Ao Ilustre Sr. Frankenstein

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«Ilustríssimo Sr. Frankenstein,

Antes de mais, peço-lhe que aceite as minhas encarecidas desculpas pela falta de exactidão do gráfico nestas páginas publicado. A verdade é que o responsável pelo referido diagrama, caiu no comum erro de dar o vosso nome à criatura por vós produzida, doravante denominada “monstro”.

Assim, não é Vossa Excelência o objecto desta pequena análise, mas sim o vosso monstro, de cujo processo de criação, só Vossa Excelência conhecerá o ardor e tormento.

Ainda assim, permita-me a ousadia de realçar alguns aspectos não focados no diagrama. A verdade é que a inter-relação é maior do que a constatada. Ora vejamos, Vossa Excelência, após ter criado o monstro, decidiu a certo altura terminar com a existência dele. No caso de Jesus Cristo, doravante denominado simplesmente Jesus, também o seu criador, doravante denominado o Criador,não permitiu que a sua criação perdurasse fisicamente, ainda que por motivos diferentes. Vossa Excelência não o conseguiu, algo que não aconteceu no caso de Jesus, muito embora nesse caso particular a situação se revista de contornos mais esquisitos já que Jesus é ele próprio o Criador e vice-versa.

Adianto ainda o seguinte ponto: Jesus, é sabido, nasceu de forma pouco ortodoxa, sem que o processo tenha alguma vez sido revelado de forma clara; apenas sabemos que foi concebido sem pecado. Claramente, uma afiramção de pouco substânci e muito pouco científica, nem que seja pelo facto de impedir os pares de reproduzirem o resultado, não obstante haver quem defenda a impossibilidade de reunir pares. Vossa Excelência, de igual forma, sempre evitou revelar como criou o monstro. Vagamente aludiu à química, mas nunca foi publicado nenhum protocolo.

Agradeço-lhe que aceite esta minha explicação, bem como a atenção que deu a esta nossa pequena casa.
Ex-corde,
F.»

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