Encostar a cabeça ao ombro da Alexandra.
Adormecer agarrado à Alexandra.
A Alexandra.
Rebuçados ácidos.
Gelado de menta e chocolate com chantilly caseiro.
“Vertigo”, daquele senhor careca e barrigudo, o conducatore dos obsessivos.
O que aprendi a ler Jean-Claude Carriére, William Goldman, Bertrand Tavernier, Pat McGilligan e David Trottier.
O que julgo que aprendo a ler Hawking, Michio Kaku, Freeman Dyson, Richard Feynman, Carl Sagan, Matt Ridley, Steve Pinker, Juan Pérez Mercader, Steven Strogatz, I. S. Schklovskii, Daniel Dennett, Stephen Jay Gould… o fulgor das grandes mentes científicas é um espectáculo comovente.
Verão e o cheiro a mar misturado com a centelha das amendoeiras.
A luz da praia quando o sol já se pôs, o contraste é límpido e as formas ganham corpo, rasgo, vida, melodia, antes de desaparecerem na escuridão.
Nadar nu.
Deitar tarde. Escritores insignificantes como Faulkner ou Hemingway diziam que escrever, é de manhã. Obviamente, estavam enganados.
O meu avô paterno, Manuel dos Santos. Não deixou de viver. Está em mim.
Fumar um cigarro ao ar livre, às sextas à noite, depois de jantar.
Espumante e champanhe, a maluquice da família materna há três gerações (comecei aos 7 anos e ainda não acabei a primeira flute).
Uma arrufada enorme, de Vila da Feira, que um doente do meu pai lhe dava quando ele fazia visitas ao domicílio numa motoreta e o homem não tinha dinheiro para lhe pagar. São as melhores torradas a Norte de Casablanca.
Os digestivos de uma padaria gondomarense, com mais sal e manteiga do que o lanche ajantarado de um ditador centro-africano.
Camogli, num sonho improvável, sereno, vibrante, caótico chamado Itália.
O céu estrelado do Amazonas (é como ter o Hubble instalado no neo-cortex).
Conduzir depressa, com 20 anos, às quatro da manhã, levemente embriagado (eu disse 20 anos), pela estrada junto à ria de Ovar, entre a Torreira e S. Jacinto, na infinita adrenalina do futuro.
A excelência (é rara).
A integridade (pior ainda).
Jogar futebol com fervor ecuménico, duas vezes por semana: corredor esquerdo, passes de calcanhar, túneis saturados de preciosismos, remates de moinho, é todo um menú, quase sempre imaginário.
Estar no primeiro capítulo da cerveja apetitosa, pousá-la na mesa da esplanada e fazer “aahh!” no preciso momento em que passa uma saia curta com pernas de semáforo vermelho.
Descobrir todos os dias a quantidade manifestamente abusiva de mulheres bonitas que se passeiam nas ruas, campos, morros, praças e portos sem qualquer aviso prévio (ah, esta é repetida).
Fazer listas: e vai mais uma.
















suponho que as três primeiras sejam para disfarçar as duas últimas…
Fabulástica lista, Pedro.
para além do “gostar à séria“muito cá de mim, revivi os meus dias de juventude. E quando estava nevoeiro sobre a ria? e aquela curva a seguir ao areinho?
E aquelas praias atlânticas, do outro lado, em dia de vento leste?… É pouco depois do Torrão do Lameiro, a sul de Cortegaça. Grandes pescarias! E até grandes romances…
Atravessar a floresta da reserva a pé, entre a ria e o mar, silenciosamente, até ouvir a força das ondas respirando por trás das dunas. Há pouco melhor.
Obrigado, gentil Sardenha.
Pedro e António: e as camarinhas no pinhal entre o Furadouro e Esmoriz?
Gostos felizes. Tão bem escritos!
Gosto da quantidade, nada abusiva quanto a mim, de semáforos vermelhos e outros prazeres da mesa, e do prazer de ler esta lista e ainda mais do que vou aprender a pesquisar os nomes que não conheço.
O fim de semana não vai chegar!