Old Boy

Coreia do Sul. Um homem sequestrado num quarto durante 15 anos. Nem ele nem nós sabemos porquê. O seu único contacto com o mundo exterior é uma pequena televisão. Percebemos que nunca vê os seus sequestradores, que, antes de o alimentarem diariamente, e de lhe tratarem as feridas provocadas pelas mutilações que inflige a si próprio, o adormecem com um gás suporífero ventilado para o quarto. Também por motivo não esclarecido, é libertado. Tem mulher e filha cá fora mas a única razão para se manter vivo é descobrir a razão do seu encarceramento. E, claro, encontrar os responsáveis e executar a vingança. Pela forma mais cruel e violenta e com música clássica a acompanhar, ao melhor estilo da Laranja Mecânica de Kubrick.

Segunda parte da Trilogia da Vingança (depois de Sympathy for Mr. Vengeance e antes de Sympathy for Lady Vengeance), o filme, Old Boy, Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes de 2004, lançou definitivamente o seu realizador Park Chan-Wook para a galeria dos notáveis do cinema asiático. Tem das imagens mais violentas que alguma fez se produziram mas nelas, tal como na Laranja de Kubrick, a encenação da violência aproxima-se perigosamente da beleza. Há momentos assim em que sentimos que o Cinema está acima de qualquer preconceito moral. Se fechamos um olho para evitar ver o sangue a jorrar ou um polvo a ser ingerido vivo pelo protagonista, deixamos o outro bem aberto para não desperdiçarmos a mais ínfima parte de um todo que é extraordinário.

Comentários a “Old Boy” (2)

  1. Pedro Norton diz:

    Fui eu que sonhei ou o tentáculo do polvo, semi ingerido, meio vivo, ainda encontra forças para lhe sair da boca e entrar pelo nariz? É uma espécie de Alien em versão gastronómica que, só por si, vale este Grande Filme.

  2. Pedro Marta Santos diz:

    Fita de categoria, sem dúvida. Vale a pena ver também os outros dois, sobretudo “Lady Vengeance”, a “Tosca” da trilogia.

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