
A propósito deste post do José Navarro de Andrade, dei por mim a reler alguns textos do já morto presidente Mao, tendo-me parecido que este, que segue, tinha forçosamente de publicar-se aqui neste nosso moribundo blog:
«Todo o homem tem de morrer um dia, mas nem todas as mortes têm a mesma significação. Sema Tsien, um escritor da China antiga, dizia: “É verdade que os homens são mortais; mas a morte de uns tem mais peso que o monte Tai, enquanto que a morte de outros pesa menos que uma pena.” Morrer pelos interesses do povo tem mais peso que o monte Tai, mas esforçar-se ao serviço dos fascistas e morrer pelos exploradores e opressores do povo pesa menos do que uma pena.»
Mao Tsetung, Servir o Povo, discurso proferido em 8 de Setembro de 1944, in «Citações do Presidente Mao Tsetung», Ed. Minerva, Lisboa, 1975, pág. 121

















Gonçalo, não sei se uma tradução das Edições Minerva é fidedigna. Consta que o Camarada Presidente, cuja sensatez não está certamente em causa, tendo numa mão o monte Tae e na outra uma pena, terá sustentado ao timorato Presidente Estaline que a guerra nuclear era por certo uma boa aposta se, abatendo-se o imperialismo, apenas tivesse de perder cerca de dois terços do seu inefável povo. Com pena, claro, e a certeza de se arrasar o monte Tai.
Pois eu vi o Presidente Mao, assim de mortinho e embalsamado, como na linda foto postada pelo Gonçalo. Foi no Verão de 1988, um ano antes de Tiannamen. Mas gostei mais, muito mais, não necessariamente por esta ordem, da Grande Muralha, do Templo do Céu, da Cidade Proibida e dos Pandas do Jardim Zoológico de Pequim.
Como um azar nunca vem só, um ano depois, em Taiwan, vi, nos mesmíssimos estados de morto e embalsamado, o defunto presidente Chiang kai-shek. Também dessa vez gostei mais, muito mais, da fabulosa colecção de porcelanas (trazidas da Cidade Proibida) do National Palace Museum…
que estranho poder o das metonímias.
Manuel, quanto à qualidade da tradução, só tu poderás fazer alguma coisa (não minerva, tá!?). Não sei, no entanto, se será hoje em dia muito vendável. Deixo, no entanto, uma sugestão: a edição portuguesa do pequeno livro vermelho do Bom Louçung. Terá sucesso nas universidades.
Joana, agora percebo o seu interesse. Foi uma viagem extraordinária por um país extraordinário. Infelizmente não fui a Pequim, nem vi a muralha. Um dia lhe conto.
José, tens toda a razão. Mas não é essa a única forma que temos para falar da morte? E, já agora, também da vida?