
AS MULHERES SÃO O QUE SÃO
Os homens e as mulheres gerem o silêncio entre eles diferentemente. Os homens calam-se quando, entre uma e outra conversa, não têm nada a acrescentar ao que foi dito e tudo está bem. As mulheres calam-se quando já não têm nada a acrescentar. E tudo está mal.
MAS, ÀS VEZES, NÃO
Quando muito felizes, de uma felicidade fundamente sentida, desde a carne até à flor do pensamento, no exacto instante em que ser feliz coincide com a consciência de ser feliz, as mulheres calam-se: também não há o que acrescentar à harmonia. Só quando retomada a respiração em suspenso, quando expiram e o instante passa, a felicidade e consciência de ser feliz se vertem em comoção: sorriso, lágrimas ou palavras. Os homens? Os homens, não sei.

















Eugénia, gostei muito da síntese — que, como todas as generalizações, dispensa outsiders.
Alguns homens também reagem como certas mulheres.
Merci, António Eça.
É muito difícil generalizar, não a regra, mas a mais generalizável excepção dos homens. Escolhi não o fazer.
Eugénia, gostei muito. São raros, os meus silêncios. Mas são exactamente assim.
E os meus, Joana, exactamente. Também raros como os seus.
Que bom ter começado pelos silêncios, Eugénia.
Como na música, as pausas essenciais. Para recrudescer, para abrandar, para arrebitar, para acalmar, para atentar.
Quanto mais raras, maior a atenção…
Acrescento mais uma às suas pausas essenciais, Teresa: para nos devolvermos a alguma ordem interna.
Pois… são mesmo assim os meus silêncios!
MJC,
aos mais felizes, nunca os esquecemos, não é?
conheço um homem que sorri com os olhos e com as mãos.
Olá ana.
que bonito isso de sorrir com as mãos… sugere abertura e calma.
Alguns homens — especialmente os que lêem blogues como o É Tudo Gente Morta :) — também se refugiam no silêncio quando tudo está mal. Mas podem ou não calar-se nos momentos de felicidade intensa, que são os poucos em que conseguem exprimir com facilidade o que sentem. Porque é verdade que os homens têm tendência a manter o silêncio nos períodos de felicidade “normal”, circunstância que não costuma ser bem vista pelas mulheres, sempre à espera (generalizações, generalizações…) de manifestações explícitas de que tudo está bem.
jaa,
as generalizações não são umas bestas feras! Servem para muito, desde medicação e vacinas até à meteorologia. É também assim que conhecemos, logo que não seja exclusivamente assim que conhecemos.
É interessante o que referiu. Parece-lhe então que, salvaguardando a individualidade, as mulheres necessitam ser securizadas amiúde?
Eugénia,
Parece. As mulheres precisam de receber frequentes declarações de amor e os homens, como escreveu, remetem-se ao silêncio quando julgam que tudo está bem.
Falar para quê? Por vezes um leve assobio diz tudo…
http://www.youtube.com/watch?v=MheNUWyROv8
Outras vezes é uma música:
http://www.youtube.com/watch?v=7vThuwa5RZU
Outras vezes a gestão dos silêncios é coincidente. Dois minutos de filmagem, e nem uma palavra, mas os olhos também falam:
http://www.youtube.com/watch?v=jreYChl7k10
NB. Se alguém puder encontrar a cena do encontro inicial, em que os olhares explodem, muito agradecia a sua postagem aqui. Com licença da Autora, evidentemente. Obrigado.
Oracama, olá.
Gostei dessa gestão coincidente dos silêncios! Não a tinha pensado.
(A cena inicial é bem vinda, claro.)
Eugénia, atrevo-me a sugerir alteração no seu post. Onde diz: “desde a carne até à flor do pensamento”, não deveria ler-se “desde a flor da carne até à dor do pensamento”? Não será essa síntese de contrários a antecâmara da felicidade?
Não poderei aceitar a sua sugestão, MSF, ainda que a síntese de contrários também remeta para a completude. Mas, assim mesmo, obrigada.