
Cy Twombly, Untitled VII Bacchus, 2005
Que coisa era o amor para que eu o amasse assim? O amor é escrever-me, transcrever-me, traduzir-me, colocar-me. É pegar em mim, e pôr-me ao mesmo tempo dentro e fora de mim; e reconhecer outra pessoa, trazê-la, reescrevendo-a, e pô-la dentro e fora de si, e tudo se encontrar. E o tempo? O tempo no tempo. E o lugar? O lugar no lugar.
Mas isso mata — pensei eu.
Sim, isso mata — respondi — Isso queima as mãos, e mata verdadeiramente.
Experimentei esta nova liberdade, e vi que era a loucura que eu esperara como quando se está sem casa e se faz a gente arquitecto, para construir uma casa e dizer: Eis a minha casa. Edificar a casa era queimar as mãos, coisa realmente mortal. E, depois de haver casa, podia-se entrar nela com a nossa morte.
fragmento de “Exercício Corporal III”, (1961–68) orignalmente publicado em “Retrato em Movimento” (1967); in Herberto Helder, “Poesia Toda 1953–1980″, Lisboa, 1981


















Que surpresa! Obrigada, JNA.
Oh. Eu sei que não mereço, sei mesmo. Mas como também pedi, agradeço muito.