Se há coisa de que não nos podemos queixar, em Portugal, é da doçaria. Bolos, bolinhos, pastéis, tartes ou mousses, à sobremesa, ou à tardinha, há de tudo um pouco. Portugal é porventura o país com mais pastelarias per capita, a grande maioria com capacidade bastante para nos trazerem à mesa os bolos. Mas no que diz respeito ao bolo industrial e semi-industrial já foi tudo dito no Fabrico Próprio, pelo que não me vou alongar.
Nos Estados Unidos, apesar de a América Runs on Donuts, o panorama é confrangedor. Ora muffin, ora brownie, ora brownie, ora muffin. E à sobremesa, depois do jantar, a dimensão da decadent triple layer mud pie geralmente requere que não se tenha comido nada da entrée, que, ao contrário do que o nome indica, é o prato principal. Na europa do norte e leste, há, para mim, um uso excessivo de especiarias e frutas cristalizadas. Das sobremesas asiáticas não penso que haja nenhuma que me tenha deixado saudade, embora verdade seja dita, só pude provar aquilo que me descreveram como sendo sobremesas asiáticas, já que não tive ainda a felicidade de as poder degustar in loco.
Assim sendo, temos de, literalmente, dar graças a Deus pela doçaria que temos, nomeadamente a conventual. Bem aventuradas as freiras e frades com tanta gema de ovo à mão de semear. E as colheitas colhemo-nas nós. Ele é o pastel de Tentúgal, barrigas de freiras, ovos moles, toucinho do céu, clarinhas de fão etc.

Desta feita trago-vos as morcelas de Arouca. Do “Um tratado da cozinha Portuguesa do século XV” de António Gomes Filho:
Com farinha de rosca, pinhões, amêndoas em pedaços, gema de ovo, banha de porco derretida, calda de açúcar, sal, cravo-da-índia, canela em pó e algumas gotas de água-de-flor façam uma massa e encham com ela as tripas. Em seguida lancem estas na água fervente, até ficarem duras. Ao cozerem-nas, dêem-lhes uns piques com um garfo, para não estourarem.
Iguaria sem igual, causa sempre espanto por ser doce e vir entripada. Nunca as comi cozidas, mas sim fritas em manteiga, em que todos os sabores ficam principescamente envolvidos naquela crosta estaladiça. E não há melhor que ir prová-las directamente às origens, onde o magnífico Convento de Arouca vos espera.
A todos um excelente Natal e caso não apareça no sapatinho uma caixa de morcelas, podem sempre recorrer ao Sr. Manuel Bastos (256944851), que também sabe expedir prendas. Mas presente, presente, é irem com quem mais gostam a Arouca. Não ficarão desiludidos.

















De facto não há como a nossa. Agora estas mrocelas de Arouca de que nunca tinha ouvido falar é que me parecem over the top. Então e não há nada cá para o menino?
Conheço-as há muito tempo são uma delícia insubstituível. Vivo em Lisboa, dantes era possível comprar morcelas de Arouca em boas casas na baixa, actualmente não as encontro em lado nenhum infelizmente. A solução é encomendar por telefone 256944246, e eles têm a gentileza de me mandarem por correio e no outro dia, tenho-as em casa.
Gostaria de pedir uma ajuda. Tenho um amigo, aqui no Brasil, que ama as Morcelas Doces de Arouca. Quando ele tem portador, vindo ao Brasil, estes dizem que não conhecem e que não sabem onde comprar
Como ajudá-lo a comprar ? Existe algum endereço eletrônico ? E-mail ? Eu adoraria poder ajudá-lo.
Ele chega a sonhar com as Morcelas. Aqui no Brasil, nós não temos, infelizmente.
Quando estive aí, passei por Arouca, mas, ainda não sabia da história.