Clara Pinto Correia: Orgasmos


O Correio da Manhã de ontem, dia 10 de Janeiro, na sua pág. 51, informa ter sido inaugurada no Centro Cultural de Cascais a exposição “Sexpresssions”, na qual o fotógrafo Pedro Palma apresenta as fotografias com as quais «registou para a posteridade os orgasmos da namorada», Clara Pinto Correia, a qual terá afirmado sentir-se orgulhosa por, deste modo, «cristalizar o estado de paixão que vive intensamente ao lado de Pedro Palma.»
O Diário de Notícias de 9 de Janeiro, na sua página 55, dera já a notícia desta mostra, na qual, garantem os autores, «não há encenações. Foram mesmo cenas de sexo do casal, com três câmaras fixas e muito planeamento para que o corpo de Pedro não travasse a trajectória das câmaras a caminho da cara de Clara. “Por isso é que só poderia ser feito por um casal”, justifica. Só a intimidade, defende, poderia garantir a genuinidade que assegura estar retratada em Cascais.»
Contentes com o seu trabalho, aliás, os autores pretendem agora internacionalizar a exposição — numa primeira fase, talvez, para Madrid -, estando para tal à procura de um patrocinador. Neste caso, porém, esperam poder apresentar, em vez das dez fotografias com que esgotaram o reduzido espaço de que dispõem no Centro Cultural de Cascais, as 20 fotografias, ou mais, com que originalmente sonharam a exposição.

Não farei aqui quaisquer comentários a esta notícia. Julgo que não devo. Não resisto, contudo, a partilhar convosco a perplexidade de duas ou três perguntas que, por causa dela, me assaltam (assim como se fosse uma lista daquelas sugeridas pelo Pedro Marta Santos):

1. Porque quererá a Sra. Pinto Correia cristalizar o estado de Paixão que diz viver com o Sr. Palma? Está farta dele? Não está satisfeita? Tem medo que ele fuja, levando a máquina nas mãos?
2. De que modo é que o científico planeamento dos orgasmos da Sra. Pinto Correia garante a genuinidade dos mesmos? E se esta genuinidade decorre da intimidade que existe entre os dois, porque é agora no-la mostram?
3. E porque é tal resultado só poderia ser obtido por um casal? Afinal de contas, não sabemos todos nós de casos em que o mesmo resultado se obtém sozinho? Ou com mais de duas pessoas?
4. E, mesmo acedendo a que, para obter tal resultado, fosse necessária a enérgica presença do casal, porque razão, então, nos mostram apenas a Sra. Pinto Correia? Não será discriminatória esta desvalorização da plasticidade do orgasmo masculino?
5. E não será insidioso, nesse sentido, imaginar as provações a que se terá submetido o Sr. Palma, em nome de tal discriminação, de modo a escapar à cristalina objectividade da sua própria câmara? Onde se terá ele metido? Com que padecimentos o fez? Qual é a idade do Sr.?
6. Por último, uma questão patriótica. Então por cá não há espaço para a grandeza dos orgasmos da Sra. Pinto Correia? Não fere isto a nossa honra? Terá a senhora que ir-se para Espanha para poder dar conta dos seus espasmódicos prazeres? Poderá o nosso patriotismo sobreviver ao facto dos deleitosos momentos da Sra. Pinto Correia terminarem, daqui por diante, ao som de um tauromáquico olé? Estará o Sr. Palma à altura de nos representar? E lá pode-se fumar?

Enfim, são perguntas que ficam…

Comentários a “Clara Pinto Correia: Orgasmos” (22)

  1. Orcama diz:

    Com a devida vénia e todo o cuidado, pergunto-lhe terá lido e interpretado bem?… Sim?… Pasmo-me, ou talvez não!… Então agora já se pretende subsídio para os orgasmos próprios a partir de fontes alheias?
    Como diz Joana Vasconcelos: o que se aprende por via deste extraordinário Blogue.
    Sempre tenho ouvido que o cigarro vem depois, tal como a bebida antes… enfim clichés… démodés… Agora durante???!!!…
    Da síntese destas duas perplexidades (abusivas certamente…) sugiro-lhe a possibilidade de compartilhar connosco algumas reflexões que poderiam ter como título “A subsidiaridade orgásmica no conceito multitask” :)…

  2. maria diz:

    Esbugalhei!

    A listagem é de mestre!!!!

    Jogos malabares .….

  3. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Caro Orcama: Continuo a julgar que li bem. Mas não garanto. Não me atrevo a garantir. Quanto às reflexões que sugere, parecem-me muito oportunas, sobretudo no que diz respeito à aplicação do princípio da subsidariedade (aquilo que pode ser feito por uma sociedade ou por um ente menor, não deve ser feito por uma sociedade ou por um ente maior) aplicado aos cívicos orgasmos dos súbditos de um determinado Estado. Relativamente ao conceito multitask, apesar de ser imediatamente muito sugestivo, talvez fosse melhor não dizermos mais nada. Não acha?… :)
    Cara Maria: Peço-lhe que não me leve a mal o reparo, mas perante o conteúdo deste post talvez não fosse má ideia explicar melhor o que quer dizer com “esbugalhei”… :)

  4. Margarida diz:

    A melhor questão (“aquilo“o nem me suscita um ‘ai’, ou, por outro lado, suscita-me imensos, mas nem vale a pena)é ‘E lá, pode-se fumar?.‘
    Lindo.

  5. maria diz:

    Caro Gonçalo: O que rir me fez o seu reparo!Não,nada de bugalho.…

  6. António Eça diz:

    A Clarita sempre foi muito ‘avant-garde’…
    A única pergunta que tenho é esta: o que diabo lhes terá passado pela cabeça para acharem que ‘isto’ tem alguma espécie de interesse?…
    E é bom não esquecer que a Clarita já plagiou!… Não estaremos também perante plágio?
    Eu acho que sim!

  7. Vasco diz:

    Imagino o cenário. Holofotes, material fotográfico espalhado pelo quarto, telas reflectoras, fios por todo o lado.…. Agora que observo com maior atenção, reparo inclusivamente que o que envolve o pescoço da CPC são os cabos eléctricos dos holofotes das camaras dois e três. Estou mesmo convencido que o orgasmo da foto 4 não é mesmo um orgasmo mas um esgar por falta de oxigénio e o cigarro da 5, um de alívio por tudo ter terminado em bem. Gostei muito destas imagens. Sobretudo da espontaneidade que revelam.…. Obrigado Gonçalo.

  8. Pedro Marta Santos diz:

    Em homenagem ao dentista da Profª drªa de História da Biologia Clara Pinto Correia, proponho o título “Las Origenes del Tartaro” para uma exposição itinerante pelas “ferias” das aldeias e vilas espanholas, do Cantábrico à vastidão andaluz. E sugiro que se relance o debate sobre a santidade do orgasmo feminino.

  9. José Navarro de Andrade diz:

    Caro António et. al.:
    Quanto à questão do plágio, bem sei que é muito desagradável dizer isto de quem já foi acusada de tão deslustroso ato, mas há alguns anos a magazine da net com link abaixo tinha precisamente clips de câmara parada sobre rostos de mulheres durante o orgasmo. O aparato/caução artístico era bem menor e o pedido de patrocínio inexistente. De vanguarda não é; sério muito menos — o que sobra?
    Isto para quem não estiver com vagar para uma voltinha por sites que eu cá sei, onde estas manifestações são assaz frequentes.
    http://www.nerve.com/

  10. Diogo Leote diz:

    Longe vão os tempos em que os 19 aninhos da “Clara”, a muito “cool” professora de português por breves semanas, alimentava toda a espécie de fantasias de um grupo de rapazinhos, então no ponto máximo de ebulição da puberdade, que se acotovelavam na primeira fila para serem os primeiros a receber um sorriso seu. Agora que os orgasmos chegam, com quase 30 anos de atraso (!), e que já a vimos nua (sim, ela já posou nuazinha, nas páginas da revista do Expresso, imagine-se!) e nos habituámos a outras suas provocações narcísicas, já nada nos espanta nela. Tudo isto nos soa a “déjá vu”. E estou com o António Eça, duvido que alguém não tenha já antes transformado em manifestação artística (pois é, tudo é Arte, desde que seja “legitimado”) a mais primária expressão da intimidade sexual. Se Jeff Koons e Cicciolina não o fizeram, estiveram lá perto. E, seguramente, já se viu isto, com mais ou menos fingimento, noutro tipo de produções. Tudo muito pós-moderno.

  11. Vasco diz:

    Estes comentários por parte de (quase) todos os autores e leitores masculinos do Gente Morta, pode-se descrever como um verdadeiro “tudo à mólhada” bloguiano.

    Quem se deve estar a rir são as nossa amigas Eugénia e Joana Bellatrix perante a excitação generalizada da rapaziada.….…

  12. Orcama diz:

    Afinal, parece que em Serralves decorre ou decorreu esta exposição de que mostro um detalhe:

    https://mail.google.com/mail/?ui=2&ik=7b61a432a5&view=att&th=125a8a466ade608f&attid=0.4&disp=inline&realattid=0.4&zw

    Artista amigo enviou-me as fotos da dita por email há dois dias… Estava apoquentado. Espero que o link funcione.

    Talvez os (im)púdicos “momentos” & “orifícios” estejam na moda, mas sempre de modo discriminatório… só apresentam um género dos ditos…

  13. nini diz:

    Não vou comentar o que se presume seja o fertilizante por detrás destas fotos; mas não resisto a perguntar ao JNA: deslustroso “ato”?
    Que pena os queridos mortos aderirem tão rápido a tal “fato”!

    • José Navarro de Andrade diz:

      caro nini:
      falo por mim; mais tarde ou mais cedo vai acontecer, pelo que melhor antes que depois. Por outro lado — e isto é já dar música para outro baile — não vejo porque não abdicar da convenção de 1945 e começar com esta. Só encontro vantagens, fora o transtorno episódico de ter que mudar alguns hábitos de grafia.

  14. António Eça diz:

    Orcama, não consigo ver, mas se é uma colecção de esfíncteres digo-lhe que a exposição foi recu-cu-cu-sada!… (Irra, que estou gago!)

  15. Manuel S. Fonseca diz:

    Declaração (de interesses?): gosto da Clara (que não conheço). Declaração (mais ou menos estética): não gosto das fotos. Posto isto, não vejo nenhuma razão (e por maioria de razão, razão de escândalo) que impeça a publicação das ditas ou a exposição delas. É mesmo a ausência de qualquer razão de escândalo que as torna indiferentes — falta-lhes a “blessure secrète” que as faria saltar para lá o fait-divers jornalístico. Fait-divers, mesmo em Centro Cultural e com marchand disponível para internacionalização — ora, ninguém se magoou (acho eu).

  16. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Meu caro Manuel, é claro que ninguém se escandalizou. Basta rever todos os comentários atrás. Já quanto a ninguém se ter magoado, não sei. Na verdade, temo pelo Sr. Palma…

  17. António Eça diz:

    Ó Manuel, nem ‘blessure’ nem secreta, não? Estou de acordo com o Gonçalo, que não é de Tagilde: temo pelo sr. Palma!…

  18. Orcama diz:

    Magoados dizem-me que há muitos, debalde, se unhando e desunhando para expor as sua criações.
    Outros, ao invés, mal conseguem uns orgasmos porfiam em os tornar notícia nacional, com honras a salão de 1ª classe, almejando até carreira internacional…
    Olhando retrospectivamente, sempre teria gostado de ter assistido à inauguração, a ter contado, entenda-se, com a presença de artista e modelo — blessure fait, secrèt divers -…

  19. artur santos diz:

    Caríssimos confrades de blogue:

    Só tenho uma opinião muitíssimo pessoal a dizer: A mui audaciosa formosa e bela dra. Clara, recauchotada ou não, foi: extrovertida, assertiva, educativa, mística, religiosa, política e “científica”.

    Portanto é uma mulher pública que merece o meu voto, em termos eleitorais para qualquer autarquia que seja em termos civilizativos. Nomeadamente, o ministério da educação e das ciências.

    Especulativamente — artur santos.

  20. Vânia diz:

    A Drª Clara “soltou a franga” ahahahahaha.

  21. Yodeyma diz:

    Não existe nada de mais sensual do que uma mulher tendo um orgasmo

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