Ano Novo, Velha História

De regresso à fresquinha Boston, volto de novo à nossa acolhedora casa, com algumas novidades, no que a protagonistas diz respeito. Bem vindos sejam os novos e bem partidos sejam os que por agora cá não estão. É interessante a cronologia deste blog, tão novo e já com alguma história para contar. A História é inevitavelmente feita de Gente Morta, gente que na sua grande maioria pouco contacto directo entre elas tiveram. Mas que se vai repetindo em ciclos que se assemelham, sendo que no entanto, essa brutal máquina vai brotando cá para fora novas coisas.

A História é feita de refeições, também. Em Lisboa pude encontrar e reencontrar a maior parte dos membro do animado grupo de jovens que está listado aqui à direita. Uma agradável surpresa, que, sem dúvida, como a História, é preciso que se repita.

E agora, para um tom menos alegre, como fadado português que sou, um trecho de mais repetitiva História, premonitória, como se quer em inícios de anos.

Às multidões, sem excepção das que prestam culto superficial aos princípios democráticos, agrada o uso e abuso do chicote por parte de quantos se alçaram ou foram alçados a posição cimeiras de comando. Por atavismo, confunde-se dinamismo — qualidade necessária em governantes — com histerismo, basófia e tirania. Confunde-se a capacidade de sonhar com a de realizar. E, ao passo que personalidades marcantes são submetidas a deformações pejorativas e odientas por um partidarismo infrene, este afoita-se à fabricação de super-homens, hiperbolizados segundo uma pauta mais ou menos nietszchiana.

Cunha Leal, As Minhas Memórias, vol. II

A todos, um excelente 2010.

Comentários a “Ano Novo, Velha História” (3)

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    O GRANDE LÍDER não é um exclusivo português, mas é uma obsessão mais generalizada do que parece. O chicote, em versão s&m, está menos na moda, mas se usado subrepticiamente é motivo de elogio privado. Generalizo está claro, mas não me faltam, como não faltariam ao Cunha Leal, exemplos práticos, políticos e empresariais, para atestar a teoria.

  2. Orcama diz:

    “Mas «quem manda manda bem». Olá se manda! Ao menos em tão grave emergência continuámos a honrar este preceito, erigido à categoria de dogma pelo Situacionismo.”…
    10.VIII-961 in Cunha Leal: A Gadanha da Morte, última pág.

  3. Certamente, embora não esteja à vontade para dizer se temos, ou não, mais apetência que outros para este tipo de coisas.

    Agora, mais que isso, o que quis transmitir foi a sensação de “queixo caído”, quando lemos algo com meio século (neste caso; poderia ser muito anterior) que parece decalcado dos dias de hoje. Ficamos com um misto de sentimentos, a indecisão entre a sensação de que estamos perante clarividência e a sensação de que tudo está condendo a repetir-se. Por vezes, como bem re-prova Orcama, com as mesmas palavras e tudo. Quem sabe se não é apenas falta de originalidade!

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