Dextra e amiga mão repôs a verdade. E deixem-me, deslarguem-me, não me digam nada: absurda embora, nada e coisa nenhuma há de tão estimulante como a verdade. Na foto, tirada nos anos 50, em Luanda, em plena Avenida dos Restauradores – e que linda era esta Luanda, chão varrido, arquitectura irrepreensível, urbanismo com rosto de gente e o raio de infame e colonial tapete por baixo – vemos o Hotel Turismo à esquerda, quase a romper o quadro, e na esquina da rua, atrás do renque de árvores em primeiro plano, com a convicção de quem conhece a ordem do mundo e nela confia, exibe-se mestre Ludovico, o automóvel com tanta história que vos apresentei aqui.
Este sim, é o verdadeiro Ludovico. Vivia, então, os seus melhores anos, digno, decididamente conservador, não adivinhando sequer os calores e destemperadas aventuras que haveriam de alegrar a sua posterior e labiríntica maturidade.
Generoso guerreiro, nem tu e muito menos nós esqueceremos os anos de liberdade e anarquia com que te estoirámos os 4 (ou eram 6?) cilindros, os intricados desafios argumentativos com que pusemos em risco a tensão da correia do ventilador. Mordomo aristocrático toda a vida, nada te terá dado mais prazer do que trocar um futuro infinito pela mortal turbulência de dois exaltantes anos de tantas coisas só amorosamente e um bocadinho proibidas.


















O Turismo!… Como eu já o conheci tão diferente, e a avenida tão cheia de prédios dos dois lados. O ‘Contencioso’ não era por aqui perto, Manuel?
Caríssimo António Eça,
E não é que o anterior nome do Contencioso era precisamente Calhambeque? Com esta dica, penso que, agora, a sua pergunta já estará em condições de ser respondida. Enfim, é todo o Universo de Luanda.
Eu tive acesso a alguns elementos complementares relativos à recupreração do dito “Ludovico”. Ei-los, nos três próximos comentários:
http://www.youtube.com/watch?v=SuzZrBoRj7k
E no dia em que iniciou a sua segunda vida, nas mão daqueles rapazes.
http://www.youtube.com/watch?v=mTWNd2qFNEQ
E agora, para surpresa de todos, o Ludovico — parte III, ressuscitado, em absoluta primeira mão e da minha única responsabilidade…
http://www.youtube.com/watch?v=26A_L5I0lDs
Dear Mr. Orcama, I am absolutely overwhelmed with your 3 terrific and lovely videos. You truly love cars don’t you? On behalf of the late Ludovico, hey many thanks mate!
Pois é, caro Mr. Fonseca, a sua pergunta só pode ter da minha parte uma clara resposta afirmativa.
Com algum, espero que tolerável despudor, aqui, pecador, me confesso. Mas mais, reparo agora que sempre tive alguma queda pelos “S”. Veja só, o meu, digamos, “Ludovico”. Como nos comentários não é possivel colocar as fotos do próprio, aqui vai este link:
http://www.dyna.co.za/cars/Mercedes_Benz_71_108__280SEYBlack_sf1.jpg
Por falar em ressuscitação: segue, com kandandos do Ludovico, um documento que talvez motive o comentador em triplicado …
http://www.amazon.com/gp/product/images/1588500152/sr=1–1/qid=1259987777/ref=dp_image_0?ie=UTF8&n=283155&s=books&qid=1259987777&sr=1–1
Boa selecção do alvo, mas tiro ao lado.
Francamente, apontar para Espanha e o tiro ir cair em Itália. Já agora, e para facilitar a correcção do tiro: AAC-83–41.
Com mutos Kolelas, Pé-Leve — Ludovico, aqui vai o alvo legítimo:
https://www.seatclub.cz/graphics/gallery/full/103_850_especial_pedro_2.jpg
Quem é amigo, quem?
Desta vez não me distraiam com a conversa, OK?
http://www.motorcyclespecs.co.za/model/Honda/honda_cb350K%2072.htm
Esta sim, esta é que era a mais desejada entre louras e morenas.
A mim até me quiseram convencer a vender o AAC e comprar uma três e meio…
O meu irmão tinha em Luanda uma irmã desta, uma 350 ‘scrambler’ amarela, com a qual tive um despiste épico perto das Palmeirinhas no meio dum areal cheio de cactos gigantes…