Chicago outra vez


Que som lhe ocorre para dar mais cor ao céu nublado de Chicago que o Francisco fotografou? Se disse Sufjan Stevens, acertou em cheio. Pois é, esse mesmo, o talentoso e ecléctico song-writer que, em 2003, prometeu fazer um álbum para cada Estado dos Estados Unidos da América. E porquê Chicago em especial então? Pois bem, porque o rapaz, que não parece ter unhas para tão ciclópica empreitada, se ficou apenas por dois Estados até agora, aquele onde nasceu Michigan (2003), e o Illinois (2005), o de Chicago justamente. E está desde já perdoado por tanta basófia, porque o capítulo dedicado ao Illinois, que ostenta o pomposo nome de Sufjan Stevens invites you to: Come on feel the Illinoise (assim mesmo, com o “e” com que os nativos o pronunciam) valerá, certamente, pelos muitos Estados que ele deixará sem banda sonora. Podem chamá-lo pretensioso com tantos arranjos orquestrais em tom épico, com tanta referência bíblica nas entrelinhas dos feitos históricos de que o Illinois foi berço, mas o que ninguém lhe tira é o mérito de ter criado um dos melhores álbuns da década (duplo, claro, porque com ele, como vimos, é sempre tudo em grande).

Para que conste, Sufjan Stevens pertence já, apesar da sua juventude, àquela rara categoria de músicos indie cujas composições são recriadas pelas grandes orquestras e por vedetas do jazz (pouco puristas, é certo) como Brad Mehldau. E Chicago (tinha de ser Chicago), uma das canções emblemáticas do seu Come on feel the Illinoise, aqui fica como exemplo da sua música sem fronteiras.

Comentários a “Chicago outra vez” (1)

  1. Vasco diz:

    O álbum é todo muito bom.…..
    Andei com ele no cd player do carro durante quase um ano.

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