E se for 2066?

          Não, não é engano na referência ao nome de um livro em voga e a pergunta é de retórica: estamos mesmo em 2066. Pelo menos para um grande número de hindus*. Celebraram no nosso Outubro a entrada no Ano Novo Hindu, o ano Vikram de 2066. Eu sei porque estava lá a assistir às cerimónias de Ano Novo, no Templo Hindu de Lisboa.

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          O que se riram quando lhes perguntei por este futuro paralelo. Não, não tinham ainda inventado a cura para a Sida, nem confirmavam se havia vida em Marte. Mas falaram da sua antecipada e calma sabedoria sobre o fim do mundo no ano 2000: sabiam então, de antemão, que não ía acabar, porque há muito tinham passado por ele sem sinais de apocalipse. Aliás, as oferendas aos deuses e o símbolo da prosperidade aceso em velas e bandeiras não deixariam que tal acontecesse.

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           Logo, Manuel, em teoria prosaica, o futuro existe e convive mesmo aqui ao lado com o seu poético presente de todos os dias. Também o relembro aqui porque neste nosso viajado blog temos um conviva a viver neste momento em 2066. Espero que no regresso nos possa relatar essa inaudita e impossível experiência de viajar também no tempo.


          * Não será 2066 para todos os hindus, porque as várias culturas parte do hinduísmo seguem calendários independentes, baseados nas estações e na economia agrária de cada região, ou de acordo com calendários lunares… pelo menos foi o que percebi, porque para voltar a 2009, na altura, bastou-me descer as escadas do Templo.

Comentários a “E se for 2066?” (1)

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    Teresa, não sabes, eu tembém já me tinha esquecido e agora lembrei-me, de duas fases minhas muito orientalistas. A primeira foi a leitura de O Fio da Navalha, de Somerset Maugham. O Larry, que era o herói, fazia um périplo espiritual que culminava no abandono das nossas competitivas chatices europeias e na descoberta do Nirvana. Aos 15 anos (meus, não dele).
    A segunda foi quando descobri, em leitura francesa, um guru americano, Alan Watts, que explicava o budismo zen em menos de 250 páginas (acho eu, que não encontro o raio do livro). Livrou-me de muitas trapalhadas e, sobretudo, acertou um bocadinho o meu “tempo”. Hás-de apresentar ao meu passado invasor o antecipado futuro dos teus indianos.

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