Roald Amundsen
Queridos Mortos

Roald_Amundsen_LOC_07622u

Enfrentar a vastidão física é algo que a maioria de nós não se pode dar ao luxo de fazer. Menos ainda são aqueles que o fariam, mesmo que o pudessem. Amundsen não terá sido o último, mas pertenceu à vaga final dos genuínos exploradores da geografia do planeta: aqueles que verdadeiramente partiam sós.

Amundsen e os seus homens foram os primeiros a chegar ao Pólo Sul; foi também o primeiro a completar a Passagem do Noroeste e possivelmente o membro da primeira equipa a chegar ao Pólo Norte, já que as duas anteriores expedições que reclamaram o feito, são hoje consideradas fraudulentas.

O mais a norte que já estive foi à latitude de 68º e muito embora ainda longe da vastidão que é o Pólo, pude espreitar um pouco do silêncio branco que terá aterrorizado Amundsen. Um pouco da mesma vastidão que terá assolado os navegadores portugueses, quinhentos anos antes.

O mais que podemos fazer é imaginar. Imaginar o desafio dos elementos, imaginar a corrida pela imortalidade contra correlegionários igualmente ansiosos, imaginar a luta contra os instintos de auto-preservação. Imaginar e sonhar.

norge_01

Umberto Nobile, mais tarde General general da força aérea italiana, foi quem levou Amundsen ao Pólo Norte, a bordo dum dirigível por si desenhado, o Norge. Foi Nobile também quem levou Amundsen a encontrar-se com o seu fim, quando o avião deste desapareceu no Oceano Ártico. Dirigia-se para norte, numa operação para tentar salvar a tripulação do Italia, um outro dirigível comandado por Nobile que se havia despenhado. Mais tarde Nobile reencontrou-se com Amundsen em Красная палатка.

Pouco mais de meio século depois de Amundsen ter pisado o Pólo Sul, o homem pisava a lua. Vivam os aventureiros e os exploradores.

Francisco Delgado

Comentários a “Roald Amundsen” (3)

  1. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Vivam!

  2. Pedro Marta Santos diz:

    Sem os aventureiros do exterior (Magalhães, Richard Burton) e do interior (Bohr, Schrondinger), em que barbárie estaríamos agora?

  3. Manuel S. Fonseca diz:

    O mais próximo do Pólo (Norte) que vi foi de avião: imensidão branca e um um sentimento de total impossibilidade. Francisco, o seu éxplorador norueguês devia ter um dínamo feroz a movê-lo para imaginar que havia alguma coisa a descobrir naquele interminável e terrível lençol de vidro

Comentar