Toda a gente gosta de dentes à americana: branqueados. Seja a toque de químicos ou de facetas. O culto da juventude chegou às bocas portugueses, piramidalmente, comme d‘habitude, das classes política e televisiva para baixo, sem vertigens. Toda a gente gosta. Eu não. Só de dentinhos bem cuidados. Se calhar porque no meu reino despótico tenho todas as idades que já tive antes, e a juventude que foi minha, é ainda e para sempre será. Só cultivo aquilo que me falta: sabedoria. E não é por isso que farei como os cortesãos chineses e japoneses do século XI que escureciam os dentes para terem a beleza sábia dos anciãos.


















Eugénia, o que eu estou a gostar destes NÃOs da MJC (o outro também era?) e do uso que está a dar-lhes!
PS – Por falar em dentes, o que terá sucedido ao desprovido e não obstante sorridente homem do autocarro para Vaitheeswaram ?
Olá, Joana. Merci. O outro “não” foi rapinado na net, através do Google images. Não anotei o autor por não vir referenciado. Entretanto, fiz à MJC uma encomenda de “nãos” e “sins” e ontem à noite chegou-me a primeira leva. Quem tem amigos, tem tudo. Quem tem amigas, tem mais ainda.
Estou em crer, e isto é um acto de fé, que a Joana saberá dele. Bem como o nome do nosso herói.
Um dia, há muitos anos, numa publicação gratuita que havia aqui no Porto — chamada ‘METRO’ -, inspirei-me nesse ainda raro fenómeno de branqueamento dental para inventar e publicar um conceito de identificação visual, hoje bem popularizado pela classe política e por actrizes boas e actores assim-assim ou nem por isso da Tv. Era o «sorriso límpido das taínhas»…
Por exemplo: Portas possui esse «sorriso límpido das taínhas».
É ou não é?
Olá, tu aí a sorrir
Diz-me quem é o teu dentista
Eu nunca vi sorriso assim
Nunca vi sorriso assim
Nem em capa de revista
O teu brilho dental
Não é coisa de amador
É brilho profissional
É brilho profissional
Em busca dum projector
Mas no fundo tens razão
Temos que estar preparados
Em qualquer ocasião
Podemos ser convocados
Para ir à televisão
Dar uma opinião
ou demonstrar um talento
para ir à televisão
fazer opinião
E ter o nosso momento
Já diz o Rui (e o T?)
Exacto, Francisco. Acho que é com o T, pelo menos o tom directo é o mesmo.
A mim aconteceu-me uma coisa idiota, este Verão: parti um incisivo superior — uma das ‘favas’. E fizeram-me um implante que é ligeiramente mais claro que o verdadeiro. Até já pensei em não lavá-lo, mas dá imenso trabalho…
Ou seja: fiquei com o sorriso a modos que vesgo
Apesar de gostar do Rui e do Tê, não conhecia, Francisco, merci. É impossível não sorrir.
António Eça, António Eça! De ironia piscatória e incisiva, só você se lembraria.