhar a uma parte diferente do mundo uma dose extra de sofrimento. Mas o nosso pior terramoto em Lisboa foi há 255 anos e ainda nos é presente, lembramo-nos dele sem ter havido televisão nem internet nem youtube.
Que faríamos nós agora, se fosse aqui? Se nos desaparecessem os mais queridos, se perdessemos tudo.
O que nos restava?
Como cicatrizam em nós as tragédias?
( Foto tirada daqui: http://sic.sapo.pt/online/noticias/mundo/especiais/sismo+no+haiti/)

















Ainda tento entender a lógica nada lógica das tragédias. Se uma pessoa, somente, quando perde tudo, fica destroçada, o que dizer de milhões de seres humanos iguais à mim que perdem seus tetos, seus familiares, suas histórias. Praticamente sem passado, presente ou futuro…
Qualquer crise ou catástrofe, quando desaba, só se pode mitigar.
O segredo está na prevenção, exigência, rigor, planeamento. Aplicação das lições do passado. Coisas chatas no dia a dia da despreocupação…
Pois é. E eu sei que as minhas são só perguntas de retórica, um desabafo. Mas é impossível ficar indiferente.
Isto foi um acto terrorista da Natureza, bem mais difícil de prever do que os outros. Tanto pode acontecer agora como daqui a cem anos. Mas como podemos precaver-nos contra um abalo destes?
Qual é a qualidade de construção que resiste?
Na nossa vidinha de todos os dias não queremos pensar nisso, e se calhar ainda bem: só assim podemos continuar de espírito forte.
A preocupação desloca-nos as prioridades.
E talvez seja bom andarmos despreocupados e focar a atenção naquilo que é importante para cada um em tempo de acalmia: os afectos, o trabalho, o lazer.
Se não cuidarmos das nossas estruturas emocionais são elas que abanam.
Mas que isto no Haiti é assustador, é.