03 As mulheres são o que são. Mas, às vezes, não.

AS MULHERES SÃO O QUE SÃO
As mulheres, mesmo as mais habituadas ao conforto de uma solidão feita à medida, ajustada ao corpo, desgostam-na assim que se sentem inseguras: o ruído que não se explica, passos em casas fechadas, gente desconhecida, um assalto. Porque as mulheres quando não se sentem seguras, não conseguem sentir mais nada além da insegurança que faz do coração um caldeirão onde se coze o medo, a tristeza e a raiva: tu não estavas e eu precisei de ti — acusação injusta que, tão contra vontade, desenha o suspiro que nos fecha os olhos enquanto pensamos o que lhes  calamos: faltas-me. Talvez os homens não compreendam que quando lhes dizemos, ouvi um barulho, estamos a dizer-lhes, contigo não tenho medo.


MAS, ÀS VEZES, NÃO

Quando o coração é um lugar muito quieto, onde o escuro da liquidez nocturna se fez sólido dia, não. Se não há sobre quem pensar, faltas-me, porque não se sente a falta, porque não há um espaço em branco, não. A segurança dos lugares fora é igual à segurança nos lugares dentro. E há mulheres que são lugar de si mesmas.
Os homens? Os homens não sei.

Comentários a “03 As mulheres são o que são. Mas, às vezes, não.” (3)

  1. Dobra diz:

    A insegurança. Sentimento de homens e mulheres. Sós ou com companhia. Porque a insegurança que surge quando se ouvem os passos é a menor, a menos nítida, a passageira.

  2. Turmalina diz:

    Eu diria que somos uma soma das duas..com tendências para um ou outro lado…
    Eu, por exemplo, sou de fases. Normalmente estou segura em mim, mas tem dias ou momentos em que gosto de pensar que sinto falta disso, daquilo ou de alguém. As mulheres são mesmo incompreensíveis dentro dos seus antagonismos.

  3. ana diz:

    a maior insegurança é das mulheres que não dizem “faltas-me” porque consideram que isso as “lamechas”. Faz falta a lamechice no amor.

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