
FAÇA VOCÊ MESMA # 18
Categoria: terrorismo
Esta maldade é, apenas e só, a prova provada da imensa bondade de quem a executa. Porém, a despeito das excelsas qualidades dela, é uma maldade unidose. Ó. Escolha, por isso, um dia importante e festivo. Inesquecível. Olhe que extraordinária coincidência… hoje é um desses dias!
Tem algum relógio velho, estraçalhado ou estraçalhável? Boa! Não tem? Não faz mal, os chineses têm-nos aos montes. Não vai ficar mais pobre por cinco euros. O quê? É um tudo nadinha, como direi…agarrada? Pense lá comigo: quem se deslarga da China, trocando Shaolins e Wudans todos em Kung Fu de assombro, pelos Pauliteiros de Miranda e assins, e tem a trabalheira de vir abrir uma loja montada em Feng Shui, onde há de um tudo em incompreensíveis kanjis, merece cinco euros. Sim? Escolha um relógio frágil e, muito importante, cujo mostrador tenha a forma, vá, aproximada, do mais estimado e/ou caro dos relógios do seu marido/namorado/híbrido. Ah! E os ponteiros tão parecidos quanto possível. Quanto chegar a casa, envolva-o num pano de cozinha. Com um martelo dê-lhe trolitadas valentes. Não se entusiasme. Seja equilibrada. Uma pancada forte chega para vidro. Não interessa que este fique em picadinho, tem de permanecer reconhecível. Duas ou três marteladas fazem o resto do estrago necessário. A despropósito: sabia que o Herman Hesse foi relojoeiro? E sabe quanto é que eu gosto dos livros dele? Tudo! Todavia, só de pensar naquelas minimini peças montadas à lupa… que nervos! Adiante. Eu sei que está impaciente porque esta maldade é gostosa. Mas espere. Tem de esperar mais um bocadinho. Antes do jantar/festa de fim de ano, o marido/namorado/híbrido mudará de roupa, pois claro. E antes disso tomará duche. Evidente. É a hora da justa descontracção: o jacto forte, a água quente e reparadora do cansaço. O relaxamento. Parece um momento perfeito. No entanto, não é. Ou mais adequadamente: ainda não é. Porquê? Ora, porque é incompleto! Ao relaxamento deve suceder-se a tensão. Se os maridos/namorados/híbridos quisessem o nirvana, tinha-lhes dado para serem sadhus, não acha? Entre na casa de banho e, bem afastada do duche, com o braço esticado, a palma da linda mãozinha para cima, a vinte centímetros do rosto do seu amor amado, no centro dela uma mínima peça retirada do relógio chinês, e diga suavemente: querido, isto, num relógio, encaixa onde? Antes que ele lhe responda, grite-lhe em agudos: Cuidado!, não molhes. Pronto… bye bye relaxamento e tal. Quando ele lhe perguntar de que relógio, diga-lhe que era uma pergunta em abstracto e saia. Dê-lhe privacidade para que tenha maus pensamentos a seu respeito. Não demore muito até entrar com dois ponteiros delicadamente suspensos entre o dedo médio e o polegar. A mesma distância. Outra pergunta, agora com doce veneno, em voz baixa, amorosa: querido, este relógio tinha ponteiro dos segundos? Antes que ele responda, diga com recuperada alegria: ai espera, lembrei-me de uma coisa que é capaz de funcionar. Saia a correr. Não volte. Ele não demorará, acredite. Assim que ele entrar no quarto estenda-lhe o vidro do mostrador, idealmente em dois bocados. Faça de pesaroso Tweety: não tem conserto. Gostas muito do … ? (Cartier, Swatch, relógio que o teu pai te deu, lailailailailai, conforme o caso do seu marido/namorado/híbrido.) Deixe que ele se transforme na Cabra Cabrês, contudo, mesmo antes que lhe salte em cima e a faça em três, mostre-lhe o pulso onde, intacto, está o adorado Cartier, Swatch, o que o pai lhe deu, lailailailailai. Seja pedagógica: azucrine-o. Vês como tu és, vês?! Incapaz do mais ínfimo gesto de carinho quando me viste mortificada por causa do relógio? Um objecto! Um objecto! Só por causa disso agora não dispo a camisa do teu smoking que é o que vai bem com esta saia. É para que saibas!
Ganhos: já acrescentou mais um ano de vida ao seu casamento.
Conclusões: os homens dão-se mal com o tédio, é uma coisa atávica, ficam logo com vontade de caçar leões. Faça da sua casa, a savana.

















Agora sofisticou! Providenciar a falsa prova material do crime que não cometeu para reunir argumentos de falsa acusação!
Mas diga-me, Eugénia: as suas relações são habitualmente estáveis, ou a poliandria que confessou há dias é solução prática na reposição do stock? É que fiquei curioso!…
Olá António Eça.
Pensei que hoje era o dia mundial da paz..
Os meus ricos maridos são os mesmos desde que adquiriam tal estatuto. Creio que o facto de estarem mortos ou de serem personagens, é factor decisivo para a perfeição conjugal.
(Já lhe disse que experimentei o bolo rei à sua moda? Há coisas piores, afinal. Olhe, favas, ervilhas e lentilhas)
Azucrinadora Eugénia de Vasconcellos,
Agora traiu-se (esta paga direitos de autor a António Eça). Onde já se viu ir para o réveillon de saia? Nem no Minho!
Todavia, relembra-me uma estória verídica, passada na Luanda dos idos de trinta, com famosíssimo e emérito causídico local. Convidado o casal para o baile no Palácio do Governador, e verificando, à saída, que a esposa estilava um vestido com profundo decote dorsal, como então se usava usava, pede-lhe que aguarde um pouco e, pressuroso, sobe ao quarto, descendo logo sem as calças do smoking, de ceroulas. Diz-lhe ela, que já o conhecia bem:
–Mas… António… (nome verídico).
–Ó filha, tu vais despida da cintura para cima… e eu vou a condizer da cintura para baixo…
Caro António Eça:
Será que assim vale? Estar de atalaia para ser sempre o primogénito a comentar?
Abraço a todos. Cá nos encontraremos no Ano de Amanhã.
Orcama, caro Orcama! Palavras para quê? Ora veja:
http://4.bp.blogspot.com/_YXXVBOLaT_g/SxlMPszCYjI/AAAAAAAABIE/WzT5IkiiNm4/s400/1.jpg
Está a ter um 2010 feliz?
Eugénia: «Há coisas piores»?! «Favas, ervilhas»?! Já comeu um creme de favas (sem a casquinha individual!) com presunto desfiado e une nuage de natas, já? E ovos escalfados com ervilhas e cubinhos de chouriço de Castro Laboreiro? O seu salvo seja marido Eça nunca lhe falou do que as favas de Tormes fizeram ao Jacinto?… Parece impossível!
E quanto à paz, não vejo a guerra — a não ser a que você move contra os seus híbridos casadoiros com denodo e, diria mesmo, alguma incontida raiva…, o que prova que não há dia mundial dessa coisa com pomba e raminho de oliveira no bico.
E que não impede que você tenha um óptimo 2010, como é óbvio.
Orcama: claro!, sempre de dedo no gatilho, à Sundance Kid.
Bom ano para si e redondezas.
Não, não comi e desconfio que jamais comerei. E ovos escalfados merecem feijão branco, sem qualquer nuage e, entre outras coisas, cubinhos de chouriço que não tenha nome de cão, António Cruel Eça!
(O meu marido, seja na cidade, seja nas serras, não tem segredos para mim!)
ÁH-á!… Maridos sem segredos? Isso é que era doce!
E o chouriço não tem nome de cão: o cão é que tem nome de serra. E toclas!
E sim, sou irremediavelmentre cruel — mas tenho de lhe lembrar que para mim isso é elogio…
Ó António Eça! Então passa-lhe pela cabeça que não saiba que lailailai a serra e o cão?! Mas isso não altera a associação chouriço canino.
Também sei que a carne de veado não é o Bambi e nem por isso a como.
Olá Eugénia de Vasconcellos!
Desde o ano passado! Hoje, sendo o dia mundial paz… Haja tréguas! Aqui lhe deixo esta lembrança:
http://www.youtube.com/watch?v=VL8BuHZuEuA
Mas prepare-se, amanhã tenho uma factura para lhe enviar. Foi um relógio da minha estimação, que me apresentaram desconjuntado…
Sabe que leio as instruções e fico pensando nelas depois. Acho que especificamente esta maldade muita gente já praticou “sem querer”…rs.…afinal os relacionamentos amorosos são tão imprevisíveis que acidentes podem acontecer e a azucrinação posterior é simplesmente genial.
Turmaligna?
Eugénia,
que satisfação terminar-começar ano com mais uma das suas malignibondades.
É mesmo uma inspiração para momentos altos dentro de portas. Só é preciso manter este blog fora da alçada dos mais atentos, porque senão lá se vai a surpresa…
Teresa,
em casa, de pantufas e a fazer malignibondades? Boa! Isso é que um início de ano auspicioso..
Essa recorrência ao Bambi só pode representar um traumatismo de infância. Havia de experimentar sopa de jibóia, é melhor que a melhor canja de perdiz e os terrores infantis fogem apavorados, para sempre!
Também não como canja de jibóia. E olhe que não é por causa do Mogli. Pode ficar com tudo para si — o Bambi, já sabe, é do nosso Manuel que o matou, mas diz que ele não é uma fera egoísta.
Amei p Turmalinga…combina tanto com esse meu jeito meigo e angelical…rs.….
Afff…Turmaligna…
Espero que estas terríveis e mafiosas maldades tenham ficado submersas em 2009 no Oceano que o pffu-pffu-pffu do aquecimento global se fartou de fazer subir. Ajudem-me só a puxar a EV para o lado de cá de 2010, limpinha e sem a mala dos feitiços. Upppaaaa. Já está!!! Salva e pronta para só fazer o Bem.
Atchim!
SANTINHA, claro!!!
Bem haja, Manuel Fonseca, por se retratar e dizer a verdade a meu respeito.
Ó sim, a verdade sobre a nova e salvífica Eugénia. Agora, que começou 2010 arrependida, espeo que lhe tenha ficado de emenda e não volte a cair em tentação! E faça lá, s’il vous plaît, a tal lista, humildemente solicitada nos comentários ao seu primeiro post de 2010.
Acho que foi S. Paulo, mas não tenho tenho a certeza, que numa carta explicava a natureza humana em conflito, dizendo: “eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de realizá-lo. Não faço o bem que queria, mas faço o mal que não quero”. Obviamente São Paulo não o conheceu, Malvado S. Fonseca, perdão Manuel S. Fonseca, em si não há conflito.
A carne será de São Paulo. O resto cheira-me mais a Santo Agostinho.
Exactamente, S. Paulo é um paleocristão ainda sem conflitos na mente. Tal como M. Sardanápulo F., que já não tem idade…