01 As mulheres são o que são. Mas, às vezes, não.

AS MULHERES SÃO O QUE SÃO
Os homens e as mulheres gerem o silêncio entre eles diferentemente. Os homens calam-se quando, entre uma e outra conversa, não têm nada a acrescentar ao que foi dito e tudo está bem. As mulheres calam-se quando já não têm nada a acrescentar. E tudo está mal.

MAS, ÀS VEZES, NÃO
Quando muito felizes, de uma felicidade fundamente sentida, desde a carne até à flor do pensamento, no exacto instante em que ser feliz coincide com a consciência de ser feliz, as mulheres calam-se: também não há  o que acrescentar à harmonia. Só quando retomada a respiração em suspenso, quando expiram e o instante passa, a felicidade e consciência de ser feliz se vertem em comoção: sorriso, lágrimas ou palavras. Os homens? Os homens, não sei.


Comentários a “01 As mulheres são o que são. Mas, às vezes, não.” (19)

  1. António Eça diz:

    Eugénia, gostei muito da síntese — que, como todas as generalizações, dispensa outsiders.
    Alguns homens também reagem como certas mulheres.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Merci, António Eça.

      É muito difícil generalizar, não a regra, mas a mais generalizável excepção dos homens. Escolhi não o fazer.

  2. Joana Vasconcelos diz:

    Eugénia, gostei muito. São raros, os meus silêncios. Mas são exactamente assim.

  3. teresa conceição diz:

    Que bom ter começado pelos silêncios, Eugénia.

    Como na música, as pausas essenciais. Para recrudescer, para abrandar, para arrebitar, para acalmar, para atentar.
    Quanto mais raras, maior a atenção…

  4. Maria João Cayenne diz:

    Pois… são mesmo assim os meus silêncios!

  5. ana diz:

    conheço um homem que sorri com os olhos e com as mãos.

  6. jaa diz:

    Alguns homens — especialmente os que lêem blogues como o É Tudo Gente Morta :) — também se refugiam no silêncio quando tudo está mal. Mas podem ou não calar-se nos momentos de felicidade intensa, que são os poucos em que conseguem exprimir com facilidade o que sentem. Porque é verdade que os homens têm tendência a manter o silêncio nos períodos de felicidade “normal”, circunstância que não costuma ser bem vista pelas mulheres, sempre à espera (generalizações, generalizações…) de manifestações explícitas de que tudo está bem.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      jaa,

      as generalizações não são umas bestas feras! Servem para muito, desde medicação e vacinas até à meteorologia. É também assim que conhecemos, logo que não seja exclusivamente assim que conhecemos.

      É interessante o que referiu. Parece-lhe então que, salvaguardando a individualidade, as mulheres necessitam ser securizadas amiúde?

      • jaa diz:

        Eugénia,

        Parece. As mulheres precisam de receber frequentes declarações de amor e os homens, como escreveu, remetem-se ao silêncio quando julgam que tudo está bem.

  7. Orcama diz:

    Falar para quê? Por vezes um leve assobio diz tudo…

    http://www.youtube.com/watch?v=MheNUWyROv8

  8. Orcama diz:

    Outras vezes a gestão dos silêncios é coincidente. Dois minutos de filmagem, e nem uma palavra, mas os olhos também falam:

    http://www.youtube.com/watch?v=jreYChl7k10

    NB. Se alguém puder encontrar a cena do encontro inicial, em que os olhares explodem, muito agradecia a sua postagem aqui. Com licença da Autora, evidentemente. Obrigado.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Oracama, olá.

      Gostei dessa gestão coincidente dos silêncios! Não a tinha pensado.

      (A cena inicial é bem vinda, claro.)

  9. Manuel S. Fonseca diz:

    Eugénia, atrevo-me a sugerir alteração no seu post. Onde diz: “desde a carne até à flor do pensamento”, não deveria ler-se “desde a flor da carne até à dor do pensamento”? Não será essa síntese de contrários a antecâmara da felicidade?

  10. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Não poderei aceitar a sua sugestão, MSF, ainda que a síntese de contrários também remeta para a completude. Mas, assim mesmo, obrigada.

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