Sei que o mar está agora infestado de piratas. Mas se pudesse, hoje estava no mar, no meio do mar, num dos velhos transatlânticos, queen qualquer coisa, príncipe perfeito, as águas perfeitamente rasgadas pela flâmula da companhia colonial de navegação ou pela rapidez da cunard line. No convés, haveria espaço para uma orquestra, o sol de fim de tarde e era isto o que eu e tu haveríamos de ouvir.
Depois, um bocadinho de escuro viria com vento e não se poderia estar cá fora. Dentro, no salão principal, já seria hora de cinderela e voltava a ouvir a mesma coisa, mas agora assim.

















Que melódico passeio, Manel.
Eu também quero ir!
Oh Teresa, desculpe lá, mas parece-me que ia estar a mais…
Definitivamente a mais … ;)
Ora essa!
Eu sei escutar sozinha, e até prefiro.
Além disso, num navio de cruzeiro, velho transatlântico, queen qualquer coisa ou príncipe perfeito, há espaço para mais de 4 ou 5 pessoas ou assim, acho eu.
Eu queria ir no passeio por solidariedade melódica e bloguista,
mas tanto no deck como no salão principal podia escutar
sem ter de chatear nem aturar ninguém ou vice-versa.
Adenda importante: gosto muito pouco de cruzeiros.
Agrada-me a ideia literária de um passeio no mar e na música, ou de construir a ideia de um cruzeiro para nele colocar uma história ou canção.
Gosto de veleiros em viagens breves ou das travessias curtas entre continentes (passar o estreito de Gibraltar, o Bósforo, ir do Pireu a Alexandria e por aí fora)
Mas para viajar, um cruzeiro parece-me demasiado clean e inócuo.
Eu gosto mesmo é de viagens com pó, lama e muita areia :)
Para nele colocar uma história?!!
Teresa, não me diga que está a pensar mandar o pessoal do folhetim (1), com as folhas de palmeira e tudo, de barco por mares nunca antes navegados … E ainda para mais longe do que aqueles nomes tão complicados?
Não joana,
o pessoal do folhetim tem outra história para viver, pelo menos no meu bocado e por enquanto.
estava a referir-me ao contexto criado por nosso M. Sinbad Fonseca
para nos apresentar deleitoso musicol que nós entretanto atirámos às urtigas sem mais comentários, ninguém quis ir nesse barco.
No entanto, não me dê ideias, porque o folhetinesco pessoal está muito bem localizado para efectuar viagens marítimas…
Oh não, nunca ninguém a mais. Há coisas que faço com prazer à frente de toda a gente, em exuberante delírio exibicionista. Sem temor, um bocadinho de tremor.
Manel,
há coisas que gosto que outros façam com prazer e em exuberante delírio,
mas dispenso que seja à minha frente.
Ainda bem que estamos num velho transatlântico e a sua cabine é muito muito longe da minha
e o som da orquestra entretanto abafa qualquer outro. Delire à vontade…
Querem ver que o Manuel Saleroso Fonseca é dançarino?
Eu acho que o Manel Singer Fonseca é fadista…
Que tal, Senhoras, convidarem o distinto “Sibarita” para um angolano Semba, um brasileiro Samba, ou um USA Swing e, já agora de Sari de Seda vestidas… que lá cantar, ele canta… serenatas… a canção do bandido… oh se canta… o canto da sereia… Diz-se que quem o ouviu, nunca resistiu…
Peregrina Teresa Conceição,
Deixe-se de ideias de cruzeiros. Já só tem seis dias para texto e desenho ilustrativo, nada menos.
A nós, os leitores, desta vez, foram-nos outorgados alguns direitos. Eu já estou a exercer os meus. E penso continuar… caríssima Joana Vasconcelos…
Caro leitor Orcama,
gosto que exerça os seus direitos,
mas não consigo ser disciplinada.
Quanto mais tenho que fazer, e tenho muito, além da bota das palmeiras para descalçar,
mais desalinho.
E agora este mar lembrou-me de outro mar, lembrou-me tanto que acho que não resisto.
vou ali ao lado de lá dizer o que é.
Claro que é dançarino, como diz o provérbio certeiro: homem… assim como ele… ou é sacana ou bailarino. Ora todos sabemos bem que o Manuel não é sacana…
De qualquer maneira só gosto de veleiros. Resta-me a meloteca caseira, que também tem disto.
Lá me parecia que assentaria melhor: Manuel “S(w)inger” Fonseca… sembando…
Este post, escrito com propósitos de me afundar no abismo das águas, descambou. Tentemos, Senhor, que o vento do velho Oceano afaste as nefastas intenções e reponha o perfume da fidelidade e do sonho: a orquestra toca no deck onde, num pequenino caderno, a Teresa desenha. Ao lado, Mr. Orcama, com a sua britânica longitude, joga xadrez com o fremente Mr. Eça. Em passo cadenciado, Joana, a ex-quetodossabemos, posa para o coração da fotografia de Ms. Cayenne. Eu sento-me, contigo, tão para dentro como o mais móvel dos dias. Magnânimo, de branco vestido, como um dia o vi, numa noite de Cascais que se fez dia, a orquestra tão certinha e conservadora atrás, Mr. Ellington (porque eu já vi e ouvi mesmo Mr. Ellington e eu tinha 19 anos e ele também, tomara eu) bate-nos com o seu sorriso de quem já viveu, sofreu, amou e tudo sabe sobre o ouro e a úlcera de querermos ser felizes.
Há quem não goste de Jazz, e imagine-se, de Duke Ellington!
Que bela memória, Manuel, esse não consegui ver.