
FAÇA VOCÊ MESMA #14
Categoria: gracinhas
Esta maldade é inocente. E tonta. Mas tão tão divertida. Como os filmes de quando éramos pequenos e que nos faziam rir até doer a barriga. Faça uma vez na vida. O herói? Bem, talvez não adore…
As mulheres foram, em tempos, prendadas. Cheias de cuidados. Desveladas com os seus maridos/namorados/híbridos: cozinhavam, lavavam, passavam, costuravam, bordavam. Ou isso, ou tinham uma cozinheira, uma copeira, uma criada de dentro, outra de servir e, muito importante, uma costureira. Estas mulheres eram, como direi… gestoras domésticas prendadas. Cheias de cuidados. Desveladas com os seus maridos/namorados/híbridos. Fosse como fosse, as mulheres faziam de um tudo. Por exemplo, uma bainha: primeiro alinhavava-se, depois cosia-se, tirava-se os alinhavos, passava-se a ferro. Um primor. Perdido. Diz você, ai que pena. Nenhuma pena — há pelo menos duas coisas que um homem não precisa de ver, nunca: uma mulher na casa de banho e uma mulher a passar a ferro. A menos que seja para brincar com a água ou às lavandarias. Porém a mulher precisa de cuidar. E homem que seja marido/namorado/híbrido precisa de se sentir cuidado. É a natureza das coisas — já se sabe, é inútil contrariar as forças da natureza. Olhe o mar… vá lá dizer a uma onda, não rebentes. Adiante. Você é uma mulher prendada, apenas não exerce. E também é verdade que a vida não está para se ter quinhentos mil assistentes pessoais — agora tem de se dizer desta forma, se não a polícia da correcção multiculturalsocial e toda essa treta eventual de não se poder chamar autista a ninguém, cai-nos em cima. Enfim, é prendada apenas não tem exercido, contudo vai reparar essa lacuna hoje. Logo hoje que todas, mesmo todas todinhas as calças do seu amor amado têm, ó conspiração de roupeiro, as bainhas por fazer. Como é dura a vida de uma mulher prendada. Já foi à farmácia comprar dois rolos de adesivo branco, daquele que tem boa cola? Então do que é que está à espera?! Seja aplicada, seja paciente, faça de conta que é uma linda menina na aula de trabalhos manuais, lembra-se? Corte muitos bocadinhos de adesivo, mais pequenos do que um dedo. Vai precisar de três, vá quatro, por cada perna das calças do seu querido Amor. Ele tem montes de calças? Quem mandou que casasse com uma centopeia? Para funcionar tem que ser com todas! Em cada perna das calças, faça uma bainha de cinco dedos, cuidadosamente colada com o adesivo. Colar é o novo alinhavar e você é um portento da domesticidade, vale por meia dúzia de assistentes. Valente! Passe a ferro, com um pano por cima, a nova bainha. Passá-las é fundamental. Pendure. Amanhã, depois do banho, o seu muito querido, fresquinho e cheiroso, quando as enfiar, ficará com os amados tornozelos de fora. Diga qualquer coisa deste teor: que estranho, não achas?, encolheram só em altura… Ele não se vai perder em considerações, vai tirar outras. Nesta segunda prova, seja mais óbvia para que esse Amor Centopeia comece a suspeitar da sua intervenção: não te fica mal o modelito, meu querido, pareces o Jerry Lewis! Mal o seu marido/namorado/híbrido inicie as perguntas retóricas, achas que isto tem graça?, sabes que tenho de ir trabalhar?, e outras assins, fique dogmática: vê lá se o Jerry Lewis não as usava para ir trabalhar? Não demorará até que ele, aliviado, veja os adesivos, os tire. Ó. Mas não está tudo perdido: ficará um lindo vinco horizontal, bem vincado. Esmerou-se a passá-las, não esmerou? Todo o desvelo compensa. Se ele lhe der um berro, diga em voz baixa e feliz: hoje vais pensar em mim, eu sei que vais. Eu também vou pensar em ti. Muito. Vem cedo, sim?
Ganhos: já acrescentou mais um ano de vida ao seu casamento.
Conclusões: os homens gostam que cuidemos deles maternalmente.
















Há limites e não tem gracinha nenhuma. Proponho a criação de uma Comissão de Protecção e Apoio ao Marido/Namorado/Híbrido. É preciso travar a inconsciência social de uma adita à tortura psicológica como a autora destas inventariações. Lance-se já um abaixo assinado antes que, aos vagos laços de solidariedade sexual que ainda persistem, aconteça o que aconteceu ao lince da Malcata.
a outra da comida era bem pior. A esta falta-lhe, para cada calça, o competente par de peúgas brancas, em turco de preferência. Ficava mais lindo.
Eu também acho que EV desta vez foi longe demais. Há limites para tudo. E embainhar (mesmo em versão fast forward) e engomar um par de calças que seja está muito para lá do que é aceitável, adequado e proporcionado uma mulher fazer pelo seu casamento/namoro/híbrido.
É claro que eu não ia dizer nada – em nome da sagrada e intangível solidariedade feminina. Mas a virulência da primeira reacção e a displicência com que a segunda desmerece o tremendo sacrifício que esta criativa proposta envolve para as suas aplicadoras não me permitem silenciar a minha indignação. Pobres e mal-agradecidos, é o que é
Bellatrix, nem pense que é com ultrapassagens pela extremada esquerda que salva a tenebrosa membro da sua tribo. E não julgue que é a moleza do Navarro, com maneirismos de meia branca, que ilude o negrume da perseguição a que EV aqui tem submetido o espécimen que cientificamente a própria designa como Marido/Namorado/Híbrido.
O Navarro que vá encher as bochechas de ar com o Dizzie e chamem-me aqui com urgência o florentino Orcama, o incendiário Eça (lá para a meia-noite, bem sei), ou o episcopal Pedro N. E tu, fordiano Pedro MS, pé no estribo para defender a honra masculina.
Caríssimo e Veneziano MSF,
A ser incendiário, o caríssimo A. Eça mais valia ser apelidado de Ega. Não se terá enganado, por mero acaso, na grafia?
Isto hoje promete. A cara Bellatrix tem direito a uma resposta e a uma prova real (da anterior maldade) da minha parte. O rápido tempo dos blogues impossibilitou-a na altura certa.
Eu, sou do tempo em que ajuntamentos mais de um era comício… E, os predadores de topo andam sózinhos.
Cara Eugénia de Vasconcellos,
Hoje nem a fiel Bellatrix está consigo, TC não anda a cumpir o declarado acordo “lailaitárári”, e Maria João Cayenne… está pr’ás Antilhas… Por isso serei “florentinamente” suave…
Dezembro aproxima-se e os bon-bons recheados a licôr de jindungo já vêm a caminho…
Com que então “vem cedo”? Ao que um devoto marido e etc. tem de se sujeitar apenas para cumprir, e logo de cedinho, os inalienáveis deveres conjugais. Sim, porque é essa a intenção encapuçada da gracinha. Não negue! O insinuante final demonstra-o.
Não terá ao menos a esperá-lo a estremosa e espectante esposa com um lanche a condizer, ainda que com jindungo de permeio, e coreografada de Esther Williams?
Note, este é só o cheque, o mate recebe-lo-à já na próxima resposta…
Prezados Manuel Fonseca e Orcama:
1 — Também o lince da Malcata era um predador de topo e vejam lá o que lhe aconteceu
2 – Continuo a achar que o grupo existe. Pior, que é mais vasto e fero que o sub-grupo do jindungo (afinal é com j ou com g?)
3 — Se dúvidas existissem — e não era o caso – ter-se-iam dissipado ante o tonitruante apelo de MSF (o presumível chefe, no doubt) a mais quatro-correligionários-quatro (para além da sua temível pessoa) à legítima defesa colectiva (vou evitar, para já, a utilização de termos árabes) contra duas indefesas e, até prova em contrário, inofensivas, damas. E para quê? Para “defender a honra masculina” (estou evidentemente a citar… ) … Mais provas para quê?
4– A intriga é (mais) uma arma feminina. Jamais deve o homem tentar utilizá-la, ainda por cima com o torpe propósito de dividir para reinar. Não resulta e evidencia fraqueza e desnorte.
5 — Parece-me que o grupo está mal organizado, talvez seja de substituir a liderança …e são tantos e tão bons os candidatos…
Bellatrix, com certeza estimada Bellatrx,
nunca tinha visto tanto sub-texto junto.
Ele é bouc emissaire para um lado e mecanismos sacrificiais em cima (“indefesas”, “inofensivas” e outros sugestivos mimos para femininamente se retratrem — ah, espelho meu, espelho meu).
E ainda vem acenar a irmãos em armas com o vazio lugar do rei, semeia a dúvida nos solidários rituais masculinos (“tonitruantes apelos”, chama-lhes) e sugere que não perpassa na violência predadora uma vontade de catártico apaziguamento. Lindo serviço. Agora que é não há tráguas. E não julge, prezadíssima Eugénia que isto também não é consigo.
Manuel Fonseca, os factos são evidentes:
1. a qualidade da vossa solidariedade de género, navarradamente comprovada, entrou já na fase do lince. A sua Comissão para Protecção e Apoio ao Marido/Namorado/Híbrido é proposta que não foi secundada.
2. para além da qualidade da solidariedade supra referida há, também, reconheço, sabedoria naqueles que não se solidarizaram com a imprópria proposta. Pois que outro motivo haveria, senão o de a considerarem uma injustiça para com a amantíssima capacidade de abnegação feminina?
3. que a qualidade da solidariedade e entendimento femininos, quando diante acções promotoras do bom, do belo e do justo, mesmo com reserva, lhe sirva de inspiração.
4. nem pense que é com manipulativas acusações de feminismo radical que altera o elenco dos bons argumentos de Bellatrix para a sua justa indignação.
5. “pobres e mal agradecidos, é o que é”.
Caríssima Eugénia de Vasconcellos:
1 – O caso é deveras grave: ELES (e, presumo, todos os outros) nem sequer suspeitam o quão úteis, necessários e, acima de tudo, benéficos são estes mimos e atenções (que de forma injustamente self-deprecating designa como maldades)… Ora, maldade seria baixar os braços, desistir e deixar casamentos/namoros/híbridos eventualmente viáveis serem corroídos pela previsibilidade e pelo tédio…
2 — Há, pois, que perseverar. Continuar a inventariar. Absolutamente.
3 – Mas, se me permite a fidelíssima sugestão, haverá que evitar, em próximos posts, a instrumentalização das tarefas domésticas tradicionais… O problema não é evidentemente a extrema penosidade que a sua execução comporta para nós – que, prendadas e abnegadas, sempre lograríamos levar a cabo com êxito . O problema é a perturbação e o alvoroço que a simples ideia de brincar com (eles dirão subverter…) paradigmas sagrados como o da “fada do lar” causaram e causam no grupo — veja como o desigual ataque começou com hienas e mabecas e já vai no feminismo radical… Ora isto cria um clima de, digamos, desconfiança, que dificulta, e muito, a futura execução do que quer que seja…
Ó ó abnegada Eugénia, o Navarro, como já começa a ver na prosa do Orcama, não faz prova: é um desses europeus a que a brilhantina foi tirando cabelo! E — não diga que não a avisei — isto, a esta hora, ainda nem criança a noite é. Vêm aí os lobos. Maus.
Solidária Bellatrix,
Os Inventários continuarão. Preserveraremos nos tantos sacrifícios incompreendidos que fazemos e que, cedo ou tarde, serão valorizados por aqueles a quem, no altar do casamento/namoro/híbrido, os dedicamos. Se dúvidas houvesse sobre a nossa resiliência, ficariam, deste modo, dissipadas. Continuarão os Inventários, porém, considerando reduzir, ou mesmo eliminar, a instrumentalização das tarefas domésticas que tão bem apontou, já que podem induzir um estado confusional do qual podem, in extremis, decorrer chamamentos atávicos à defesa colectiva de género — olhe o que aconteceu ao MSF…
Manuel Fonseca,
faço questão de lhe dizer que, ainda que nem um só lobo ecoe o seu uivo, isso não significa qualquer desapreço pela sua condição alfa. A despropósito: isso de alfa não obriga a betas, gamas, deltas, enfim, a um alfabeto grego congregado em torno dos interesses da alcateia? Alcateia é sempre mais de um, não é?
Caro Orcama,
a condição solitária a que o seu topo obriga — e faz muito bem -, torna-o duplamente perigoso para mim:
1. quer oferecer-me bombons recheados com licor de g/jindungo e provocar-me um gravíssimo mal estar. Não compreendo.
2. treslê as minhas intenções. Não compreendo.
3. porquê tanta crueldade?
Prezada Bellatrix:
Um resultado palpável e meritório já está obtido: Foi constrangida a escrever, e com que eloquência! Ainda bem, estes Inventários ficaram enriquecidos. Bien-Venue a esta aldeia tipicamente gaulesa de maldades e bondades várias.
Desculpem tenho de me ausentar… É lua nova, e os predadores de topo caçam na noite escura… não os gatinhos como o lincezinho…
Não saio sem todavia referir que a incerta questão do J ou G vai-me merecer melhor reflexão. Para já, direi que os neologismos oriundos do kimbundu, com este som inicial, parecem grafar-se com J conforme o normativo “Cândido de Figueiredo” ou “Costa & Melo” (assim jibóia ou jinguba).
Amanhã consultarei o abrangente Houaiss. Na moderna literatura Angolana até vejo escrever-se — jindungu — como também passaram a usar as letras K (kwanza em vez de Quanza) e W (Wanga ao invés de Uanga) e Y (Mutu Ya Kevela), com certeza à semelhança da rebeldia do movimento modernista protagonizado por Mário de Andrade, no início do século passado, que pretendeu também libertar o brasileiro da grafia portuguesa.
Estimado Orcama,
Regressei das Antilhas e, apesar da surpresa, é uma honra ser sua afilhada. Devia dar-lhe a resposta no outro post? Talvez, mas tenho de me recolher e as mulheres são práticas. É com todo o respeito, caro Padrinho, permita-me já que se ofereceu, que admiro a sua solidão de predador de topo. Creio até, que o apelo do Manuel Fonseca não lhe era dirigido já que bastas vezes ele se lhe dirigiu como “meu Kota”, ora isso só pode significar que o verdadeiro alfa talvez não se tenha revelado. Será o meu caro Padrinho? No entanto, peço-lhe que releve o jindungo nos bombons. Conheço a Eugénia. Ela gosta de praliné.
Bellatrix,
como é que ELES não percebem os inventários como modo de preservação de casamento/namoro/híbrido?
“Pobres e mal agradecidos, é o que é”.
Cara Maria João Cayenne
Que bom que voltou. Fazia falta. Três é — lá dizem — a conta que Deus fez.
Os inventários prosseguirão. Para bem deles. Ainda nos vão agradecer. Um dia.
No entretanto, no pasarán.
Laboriosa Bellatrix, “La Pasionária”:
O gineceu está a compor-se. Ou muito me engano ou de Cabo Verde — dos flagelados do vento Leste, onde as cabras nos ensinaram a comer pedras para não perecermos — ainda vão ter alguma agradável e solidária surpresa…
Prezado Orcama
1 – Gostei muito das suas simpáticas palavras e boas-vindas. E também do nome que me arranjou. Passarei a usá-lo amiúde.
2 – Peço, pois, respeitosamente, licença, para me juntar ao – doravante – grupo das suas afilhadas. E, em caso de resposta afirmativa, e porque é domingo, aproveito para pedir desde já a sua bênção.
3 – Quanto ao resto, tudo na mesma. Eventuais reforços vindos de Cabo Verde são, naturalmente inestimáveis: nisto dos Inventários já deu para ver que “a messe é grande e os trabalhadores são poucos”. E que nosotras, “cordeiros no meio de lobos”, quantas mais, melhor.
4 – É que tanto o aparente desnorte das suas hostes, como o implausível tom de appeasement das últimas horas me trazem muito, muito desconfiada.
5 – Se eu pudesse, votava em si para chefe do seu grupo. Mas se calhar é melhor assim.
Maria João “Cayenne”, nome danado de bonito, dilecta goddaughter,
Isso do Manuel “Subtil” Fonseca, é só para me afastar por etárias razões, atente na sinuosidade do ofídico S…
A proposta que faz ao seu godfather…não pode ser recusada… ou lá encontro outra parte do solipedezinho na toca. A sua amiga que lhe agradeça. Está feito. Os bombons degusto-os eu!
Orcama, perdoe-me mas a deontologia obriga-me a fazer aviso público. O cavalheiro é mesmo meu kota: se o embalam com avalanche de estímulos e jindungo, boa noite miocárdio. Não digam que não avisei.
Vá de retro Manuel “Satanás” Fonseca! Aqui só há que citar o último terceto do “Soneto do Amor Total” do Vinicius! Ou até, dizem, D.Sebastião: morrer, sim, mas devagar…
Eugénia! Só agora vi o seu texto maravilhoso! Estou completamente de acordo consigo — até porque a maior parte dos homens são uns ineptos e, portanto, merecem que lho lembrem de forma condigna e eficaz. Você excedeu-se na excelência da proposta. Tem todo o meu apoio!
Agora vou ler os outros comentários, se me dá licença…
Não estou a reconheçer o incendiário, panfletário e voluntarioso António Eça (Ega?)!
Onde está o féreo espécimen que até “apicultor ia”?
Ou o último jindungo lhe fez mal ou alguma coisa Eugénia de Vasconcellos terá urdido! Terá sido o “ai! ai!” que lhe dirigiu no último post? Mais parece um gatinho ronronador no cálido regaço da autora! Ó MSF passe já uma imediata revista às suas hostes! Suspeito de fraccionistas deserções!
Desculpe Manuel “Sargento” Fonseca,
O seu “S” não dá para posto mais elevado… Pecaminoso, injusto e indevido para tanto talento e castrenses qualidades, mas o “S” não é meu. É todo seu…
Marcial Orcama, meu general, bem quis conferir-lhe armas de cavaleiro e entregar-lhe o comando das hostes. A recusa senatorial foi sua, agora nãoe se queixe…
Eu não me queixo de nada. O sargento não sou eu…
Criadora Eugénia de Vasconcellos, de desconhecidos dotes para a “haute-couture”…
Cara comadre, quanto aos bombons, a nossa afilhada já a livrou… Todavia não deixarei de lhe referir aquele velho aforismo — pimenta na boca da outra, para mim é refresco… E não tresli nada! Está lá tudo bem evidenciado!
Crueldade nenhuma, apenas reforço o tempero, just in case…
E agora… o prometido xeque-mate:
Sabe qual é o resultado da bainhazinha subida? Em miúdos perguntávamos a quem assim se apresentava: então está a chover em Londes? Pois aí vai:
Obrigam os, até então, fidelíssimos maridos e etc. (já agora até onde vai a abrangência de híbrido?) a disporem de umas roupinhas noutra casa — na minha terra apelida-se de Luanda 2 — para estes imprevistos… Depois não se admirem se algumas vezes faltarmos à chamada, ou andarmos algo… como dizer… cansados!!!
Ó caro padrinho, mas então não sabe que a um marido/namorado/híbrido desses nós, apesar do suplício da tarefa, fazemos-lhe a mala com todo o gosto pois nem para cortar a relva serve?
Amen. Andamos a treinar desde pequeninas. É basicamente como no jogo do lenço: “passa a outra e não à mesma”. Ou nas Três Pombinhas a Voar: “é de quem o apanhar”.
Orcama: foi o «ai, ai», foi o «lailailailai», enfim, foi um pouco de tudo. Depois eu tenho sempre um fraquinho pelos mais fracos e por «cálidos regaços», sabe? São coisas passageiras, mas têm o seu momento… No fundo sou um susceptível.
Beware, girls, for the evil Eça wolf is among us… in disguise!
Oh!, the graceful youth of females… I love it! Tá a ver, Orcama? Os discursos muito lineares raramente funcionam… E… génia, obrigado pelo elogio mas eu de facto não o mereço: não passo dum «old dog»…
Ó Manuel “Sargento” Fonseca, meu Maresciallo!
Não se esvanesça, convoque as suas tropas, volte à refrega! Abandonaram-no? Estou aqui eu, que apesar de já ter passado à reserva (Vexa o afirma), tenho as (ini)amigas hostes já exangues.
O ardiloso Eça, qual Ulisses, já entrou no último reduto — olhe os desesperados apelos e os avisos — e a Comandante-em-Chefe, já nem me responde. As suas Wagnerianas Amazonas, essas sim, fiéis a toda a prova, não a abandonam; mas eu, almejando a vitória, excluo a carnificina! Volte e promovamos uma incondicional rendição.
Informa: Orcama, caçador especial solitário.
Maria João, “Cayenne”, cara afilhada, oiça o que o Padrinho diz:
Uma famosa escritora Indiana, Kamala Markandaya, muito lida, com deleite e militância, pelas femininas hostes e não só, escrevia:
“O que pensamos, dissimula-se, qual escrita invisível, sob as palavras que pronunciamos…”, in “Um silêncio de desejo”.
Palavras mais, para quê???
Prezada Bellatrix, “La Pasionaria”,
Não tem que me agradecer, citou a consagrada Dolores Ibarruri, logo ganhou direito a usar-lhe o bonito e nobre epíteto. Mas saberá porventura que é também o nome da ‘flor de la pásion’, a linda flor do maracujá?
Abençoada está minha novel afilhada. É com inaudito regozijo que a vejo juntar-se ao grupo das minhas irrequietas apadrinhadas.
Espero que a minha comadre, Eugénia de Vasconcellos, também aceda gentilmente a ser sua madrinha.
Assim, à boa e fraternal maneira africana, Maria João Cayenne, ficará a ser sua mana.
Prezado Orcama, Generoso Padrinho
Serve este último post da noite para lhe agradecer a pluralidade de vínculos, actuais e potenciais, que me arranjou nestes dois intensos dias. Sinto-me deveras improved.
Quanto à EV, deixo inteiramente ao seu (dela) critério a selecção do tipo de laço a estabelecer, se de apadrinhamento, conforme sugere, se numa versão mais de sorority, sendo certo que o sentido da sua (dela) opção em nada abalará a inabalável e feminina solidariedade reciprocamente professada e sobejamente demonstrada.
Agradeço também (há pouco escapou-me) a pronta e esclarecedora explicação quanto aos jjj e aos ggg do jindungo. Diverte-me imenso reconhecer nos seus textos e nos do MSF vários termos que o meu avô utilizava e que eu aprendi com ele, muito criança – mas que, ou nunca vi escritos, ou, quando vi, eram grafados com ggg e com qqq. De novo, este blog contribui para o meu improvement.
Vi há anos, numa exposição em Berlim, uma fotografia da Passionaria, já com muita idade. Impressionou-me a tremenda intensidade que emanava. Porventura demasiada. Por isso gostei da referência à “flor de la passión”. Fico também com ela.
Cara Bellatrix,
Só este último ponto para lhe referir que os elementos de que disponho me dão as seguintes grafias:
“Pasionaria” e “pasión”. Dispõe de fontes diferentes?
Touchée, arguto Orcama,
Como única e fortíssima atenuante, invocarei apenas a minha natureza de early riser, que faz com que me transforme, a partir de certa hora, e tal como na história da Cinderela, numa verdadeira abóbora.
Orcama, desalento e decepção instalaram-se nesta velha carcaça.
Nem um dos centuriões respondeu à chamada e a ideia de guerra popular prolongada, com instalação na mata, proposta pelo camarada comandante Orcama, deixou de me seduzir.
“Elas” ganharam. Prisioneiro, desfilarei de orgulhoso tronco nú e calças a chover em Londres, para que se vejam as grilhetas a apertar tornozelos. Para o resto dos meus dias só quero que me reservem a dignidade de manhãs num terreiro ao sol e de noites em cadeira de balouço à porta da cubata. Como anunciava o grego Cavafy, que as bárbaras governem Roma! Rendo-me.
Bellatrix, la Passionaria, Maria João Cayenne, caríssimas.
A vitória foi nossa, da Irmandade Guerreira que tão bravamente lutou, mais do que pelos próprios interesses, pelo superior interesse do casamento/namoro/híbrido. Viva!
Orcama, estimado adversário.
Porque os valores da Irmandade são conflictantes com os do apadrinhamento que me propõe, tenho de declinar o convite de o acompanhar nessa honrosa missão espiritual e afectiva. Faço-o, porém, tomada de profundo desgosto e na esperança de que essa recusa em nada altere a qualidade das nossas disputas porvir.
Manuel Fonseca,
as suas tropas não compareceram, e quando, foram desorganizadas, chegando mesmo a desertar ou a aliar-se ao valoroso inimigo. A Irmandade Guerreira ganhou. Aceitamos a sua rendição e não o faremos prisioneiro, somos magnânimas, dizemos-lhe: vai e não tornes a, como direi… criar Comissões de Apoio a Ingratos?
(Perdeu! É bem feita! É bem feita que é para não ser mau!)
Mas que épico combate!
Digno de uma epopeia ao cuidado de Eugénia de Vasconcellos que, algo não pode negar: é minha comadre… deu o nome a Maria João, que é minha afilhada… Pronto, pronto eu não faço uso e mantenho secreto.
Foi também um combate gaulês (O meu Astérix, quem fala no meu Astérix?) que devia acabar à boa maneira dos mesmos: festa de arromba!
Com Manuel “Spartacus” Fonseca a fazer de Kirk Douglas — Ave, Cesar morituri te salutant — lá terei eu de voltar para a solitária guerrilha. Da minha parte, poderá esperar a “Longa Marcha” e guerra popular prolongada, no mais puro sentido maoista! A sorte protege os audazes!
Alea Jacta Est!
Aut Cesar, aut nihil!
Eu sou um infiltrado! Aliado? Jamais!… (com pronúncia à Lino)
António Eça merece uma condecoração por altos serviços e bravura desmedida em combate. Conseguiu ultrapassar todas as linhas defensivas e, qual cavalo de Tróia, instalar-se no Quartel-General inimigo, provocando o seu completo desnorte.